Foto: Érika Gimenes
Balaio
17/07/2018 | 4 comentários

Com quanto tempo devo começar a planejar uma viagem?

Muita gente tem um estereotipo errado na cabeça quando pensa nos apaixonados por viagens. A ideia é aquele espírito livre, que sai sem direção, sem planejamento, levando apenas uma mochila nas costas.

Encontrar surpresas pelo caminho é sempre um grande prazer, mas para quem quer aproveitar o melhor de cada lugar e não tem nem tempo, nem dinheiro a perder, o planejamento é a melhor opção.

É preciso se antecipar, pesquisar preços, ler sobre as pegadinhas, procurar a hospedagem com melhor custo-benefício.

De férias

Eu costumo passar cerca de seis meses organizando a ida para um novo destino. Tenho uma amiga, que diz que a próxima viagem começa quando acaba a última e acho que esse também é um bom parâmetro. Se você acabou de curtir as férias, já está na hora de pensar para onde gostaria de ir em seguida e procurar saber quanto dinheiro ou milhas precisa juntar.

Você não precisa passar os meses seguintes pensando nisso todo dia, mas montando um passo a passo, como esse, fica mais fácil se organizar:

1 ano – Definir o roteiro e as datas. Avaliar, ainda que por alto, os custos da viagem para saber se é viável ou se é preciso mudar os planos.

6 meses – Começar a busca passagens aéreas, hospedagens e seguro-viagem. Procurar informações sobre a logística para entender em que aeroporto é melhor descer, que tipo de transporte usar e quais os melhores bairros para ficar.

3 meses – Pensar em atrações específicas para visitar (shows, eventos esportivos, restaurantes estrelados). A partir daí, fazer reservas ou comprar ingressos. Conferir se a documentação está em dia. Observar que tipo de vistos são exigidos e pedir a emissão ou renovação do que precisar.

2 mês – Pesquisar sobre lugares para comer, áreas comerciais, atrações turísticas e a necessidade de fazer mais reservas ou garantir entradas pela internet.

1 mês – Montar uma programação. Não é preciso ter tudo cronometrado, nem seguir à risca o que está previsto, mas é muito prático estabelecer um calendário diário de atividades para ter sempre opções do que fazer e escolher destinos próximos.

1 semana: Imprimir os vouchers e o roteiro. Tirar cópia dos documentos e armazenar numa nuvem. Ver se é preciso comprar algum item para a viagem, fazendo um desenho mental do que vai colocar na mala. Trocar dinheiro e habilitar os cartões de crédito para uso no exterior.

3 dias: Arrumar a mala com a maior parte dos itens, deixando para última hora apenas objetos de uso diário.

1 dia: Conferir se está tudo em ordem: documentação, dinheiro, seguro, passagens, cartões… Avalir o que falta colocar na mala e anotar o que tiver que deixar para o último minuto. Programar-se para chegar com tranquilidade no aeroporto e agendar o transporte se for sair muito cedo ou muito tarde.

Para estudar  

Comecei a viajar mais e a ter experiência com organização e antecipação de viagens depois que fui morar em Barcelona, para fazer um máster em Comunicação Empresarial.

Fachada do prédio de pós-graduação da Universidad de Barcelona Blog Vem Por Aqui

Na época, sofri na pele as consequências de uma decisão tomada em cima da hora. Como resolvi me mudar em abril, até pesquisar o curso que queria fazer e onde iria morar, perdi o prazo para tentar bolsas de estudo.

A própria inscrição para a faculdade que eu escolhi foi feita em cima do laço. Depois foi mais um período de correria para traduzir documentos e conseguir vistos (isso porque eu vou deixar de lado a venda de um apartamento e dos carros, já que a gente estava disposto a ficar por lá…).

Identidade espanhola de Érika

Muitos estudantes que vão fazer intercâmbio caem no mesmo erro. Deixam para definir tudo poucos meses antes da viagem e perdem a possibilidade de escolher destinos e aproveitar pacotes com melhores condições.

Foi o caso de Clara Bucater, que cursou parte do ensino médio na Bélgica. Ela queria ir para o Canadá ou os Estados Unidos, mas quando resolveu pesquisar, já não havia mais bolsas para esses países.

Clara na sala de aula, segurando um bolo, no dia do aniversário com colegas e a professora em volta Blog Vem Por Aqui

Como já tinha inglês fluente, Clara seguiu o conselho da agente de viagens e optou por um país diferente. Ela deu sorte porque amou a Bélgica e a experiência, mas confessa que decidiu por impulso.

Eu fechei meio no escuro, sem saber, pesquisei uma meia horinha e fechei.”

Mesmo quem se programa pode ter surpresas. Valéria Pereira é secretária-executiva, quando fez 50 anos se presenteou com uma viagem para a Europa, incluindo duas semanas de estudo na Inglaterra.

Foram oito meses de preparação. De ver os detalhes, saber as cidades que eu queria conhecer...”

Na véspera da viagem, o clima mudou e o voo de Amsterdam para Bristol foi cancelado. Ela teve que pegar um trem para Londres e ainda estava um pouco insegura porque era o primeiro dia da viagem.

Segundo Valéria, foi a preparação e as informações que leu antes de viajar que a deixaram tranquila e a ajudaram a se virar.

O diretor comercial da Central do Estudante, Fernando Passos, diz que quem procura a agência com um ano e meio de antecedência é precavido; com um ano, está dentro do prazo e com seis meses, já está atrasado.

Olhar com antecipação uma viagem, como um intercâmbio de high school, é importante porque o seu dossiê chega antes no país e você tem mais oportunidades, principalmente nos programas de bolsa, que são um tipo de programa onde você é escolhido, não é você que escolhe. O europeu, o asiático, todo mundo faz isso com muita antecedência, nós é que somos conhecidos por fazer em cima da hora e acabamos prejudicados.”

Ele conta ainda que já vendeu vários pacotes para os programas de agosto de 2019 e fala das vantagens financeiras desse tipo de adiantamento.

Quem se antecipa consegue condições comerciais muito melhores. Consegue dividir o intercâmbio em mais vezes, consegue pegar promoções, preços mais baixos.”

Além do risco de encontrar vagas esgotadas, Fernando diz que muitos perdem benefícios extras, oferecidos pela Central, como sessões de coaching e reuniões preparatórias que começam muito antes da viagem.

Isso sem falar nos riscos das oscilações de câmbio que podem fazer o preço da viagem dobrar. Muita gente, inclusive, usa essa desculpa para adiar a decisão, numa esperança vã de que a cotação do dólar, do euro ou da libra vá abaixar. O que é mais frequente é o contrário e as vagas perdidas ou o preço maior de pacotes e passagens, que sempre aumentam a medida que a viagem se aproxima, só complicam a situação.

Se um homem prevenido vale por dois, um viajante antecipado pode pagar a metade (e fugir das filas, como a da foto de abertura, no Museu de História Natural, em Londres…).

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Comentários

  1. Arnaldo Borges de Moura disse:

    Gostaria de receber esse artigo em meu e-mail, como roteiro para minhas próximas viagens.

    1. Érika Gimenes disse:

      Oi Arnaldo,
      Você pode assinar nossa newsletter para receber os artigos ou salvar o link.
      Abs

  2. Carolina disse:

    Gostaria de receber esse artigo no meu e-mail, para me ajudar a organizar a minha viagem.

    1. Érika Gimenes disse:

      Oi Carolina,
      Como eu disse ao Arnaldo, você pode assinar a nossa newsletter ou salvar o link nos seus favoritos.
      Abs

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