Foto: Acervo pessoal Fred Jota
Na melhor X Na piorAméricaBrasil
16/03/2017 | Nenhum comentário

Aventuras no Saara e no Pantanal

Além da paixão pelo futebol, as viagens de Fred Jota sempre foram pautadas pelo espírito aventureiro. O jornalista fazia mochilões pelo Brasil muito antes da internet facilitar o acesso às informações. Nosso personagem da semana conta algumas das principais façanhas que viveu por aí. Tem desde banho de rio com jacaré até um momento perdido no deserto do Saara.

O Jornalismo quase cedeu a vez para Arqueologia quando Fred escolheu uma carreira profissional. A necessidade de entender a trajetória da humanidade é que despertou o gosto pelas viagens.

Eu sempre tive essa curiosidade histórica com os lugares e a vontade de conhecer tudo que via pela frente.”

A falta de dinheiro e de companhia nunca foram empecilhos. Fred fazia mochilões, se hospedando em hostels, acampando e encontrava novos amigos quando estava sozinho.

Acampamento no meio das árvores, no Pantanal Blog Vem Por Aqui

Acampamento no Pantanal

Ele acumulava folgas e férias para viajar por até 40 dias.

Uma vez fui para São Luiz do Maranhão e desci de hostel em hostel até Maceió. Sem conhecer ninguém nesses lugares.”

Quando quis conhecer o Pantanal, foi de ônibus de Belo Horizonte para Campo Grande com o cunhado e encontraram um índio como guia.

A gente andou pra cima e pra baixo na água escura. Num certo momento, ele falou: ‘Aqui dá pra nadar, mas é o seguinte, os jacarés ficam no chão. Então, pula por cima e jamais desça os joelhos ou apoie os pés.’ Pulei, nadei, me refresquei...Na hora que eu percebi que tinha que sair, estava nadando no mesmo nível dos jacarés. Aquela imagem clássica dos bichos com os olhinhos do lado de fora.”

Levou tempo até o guia conseguir espantar os jacarés…

Fred e outros quatro turistas nadando no rio e um monte de jacarés na margem Blog Vem Por Aqui

Mas Fred não estava satisfeito. Seguiu para Bonito e, no meio do caminho, resolver ir além. Chegou a Corumbá e passou quatro dias buscando uma maneira de ir até a Bolívia pelo rio.

Sol se pondo no Rio Paraguai e barco passando nas águas Blog Vem Por Aqui

Apareceu de tudo nessa negociação. Desde gente querendo cobrar R$ 10.000 pela travessia, até um fazendeiro que queria levá-lo por um caminho cheio de onças.

Acabou indo a pé para Puerto Quijarro.

Fred na fronteira entre Brasil e Bolívia apontando para a placa que diz "Bienvenido a Bolivia" Blog Vem Por Aqui

Entre as várias peculiaridades que viu na fronteira, Fred registrou alguns carros bizarros. O da foto abaixo foi exportado da Inglaterra e o proprietário, simplesmente, inverteu o volante deixando um buraco no lugar original.

Carro com a porta aberta e um buraco do lado direito do painel, onde era o volante Blog Vem Por Aqui

A cidade tem uma zona franca muito procurada. O Esse Mundo É Nosso andou por lá.

Depois de voltar, o jornalista não desistiu do plano inicial. Achou um barqueiro que aceitou levá-lo até Porto Jofre por R$ 70.

Barco em que fez a travessia Blog Vem Por Aqui

Fred ainda ganhou a ‘suíte vip’, cama no alto de um beliche de madeira com colchão fino, que ficava molhado quando chovia.

Cama de mandeira dentro do barco com colchão dobrado coberto com lençol Blog Vem Por Aqui

O dono do barco pescava o almoço e o jantar e, como ia parando para fazer entregas para a população ribeirinha, o trajeto demorou 72 horas.

Homem abaixado, com um cigarro na boca, cortando peixe no canto do barco Blog Vem Por Aqui

Tudo isso aconteceu em 2003, quando a internet não era tão acessível e nem tão informativa quanto hoje. Fred não tinha muitas referências sobre a cidade e tudo o que encontrou foi uma pousada para fazendeiros, ao lado de uma pista de pouso, em que a diária, naquele tempo, já custava R$ 800.

O jeito foi rodar por ali e tentar uma carona de volta ou outro hospedagem. Num bar, descobriu um motorista que ia até Poconé pela Transpantaneira.

Fred, de braços abertos, na frente de uma ponte de madeira, no caminho pra Poconé Blog Vem Por Aqui

Eram só 40 quilômetros, mas o jornalista teve que encarar pontes de madeira, trechos de terra e buracos na caçamba de uma caminhonete.

Nem se eu estivesse fugindo da polícia passaria tanto aperto.”

Em Poconé, pegou um táxi para Cuiabá. Eu já teria desistido lá em Campo Grande, mas ele ainda foi pra Chapada dos Guimarães, Brasília e Chapada dos Veadeiros.

Fred abaixado no meio de uma rocha cheia de relevos na Chapada dos Veadeiros Blog Vem Por Aqui

No sul do país, fez viagens parecidas. Na Bahia, foi de carro com os amigos, parando de praia em praia, sem muita referência. A regra era ver algum lugar interessante no mapa e tocar pra lá.

No deserto

Em 2013, numa ida ao Marrocos, quis conhecer o Saara.

Fred no meio de uma rua, com um menino de bicicleta atrás e uma construção árabe ao fundo Blog Vem Por Aqui

Ainda em Marraquexe

Foram 12 horas de Marraquexe até a fronteira com a Argélia, numa vanzinha que tocava música árabe sem parar.

Visão do lado de dentro da van, com parabrisa na frente, caminhão e montanhas do lado de fora Blog Vem Por Aqui

Além dos dois guias, havia seis pessoas apertadas no banco de trás.Uma ainda passou mal e foi deixada numa vila para se recuperar.

No fim de tarde, de repente, a van saiu da estrada. Na frente, só uma imensidão de areia até chegar à tenda de um beduíno.

Era um risco enorme, se você está com alguém mal intencionado, ninguém nunca mais te encontra...”

O beduíno indicou os colchões de cada um e serviu o jantar: ensopado de carne dura e  grudenta.

Fred sentando num banquinho ao lado de uma mesa e outros bancos do lado de fora da tenda e os colchões do lado de dentro Blog Vem Por Aqui

A tenda do lado de fora e os colchões do lado de dentro

À noite, quando saiu da tenda, ficou encantado.

Foi o céu mais espetacular que eu já vi na minha vida. Um negócio maravilhoso. Eu ficava olhando e não acreditava. Aquele mundaréu de estrelas...”

Quase de brincadeira, fez um teste, mandou um SMS para a noiva no meio do deserto. E ela recebeu.

No dia seguinte, uma ventania enorme sacudiu a tenda. Quando colocou a cabeça pra fora, Fred só viu vultos. Achou que era uma gangue do deserto, mas eram, apenas, camelos.

Dia amanhecendo, céu começando a clarear com sol pequeno, no alto e camelos deitados ao longe Blog Vem Por Aqui

Quando o primo dele gastou o francês para perguntar ao beduíno onde era o toillete, o dono da tenda apontou as montanhas de areia.

Eles saíram, deram 15 passos e… já estavam perdidos.

Parecia que a gente tinha andando 25 quilômetros. Ficamos olhando, tentando pensar como é que a gente ia voltar.”

O desespero foi batendo, até que viram uma duna mais alta. Quando subiram, enxergaram um pontinho ao longe e identificaram a van.

No dia em que andou de camelo, Fred subiu com calma no bicho, mas o animal deu um pinote e ele quase caiu.

Fred com a mão na cabeça de um camelo deitado, com outro camelo ao lado e o deserto no fundo Blog Vem Por Aqui

O voo de volta também foi uma novela. De Marraquexe para Casablanca, de Casablanca para Barcelona, de Barcelona para Frankfurt, de Frakfurt para São Paulo, de ônibus até Congonhas, para, finalmente, na véspera do Natal, voar para Belo Horizonte.

Apesar de tudo, Fred garante:

A experiência de viagem foi espetacular.”

Para conhecer outras aventuras do Fred, acesse os links abaixo. E para acompanhar o blog dele sobre o mundo do futebol, clique aqui.

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *