Por dentroAmérica
24/05/2016 | Nenhum comentário

A Buenos Aires de uma hermana

Agustina Troncoso é economista e, apesar disso, para mim, essa portenha lembra mais desenhos etéreos que números. Ela criava figuras coloridas no meio de aulas pesadas (no sentido português e espanhol da palavra) do máster em Comunicação Empresarial que cursamos juntas, em Barcelona. Com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, Agus conta o que só os hermanos sabem sobre a capital da Argentina.

Um dos desenhos da Agus

Os versos do tango são tão populares e os preços já foram tão convidativos que nós também começarmos a chamar “mi Buenos Aires” de querido.

Casa Rosada, Buenos Aires Blog Vem Por Aqui

A cidade que Gardel escolheu pra viver era a primeira opção para brasileiros que queriam sair do país, mas não tinham recursos ou coragem de ir mais longe. Señor TangoSiga La Vacafeirinha de San Telmo… os lugares-comuns superlativos impressionavam, ainda que todo mundo desconfiasse que não entregavam muita originalidade.

Com um pouquinho de pesquisa e uma segunda visita já dava pra descobrir o San Juanino, o Obrero, a feirinha e outros mistérios de Palermo (muito melhor pra se hospedar que o centro, depois que você matou os principais pontos turísticos).

Fachada do Obrero, restaurante de Buenos Aires Blob Vem Por Aqui

Eu, me sentindo a descobridora dos sete mares, na porta do Obrero, com o marido.

Isso tudo qualquer um aprende até sem pisar lá. Pesquisando no Aires Buenos ou até no finado Buenos Aires Para Chicas (que não é mais atualizado e mesmo assim ainda tem dicas interessantes) dá pra fazer um Globo Repórter: “Argentinos, onde vivem? O que comem? Como se reproduzem?”

Maaaaas, nada melhor que ouvir quem tem autoridade e uma compreensão global dos costumes, falando sobre seu canto e a Agustina pode ser muitas coisas, menos clichê.

Agustina Troncoso e Érika Gimenes em Barcelona Blog em Por Aqui

Eu e Agus no dia da despedida dela, em Barcelona.

Ela, que deixou o país no ano passado fugindo da crise, agora, vive no Chile. Viaja porque gosta, sobretudo, da aventura de conhecer. Diz que tem “espírito callejero”, o equivalente à nossa alma cigana. E filosofa sobre o impulso de mudar:

“Talvez porque ainda não encontrei meu lugar no mundo”

Eu já acho que o lugar dela é o mundo. Ainda assim, sinto uma paixão especial (quase um orgulho) na Agus quando ela fala de Buenos Aires.

Creio que as cidades têm mais ou menos o mesmo em todas, porque as pessoas, no fim, não são tão distintas, mas o que Buenos Aires tem de especial é o que se respira de cultura e de amplitude cultural.  Há o tango, teatro, há muita cultura de teatro...Vou comer tanto em lugares muitos luxuosos, que parecem europeus, quanto em lugares populares e todos estão muito bons.”

Agustina conta que a sede mundial do tango é cheia de espaços secretos, tem opções para todos os estilos e uma atmosfera única.

Dicas exclusivas de Buenos Aires

Um dos bares que ela mais gosta é o El Quetzal, que recebe várias manifestações culturais. As paredes estão cheias de grafite. Há uma parte ao ar livre, tipo um pátio, e outra fechada onde acontecem shows.

Bar El Quetzal em Buenos Aires Blog Vem Por Aqui

Como pessoa original que é, Agus está sempre buscando peças distintas. Tem preguiça de procurar em feiras ou bazares, mas sabe onde ir e o que quer, é muita objetiva. Adora Las Pepas, que tem uma pegada mais vintage; Juana de Arco, e suas peças coloridas e as calças de cintura alta de Allo Martinez.

Modelo com roupas de três estilistas argentinos: Las Pepas, Juana de Arco e Allo Martinez blog Vem Por Aqui

O trio preferido de Agus: Las Pepas, Juana de Arco e Allo Martinez

Apesar da ligação profunda com a terra natal, ela se sente bem no Chile. Quando deixou Buenos Aires achava tudo uma bagunça e me dizia, em dezembro do ano passado, que, até para o básico, era preciso brigar.

“Você está todo o tempo com a faca entre os dentes.”

Protesto nas ruas de Buenos Aires Blog Vem Por Aqui

Da última vez em que estive em Buenos Aires, em 2014, tinha protesto dia sim, dia também.

Quem não quer brigar pra comer um bom sushi pode procurar a rede Sushi Club. Tem lojas espalhadas por toda parte e é uma delícia.

Minha amiga callejera só não vai dar nenhuma dica de tango. Agustina, que fazia aulas de lambada quando moramos na Espanha, até se irrita quando alguém pergunta porque ela não dança o ritmo mais conhecido do país de origem.

É que Agus é tão diversa que não pode ser limitada pela tradição. A rixa com os brasileiros, por exemplo, ela ignora solenemente. É apaixonada pelo Brasil desde criança, quando estudou português na escola. Já esteve por aqui não sei quantas vezes e adora a Bahia.

Ame alguém como a Agus ama a capital argentina.

Não sei o que sentem os turistas, mas, para mim, é como se eu estivesse por aí e, de repente, há coisas que me emocionam. É uma sensação de que é uma mistura de coisas, da arquitetura até como está o tempo, o povo, não sei...o café que se está tomando! [...] Tem, de repente, momentos muito mágicos pela cidade que se ama!”

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