Foto: ELC
Balaio
12/03/2018 | Nenhum comentário

A preparação para estudar outra língua fora do Brasil

Mesmo quem é experiente em viagens de turismo sente uma certa ansiedade ao embarcar para uma temporada de estudos no exterior. É que as regras são quase as mesmas, mas são outras. Tipo o ‘tem, mas acabou.’

Dá pra se divertir, conhecer muita coisa nova, só que também há exigências burocráticas, compromissos durante a viagem e adaptações a fazer.

Pontapé inicial

Você, que é uma pessoa prevenida e organizada, vai procurar a agência ou tomar suas providências, no mínimo, três meses antes de partir.

Na conversa com o consultor, ou nas suas pesquisas, vai descobrir que precisa definir questões importantes que podem afetar, e muito, o resultado da experiência.

Quantos dias são necessários para obter o resultado que você quer? Qual a carga horária? Aulas gerais ou com um tema específico? Atividades extracurriculares? Casa de família, alojamento, hotel?

Falei um pouco sobre tudo isso no post em que entrevistei 15 pessoas que estudaram idiomas fora do Brasil.

Burocracia

Quem tem a assistência de um bom profissional vai receber todas as orientações sobre visto, mas lembre-se que o agente de viagem não é babá, leia a respeito e escreva ou ligue para o consulado do país para onde vai, se tiver dúvidas.

As exigências variam não só de país para país, mas de acordo com o tempo de permanência.

Para quem pretende estudar por menos de seis meses na Inglaterra o visto é concedido no momento de entrada no país. Por isso, é preciso apresentar uma carta da escola em que você está matriculado (visa letter).

Visa Letter de Érika enviada pela ELC, escola onde ela está estudando em Brighton Blog Vem Por Aqui

Já quem viaja para os Estados Unidos pode se complicar na imigração se tentar entrar com visto de turista e disser que vai fazer curso de inglês.

Prevenção

Com essa questão burocrática em dia, o seguro passa a ser a prioridade zero.

Eu sei, você jura que nada, nunca, vai acontecer com você. Eu também acho que não, mas ele é uma exigência de entrada em muitos lugares e, acredite em mim, as coisas acontecem.

Já tive conjuntivite no começo da lua de mel em Orlando; alergia ocular, por causa do tempo seco, na Cidade do México e acompanhei o marido numa crise, que parecia um choque anafilático, em Andorra.

Mosaico com duas fotos, na primeira Érika sentada numa das salas da clínica com o olho vermelho de conjuntivite, na segunda, Mateus deitado numa cama de hospital com respirador, em Andorra Blog Vem Por Aqui

Só rindo pra não chorar…

Sempre faço acomparações entre as seguradoras nesse site aqui. Não que você tenha garantia de melhores preços, mas uso como o Decolar. Um lugar para ter um panorama geral e entender as opções disponíveis.

Lembre-se que os cartões de crédito, normalmente, emitem seguro para quem compra passagens com eles.

Se estiver pensando em se distrair na neve ou se jogar de um bungee jump, fique atento às cláusulas sobre esportes radicais.

Enquanto éramos atendidos lá em Andorra, chegavam vários e vários pacientes que quebraram alguma parte do corpo enquanto esquiavam.

Informações em cima da hora

Os afobados terão que encontrar paciência para pegar as informações sobre seus anfitriões, se forem se hospedar numa casa de família.

Enquanto a confirmação do curso e a visa letter (para quem vai para a Inglaterra) podem chegar mais de 15 dias antes do embarque, o endereço e os detalhes sobre a família aparecem pouco antes de uma semana.

Dois envelopes de vouchers da Central do Estudante com tags para bagagem e bolsa para acomodá-los Blog Vem Por Aqui

A partir daí, é preciso escrever para eles, não só por educação, mas para acertar o horário de chegada e os meios de comunicação.

Contenha ainda mais as ânsias porque nem todo estrangeiro acha uma boa isso de ir logo adicionando no Facebook alguém que, na prática, não se conhece. Seja cuidadoso ao fazer essa sugestão.

Mala e embarque

Não se esqueça de conferir o tipo de tomada e a voltagem do país de destino. Leve um adaptador e deixe para trás equipamentos que não são bivolt.

Mosaico com a parte de trás de três pinos compridos e chatos que se usa na Inglaterra e a parte da frente que recebe vários tipos de tomada Blog Vem Por Aqui

Em vez dos secadores de cabelo gigantes e das chapinhas ultraprofissionais, aceite a potência menor dos modelos de viagem e poupe espaço e peso na bagagem, que são artigos caros e raros desde que nosso limite diminuiu de 32kg para 23kg.

Outra precaução que ajuda a evitar dores de cabeça é tirar uma cópia ou simplesmente escanear ou fotografar, com o próprio telefone, todos os documentos. Envie para alguém de confiança no Brasil, juntamente com os dados da sua viagem (voo de ida e volta, número do seguro, endereço da hospedagem…). Se tudo der errado, pelo menos você vai ter como cancelar os cartões de crédito (sim, eu também deixo cópia deles) e fazer as ocorrências necessárias.

Coloque um zip loc (aquele saquinho com vedação) na bolsa, para não ter que jogar fora algum líquido (como batom, por exemplo) que tenha passado batido.

O pessoal da Protect Bag está de parabéns pelo senso de oportunidade no aeroporto de Confins (imagino que repitam a prática nos outros…). Cobram R$ 5 por saquinho para os esquecidos.

Saquinho zip loc com dois batons dentro Blog Vem Por Aqui

Todo dia sai um bobo na rua e um esperto aproveita a oportunidade. No dia do meu embarque para a Inglaterra, a boba fui eu…

Quem vai sair do calorzinho brasileiro para a friaca europeia não precisa ir todo encapotado. Levar uma legging/ceroula e uma segunda pele/blusa térmica resolve o problema na chegada. O casacão na mão é inevitável.

Identificar bem a bagagem nunca é demais e não esqueça o cadeado (com duas chaves, guardadas em lugares distintos, né, amiguinho?).

Concentrar toda a grana num espaço só (mesmo que seja a famosa doleira), para mim, é roubada. Já vi gente deixando a dita cuja para trás numa ida ao banheiro.

Quando eu crescer ainda vou colocar em prática outro mandamento obrigatório do bom viajante: levar mala de mão com itens básicos de viagem, uma muda de roupa, e o que mais for essencial.

Por enquanto, sigo sendo imprudente e pensando em otimizar o carregamento de pesos e volumes. Geralmente, para uma viagem muito longa (mais de 20 dias), meto toda minha roupa na mala de mão e a malinha dentro do malão. Assim, na volta, quando geralmente tenho alguém para me buscar no aeroporto e a vida é mais fácil, posso carregar duas bagagens sem maiores preocupações.

Mala de grande com tag da Central do Estudante Blog Vem Por Aqui

Para a chegada

Com Street View e afins de hoje em dia, dá para ver o seu local de hospedagem, calcular as distâncias e pesquisar com calma o melhor meio de transporte.

Eu, que não queria pagar quase £ 100 num transfer, nem fazer baldeações entre metrô e trem, descobri que a National Express tem linhas para várias cidades da terra da rainha que saem de dentro do aeroporto de Heathrow.

Tiquete da passagem de ônibus com destino indicando de Heathrow para Brigthon

Até o horário influencia na escolha. Para o meu destino, Brighton, uma diferença de meia hora implica numa passagem com o dobro do preço. A antecedência na compra também pode fazer o valor diminuir em 10%. Para você ter uma ideia dá para ir até lá gastando de £ 11 a £ 35.

Eu, que não vivo sem internet, já saí daqui sabendo também onde comprar chip no aeroporto e quais as opções disponíveis. O tempo dirá se fiz a melhor escolha, mas é uma segurança poder usar um Google Maps e chamar um Uber, em caso de necessidade.

Envelope do chip da SimLocal com informações sobre minutos (150) e internet (500 MB + 10 GB) na capa. Blog Vem Por Aqui

Como cheguei ontem e ainda estou me ambientando, logo, logo você vai saber mais sobre a cidade, as minhas impressões da escola, dos colegas e da família que está me hospedando. Acesse o blog e acompanhe nossas redes sociais para ver essa experiência britânica. Até 08/04 o VPA está no Reino Unido, testando um curso de intensivo de inglês de quatro semanas, numa parceria com a Central do Estudante.

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