Foto: Renato Weil
Beabá
02/10/2017 | 13 comentários

Como viajar o mundo num motorhome

Não fosse pela lentidão nos passos, muitos apaixonados por viagens gostariam de ser como uma tartaruga. Carregar a casa nas costas tornaria mais fácil conhecer o mundo.

Tartaruga de Galápagos andando sobre a vegetação Blog Vem Por Aqui

Já que a vida real não é tão simples, quem está sempre na estrada busca alternativas para o lar. E não é só pelo apego sentimental. Pular de hotel em hotel ou alugar apartamentos exige uma boa soma de dinheiro.

Glória Tupinambás e Renato Weil driblaram as dificuldades escolhendo um motorhome como porto seguro, mas passaram por muitas mudanças até abrirem mão do apartamento mobiliado em Belo Horizonte, dos empregos estáveis e de vários confortos.

Renato com o braço direito apoiado sobre o motorhome e Glória, do lado de dentro, com o rosto na janela Blog Vem Por Aqui

O casal está por trás d’A Casa Nômade  e se prepara para cumprir a parte mais complicada da jornada que vai leva-los ao Alasca até 2020.

O começo

Conheci a dupla de passagem, quando trabalhamos para o mesmo grupo de comunicação, eu na TV e eles no jornal.

Os dois também se encontraram por causa do trabalho, em 2005. Ela era a repórter que foi fazer uma matéria com um fotógrafo e acabou descobrindo que eles nasceram na mesma cidade.

Glória e Renato, lado a lado, sorrindo Blog Vem Por Aqui

Renato nunca tinha morado em Itaúna, no interior de Minas, já Glória saiu de lá para fazer faculdade na capital e sempre voltava para visitar a família.

O nômade, o aventureiro, é o Renato. Ele sempre gostou de fazer viagens de carro. E já tinha ido para o Ushuaia, o Peru e a Bolívia.”

No primeiro convite para uma viagem, ela percebeu onde tinha se metido. Renato também queria ir para Buenos Aires de carro. Glória não entendeu nada.

O Renato é louco, tem avião, pra que a gente vai de carro?”

Mesmo assim, topou a aventura.

Ainda demorou um pouco para que ela fosse picada pelo bichinho das viagens. No começo do relacionamento, tinha até uma frase clássica que virou piada.

Se for para me levar para um lugar com menos conforto que a minha casa, me deixa aqui.”

Em pouco tempo até a calçada da rua seria ‘casa’ para ela.

De Buenos Aires em diante, os dois juntaram cada centavo a mais e cada hora extra de trabalho para esticar as férias e conhecer tantos países quanto possível.

Mosaico de fotos do casal em vários países, primeiro do lado de uma placa em árabe na Tunísia, segunda em Sidney, terceira com a bandeira do Brasil em Mianmar e quarta nas dunas dos Lençóis Maranhenses Blog Vem Por Aqui

Em sete anos foram dezenas de destinos. Até que, em 2012, virou a primeira chave.

Ano Sabático

O casal tinha guardado dinheiro para trocar de apartamento, mas as férias estavam pequenas para eles e resolveram usar a grana para tirar um ano sabático.

A desculpa oficial era um curso de espanhol, em Madri, mas dependiam de uma licença não-remunerada para se arriscarem sem ter que abrir mão do emprego de anos.

A gente foi com a certeza do não, tanto que eu nem comuniquei à minha família. Eu não falei nada, pensei: ‘Ah, vou lá pedir, mas claro que eles não vão me dar a licença, nem vou fazer a minha mãe sofrer.’”

A surpresa é que o chefe foi pra lá de compreensivo e concedeu a licença dupla sem criar qualquer empecilho.

E eles partiram para a Madri, onde cursaram dois meses de aulas de espanhol, e depois seguiram para um supermochilão.

Casal abraçado em Madri, em frente ao Palácio Real

Madri

Da Europa, foram para o norte da África porque Renato queria acompanhar os desdobramentos da Primavera Árabe no Egito.

Casal abraçado, sorrindo, em frente às pirâmides de Gize, no Cario Blog Vem Por Aqui

Egito

Passaram por todo o Oriente Médio, voltaram para a Europa e pegaram a transiberiana, indo de trem da Rússia a Pequim.

Casal na Grande Muralha da China com multidão de turistas ao fundo Blog Vem Por Aqui

China

Depois ficaram seis meses no sudeste da Ásia.

Casal sentado numa tábua de madeira que passa por trilhos e é empurrada por uma bicicleta, no Camboja Blog Vem Por Aqui

Camboja

De lá, foram para a Áustrália, de onde voltaram para fazer mais um pedaço da Ásia, Dubai, seguir novamente para a Europa e retornar ao Brasil.

Casal em frente a um palácio todo branco Blog Vem Por Aqui

Abu Dhabi

Em um ano rodaram 33 países e gastaram R$ 100 mil.

A grande mudança

A soma pode parecer alta, dita assim, de uma vez, mas se você dividir por 12, converter em dólar ou euro e incluir todos os gastos, inclusive com passagens aéreas, vai entender que não é tanto assim.

Era preciso administrar o dinheiro para fazer a aventura durar e foi a partir daí que começou a verdadeira transformação do casal.

Quando chegaram em Madri ainda alugaram um apartamento pensando nos padrões de conforto que tinham no Brasil. A medida que começaram a viajar para a Ásia, o norte da África, a viver outras realidades…sentiram que estavam mudando.

Mosaico com duas fotos, uma do Renato, na água, dando banho num elefante, acompanhado por outras pessoas na Malásia e outra da Glória num buraco da época da guerra, no Vietnã Blog Vem Por Aqui

Chegavam aos hotéis tão cansados, que não faziam questão de detalhes, só queriam um lugar para dormir. Renato e Glória começaram a diminuir os gastos com hospedagem e a economizar para viajar mais.

A gente foi baixando, de verdade, o nível de exigência.”

Na Austrália tiveram a primeira experiência de como seria uma casa na estrada. Alugaram um motorhome por 10 dias e, se não acharam moleza, entenderam que era viável.

Durante muito tempo, tudo que Glória tinha era uma mochila com uma calça jeans, um tênis e sete camisas de malha. A menina que escolhia com meses de antecedência a roupa do réveillon estava revendo, profundamente, os conceitos.

Quando pensava no guarda-roupas do Brasil, chegava a uma conclusão:

Eu trabalhei X horas pra comprar uma calça jeans, eu trabalhei X dias pra comprar um vestido. Eu quero mesmo esse vestido? Não! Eu não quero trabalhar essas X horas pra ser escrava dele. [...] Essa foi a pior virada porque tudo que para mim eram certezas absolutas, já não eram mais. Aquele sonho de morar numa casa X quando ficar velha, não existe mais. Se eu tiver uma telha em cima da minha cabeça, tá ótimo! Nem sei se precisa da telha, dependendo de lugar. É uma mudança muito real de valores, foi muito forte.”

Como nem todo mochileiro é igual, nas refeições o casal ainda investia pesado. Os dois gostam de comer bem e se davam ao luxo de irem aos restaurantes mais recomendados.

Glória também diz que não vive sem banho. Ela chegou a cortar o cabelo bem curtinho porque passou sete dias no trem transiberiano e não tinha um chuveiro à disposição. O cabelo curto foi a alternativa para poder lavar a cabeça todos os dias.

Renato abraçado com Glória, já de cabelo curtinho, em frente ao trem Blog Vem Por Aqui

Transiberiana

Volta ao cotidiano

A cabeça mudou metafórica e literalmente, mas a vida no Brasil, não. Plantões de final de semana, horários rígidos de trabalho, regras, rotina…Dava desânimo pensar no que deixaram aqui.

Alegria mesmo, só com o convite para fazerem o primeiro livro. O Mundo em Minas traça um paralelo entre o que há pelas terras mineiras e o que eles encontraram nas andanças por cinco continentes.

Mosaico com fotos que estão no livro: criança brincando com faixa de arco-íris na China, tapetes de Corpus Christi em Sabará, judeu no Muro das Lamentações, mãe e criança com rostos pintados de amarelo em Mianmar e pequeno sapo preto em cima de um dedo Blog Vem Por Aqui

A volta ao trabalho foi adiada por mais seis meses para tocarem o projeto.

A felicidade com a nova empreitada não resolvia a equação. Eles sabiam que quando o livro fosse concluído e estivessem presos, novamente, a uma redação de jornal, a insatisfação apareceria.

Decidiram abrir o jogo com o chefe, mas ele, que já havia estendido a licença da dupla, disse que não havia a menor possibilidade de demiti-los.

O casal estabeleceu, então, um prazo de três meses para ver o que acontecia. No segundo dia da volta à rotina, aconteceu a primeira reviravolta.

Glória foi convidada para trabalhar na sucursal da revista Veja em Belo Horizonte e quis aproveitar a oportunidade. Trocou de emprego, mesmo que ainda estivesse longe do que queria.

Duas semanas depois, uma segunda virada, Renato conseguiu negociar a demissão.

Como ela queria cumprir o desafio que aceitou, ele aproveitou o tempo ocioso para tirar mais fotos para o livro.

Foram quase dois anos de sonhos adormecidos, até que, num feriado prolongado, durante uma subida ao Monte Roraima, a segunda chave virou. Era hora de tomar um outro rumo.

A Casa Nômade

Renato investiu o dinheiro da demissão na compra de um motorhome.

A ideia era viver de uma maneira muito simples, apenas com o valor do aluguel do apartamento deles em BH.

No começo, ainda tinham medo de não se adaptarem, tanto que em vez de comprarem um furgão pronto ou um ônibus com a infraestrutura montada, preferiram um caminhão.

Sprinter e estrutura do baú atrás com cilindro de gás à frente e mecânico observando o caminhão Blog Vem Por Aqui

A ideia era mobiliar tudo com os próprios equipamentos de casa e, se desistissem, tirar o que fosse deles de dentro do caminhão e vende-lo para pagar os prejuízos.

Os dois foram morar num flat durante o período de montagem do veículo e começaram a se desfazer dos excessos.

O casal deu sorte, que quase virou azar, ao encontrar uma empresa que fazia câmaras frigoríficas que topou construir o baú. Eles criaram um sistema térmico que ajuda a manter a temperatura interna, independentemente, do clima.

Motorhome na oficina já com o baú acoplado, mas ainda sem móveis e pintura Blog Vem Por Aqui

Renato ainda colocou painéis solares e um reservatório de água de 500 litros. Gerando a própria energia e armazenado bastante água, não dependeriam de nenhum camping.

A sorte quase virou azar porque nesse meio tempo a empresa mudou de donos e, depois, faliu. Ainda assim, em menos de cinco meses, terminaram o projeto.

A primeira viagem da Casa Nômade aconteceu em maio de 2015, quando o casal foi ao Rio, renovar o visto americano.

Motorhome parado em frente ao Copacabana Palace e Renato e Glória na frente, de braços levantados Blog Vem Por Aqui

Partiram com dúvidas e muitos receios, mas bem equipados.

Glória sentada na cama, Renato nos degraus da escada e, do lado esquerdo, a pia do banheiro, do lado direito, a geladeira Blog Vem Por Aqui

A ‘casa’ tem máquina de lavar, fogão, cama, geladeira, ar condicionado, armário, pia, carrega uma moto e levava duas bicicletas que foram roubadas, recentemente, na Argentina.

Glória em cima da moto e Renato ao lado, diante do motorhome, com a porta da 'garagem' aberta Blog Vem Por Aqui

Eu brinco que, quase tudo que tem na sua casa, tem na minha.”

É verdade que esse tudo está imprensado em 10 metros quadrados, mesmo assim, há pequenos luxos. Glória e Renato dormem no mesmo colchão que tinham no apartamento, nada de cama de armar.

Glória sentada na cama com Renato em pé, ao lado e botas e roupas em cima Blog Vem Por Aqui

Como instalaram o fogão que também era deles, contam com um forno do qual, de vez em quando, sai até bolo.

Glória com uma forma com bolo na mão, diante da pia da cozinha Blog Vem Por Aqui

O banheiro tem uma ducha ótima, ligada a uma bomba de pressão que puxa a água da caixa, faz com que ela passe no aquecedor a gás e saia quentinha.

É um banho 10 vezes melhor que o de um chuveiro elétrico.”

O sanitário químico, segundo ela, é a parte mais chata, apesar disso, em dois anos, nunca tiveram problemas.

O custo foi muito menor que o de um motorhome convencional. O deles saiu por R$ 160 mil (R$ 100 mil do caminhão e o restante das adaptações necessárias). De acordo com a jornalista, um veículo novo, e já acabado, não custaria menos que R$ 300 mil.

Veículo na BR-101, com porta traseira com bandeiras de todos os países por onde eles passaram Blog Vem Por Aqui

Patrocínios e interesse da imprensa

Aquele plano inicial de viver apenas com o aluguel do apartamento de Belo Horizonte, foi logo substituído.

Eu digo que eu devo tudo às redes sociais.”

Um dia, em casa, Glória fez um post no Facebook em que contava sobre a mudança.

A Revista Veja e o Jornal Estado de Minas ficaram para trás e, agora, temos o mundo todo pela frente. Essa história de ter um endereço fixo deixou de nos seduzir e aí decidimos colocar o nosso lar na estrada. Assim nasceu A Casa Nômade, um projeto de viagem e de vida. Bora lá viajar conosco?!”

A apresentadora de um programa regional da Globo viu o post e pediu para contar a história deles. Juliana Perdigão apresentou A Casa Nômade para o mundo no Terra de Minas.

Carro com adesivo com símbolo da Globo e, abaixo, escrito Minas, e, no fundo, o motorhome deles e o cinegragista, o auxiliar e a apresentadora entrevistado Glória Blog Vem Por Aqui

A partir dessa entrevista, deram outras 219 em três meses. Um dos pontos altos foi a participação no Encontro com Fátima Bernardes.

Anúncio com dia e horário do programa, foto grande da Fátima Bernardes e fotos menores do Renato e da Glória Blog Vem Por Aqui

Mesmo sendo do meio, o casal foi pego de surpresa pelo interesse.

A gente estava muito do outro lado do balcão, nem entendia como isso podia acontecer.”

A divulgação do livro, feito com o apoio de leis de incentivo à cultura, ajudou nesse processo. A assessoria que trabalhava para o local do lançamento, o Memorial da Vale, fez questão de contar a história da Casa Nômade no release.

Renato e Glória com o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, no meio, segurando o livro do casal Blog Vem Por Aqui

Entregando O Mundo Em Minas para o ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica

E daí, vieram os patrocinadores para o projeto, que mudaram a nossa vida de verdade. Hoje, o dinheiro que a gente recebe do apartamento de Belo Horizonte é quase só para as extravagâncias.”

A Mercedes Bens foi a primeira. Quando viu que o caminhão era da marca, propôs logo uma parceria.

Objetivo

A empresa pagaria toda a manutenção do veículo e ainda faria melhorias, como a doação de uma geladeira própria para caminhões que fica ligada à bateria.

Para fechar o acordo, no entanto, eles queriam entender melhor o projeto. Qual o objeto deles? Onde pretendiam chegar com aquilo?

Essa é uma parte importante da paixão que move Glória e Renato. Ao contrário de muitos que estão rodando por aí, eles não são maratonistas de viagens.

Quando embarcaram nessa aventura de viver na estrada não queriam bater recordes, cumprir prazos apertados, nem perder o prazer de observar a vida num outro ritmo. O objetivo é o caminho.

Até por isso, foi difícil estabelecer um alvo. Glória disse, meio por acaso, que queriam sair pelas Américas e, quem sabe, até, chegar ao Alasca…

Como precisavam fechar um contrato, esse virou o destino, mas bem do jeito deles, sem pressa. O acerto com a Mercedes prevê que eles cheguem ao Alasca até 2020.

Glória e Renato ladeando a placa de madeira do Parque Nacional Tierra del Fuego que tem a inscrição no final Alasca 17.848 km Blog Vem Por Aqui

Ushuaia

Além da montadora, a Ale, empresa de combustíveis, também se interessou pela Casa. Com o Rotas Ale, eles mapeiam rotas populares e as melhores paradas em várias partes do Brasil. O casal foi convidado a escrever um blog dentro do Rotas e a viajar para alguns desses lugares.

Motorhome parado ao lado de posto Ale em Belo Horizonte Blog Vem Por Aqui

Foram 21 estados em um ano.

Hoje eles também têm patrocínios para roupas, equipamento de neve, botas, e até água. A profissionalização foi rápida, mas não foi tão fácil quanto no início. Se as primeiras empresas bateram na porta deles, as outras tiveram que ser conquistadas.

Eu falo que eu sou repórter-pedinte. Para conseguir um patrocínio, eu mando 30 e-mails. É uma labuta diária. Rico a gente não vai ficar. Com isso aí, a gente não ganha dinheiro, mas a gente deixa de gastar. Então, hoje, todos os suportes que a gente tem, ajudam na manutenção.”

E oferecem alguns mimos também, é claro.

Para o mês que passaram em Buenos Aires, por exemplo, Glória conseguiu uma parceria com a Number One Intercâmbio que resultou num curso de espanhol na Coined.

Renato e Glória sentados diante de um painel azul com expressões em espanhol e a sigla COINED no meio Blog Vem Por Aqui

Isso sem falar nos 30 restaurantes que visitaram enquanto estavam por lá. Ela citou alguns aqui.

Paradas

Pelo caráter autossustentável do veículo, eles também podem se dar a outros luxos, como o de parar em áreas turísticas e bem localizadas, em vez de se esconder em campings distantes.

Na capital da Argentina, por exemplo, estacionaram em Puerto Madero e só saiam do lugar uma vez por semana, para encher o reservatório de água num parque quase em frente.

Casal em frente em uma ponte de Puerto Madero, em frente ao rio Blog Vem Por Aqui

Glória e Renato passeando pela vizinhança

Eles evitam ao máximo causar transtornos para a vizinhança. Quando estão nas cidades não abrem o toldo, nem colocam mesa na rua. Muita gente nem imagina que alguém mora no caminhão. Sendo discretos, até agora, não tiveram problemas.

Em Ushuaia pararam no canal de Beagle.

Motorhome parado ao lado de um outro veículo em frente a um rio Blog Vem Por Aqui

No Rio, saiam para curtir o carnaval de um ponto na Urca.

Renato e Glória, fantasiados de palhaço, em frente à multidão no meio de um bloco de carnaval do Rio Blog Vem Por Aqui

A própria documentação do veículo é de um caminhão-baú.

Próximos passos

Desde que terminou o trajeto da Ale pelo Brasil, o casal levou a Casa para o sul da Argentina, Patagônia, Ushuaia, Lagos Andinos, região central do Chile…

Mosaico com fotos do caminhão rumo a montanhas nevadas, dos dois num glaciar, deles sentados numa montanha, do caminhão numa estrada com placa de boas-vindas ao Chile, de Glória com a estátua da Matilda em Buenos Aires e dos dois diante do Obelisco da capital argentina Blog Vem Por Aqui

Eles fazem questão de voltar à terra natal, duas vezes por ano. Não querem se desconectar da família e dos amigos.

No último retorno, passaram pelo Uruguai. Agora, depois do tempo vivendo em Buenos Aires, seguiram para o norte da Argentina e estão rumando para o Atacama.

Renato e Glória sorrindo com paisagem desértica ao fundo Blog Vem Por Aqui

Quilmes

Em novembro, voltam novamente ao Brasil para preparar o lançamento do segundo livro, A Casa Nômade Pelo Mundo.

Folheto sobre o livro com explicações sobre formato, páginas e conteúdo e reprodução de como vai ser no meio Blog Vem Por Aqui

Entre 2018 e 2019 devem passar por toda América do Sul e chegar à América Central.

Os Estados Unidos vão ser percorridos em 2020. A ideia é ir ao Alasca por uma costa e voltar pela outra.

Supérfluos

O casal aprendeu com o tempo e as viagens a trocar os exageros por pequenos luxos. Parar numa área bonita, tomar um banho gostoso, fazer um bolo de cenoura, criar a própria rota e cumprir o tempo desejado substitui qualquer ostentação.

Há mais de dois anos Glória não entra numa loja para comprar roupa. Ter patrocinadores ajuda, mas não mataria a vaidade, já que muitas vezes, as peças são só esportivas.

Glória diante da Casa Rosada em Buenos Aires com casaco de frio e bota Blog Vem Por Aqui

O que ficou mesmo de lado foi a vontade de consumir.

Esse querer ter, eu não tenho mais. É muito engraçado, eu olho e penso: ‘Nossa, que blusa legal, ia ficar bem em mim.’ Mas eu não vou gastar meu tempo de ir lá, entrar...Eu não vou me vender por ela. ”

Parece um processo natural para quem quer ganhar o mundo. É preciso se desapegar do que pesa, financeira e materialmente, para ir além.

É uma sensação estranha porque todo mundo ao seu redor está numa outra vibe. Tem horas que você é o louco da família, da turma de amigos...As pessoas acham até uma ofensa.”

A frase é forte, mas eu concordo com Glória, tem gente que fica realmente incomodada com quem não segue os padrões. Passei por isso quando fui morar na Espanha e, no meu caso, a maior lição aprendida é que existem milhares de maneiras de se sentir realizado e de ser feliz.

Você pode ser nômade dentro de casa, viajar nos sonhos mais bonitos, nunca ter ido além da esquina e respeitar outras formas de viver. Quem está aprisionado aos seus próprios preconceitos é que se preocupa muito com os que fogem da curva.

Nada que tire o sono da Glória ou do Renato. Enquanto tem gente julgando, eles estão quase chegando e a chegada é a apenas o ponto da próxima partida.

Renato e Glória em frente ao motorhome numa mesinha com toalha xadrez, sorrindo Blog Vem Por Aqui

Na Prática:

– Custo do motorhome

Mercedes Benz Sprinter 515 – R$ 100 mil

Baú e adaptações – R$ 60 mil

– Fontes de água e energia

Painéis solares e reservatório para 500 litros de água que é abastecido, em média, uma vez por semana

Documentação

Igual a de qualquer caminhão baú

– Pontos de parada

Os mesmos permitidos para caminhões

– Países até agora

59 visitados pela Glória e pelo Renato

4 com A Casa Nômade

– Livros escritos pelo casal

Dois: O Mundo em Minas (já lançado) e A Casa Nômade Pelo Mundo (que deve ser lançado em dezembro)

 

* Em breve você vai ver as maiores furadas enfrentadas pela Glória e pelo Renato nas viagens. Aproveita para conhecer, nos links abaixo, histórias de outras pessoas que encontraram maneiras diferentes de morar fora do Brasil.

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Comentários

  1. ANDERSON SILVA PEREIRA disse:

    Fantástico! Realizamos esse sonho esse ano, alugamos um RV em Orlando e fomos até KeyWest, na Florida/USA.
    RECOMENDO DEMAIS.
    Indico a BCO/ORLANDO.

    1. Érika Gimenes disse:

      Que legal, Anderson! O Vem Por Aqui tem uma coluna, Na Sua, para leitores contarem suas experiências em primeira pessoa. Se quiser participar falando dessa sua jornada, mande o texto com o maximo de informações possíveis e fotos para contato@vemporaqui.com.br

  2. Marcos Eustachio disse:

    Prezada Érika,

    Você apresentou-nos um casal fantástico!!! Que experiência facinante essa da Glória e do Renato. Já li inúmeros relatos similares, principalmente de navegadores ao redor do mundo. Mas, o desses conterrâneos é verdadeiramente incrível. Além da experiência em diversos países, houve também uma conquista muito importante para a vida, onde se constata que precisamos de muito pouco para sermos felizes. Acumular patrimônio e dinheiro só serve para nos escravizar. Como mencionou a Glória: – “no final da jornada só interessa ter um telhado e uma cama”. E todo um MUNDO para recordar!!! PARABÉNS!!!

    1. Érika Gimenes disse:

      Obrigada, Marcos, os dois são mesmo uma fonte de inspiração. Abs

  3. Jefferson Peres disse:

    Parabens…

  4. Rodrigo Calazans disse:

    Muito top. Acredito que todo mundo deveria, ou gostaria, de fazer isso na vida. Um experiência fantástica, lembranças inesquecíveis.

  5. Lidiane Helena Marques disse:

    Eles tem canal no YouTube? Queria ver um tour pela “casa”.

    1. Érika Gimenes disse:

      Oi Lidiane! No próprio post há dois vídeos que mostram um pouco do veículo por dentro. Mas eles têm canal no YouTube sim. É só procurar A Casa Nomade.

  6. Márcio Toledo disse:

    Que legal. Imagino como sejam essas viagens. Meu sonho é ter um MotorHome.
    Sou e moramos em Minas, mas minha esposa é gaúcha. Todas as vezes que temos que descer vamos de carro. Nosso percurso sempre é modificado para conhecermos outros lugares, paisagens, etc. Sempre é uma aventura.
    Parabéns.

  7. José Alfredo disse:

    Adoro viajar de moto home, sou aposentado é tenho um f4000 antigo da turiscar, fiz poucas viagens mas adorei (mato grosso do sul, divisa com Paraguai,lagoa em sta Catarina, Paranapanema, Avaré , Parati, lit.norye de São Paulo). A aventura e não saber onde vou dormir amanhã me atrai.Adoro água e paisagem.A felicidade é um estado de espírito. Minha companheira não é tão impulsiva como eu mas nós damos muito bem já 36 anos. A vida é bela e espero continuar a curtir mais alguns anos, viajar é uma necessidade, conhecer alimenta a alma, o mundo é minha casa e meu motor home é meu porto seguro e meu telhado.

    1. Érika Gimenes disse:

      Que legal, José Alfredo! Que venham muitas aventuras pra você por aí e muita alegria nas suas vidas viagens. Abs

  8. HELCIO FURLAN disse:

    Parabens pelo vontade, pela organização, pelo desapego e pela coragem.
    Eu pretendo fazer isso em poucos anos. Sou casado, tenho 53 anos, sem filhos, com 2 gatos.
    Quero montar um MotorHome numa Sprinter Extra Longa, gastando menos que R$ 200 mil.
    Quero crair alguma fonte de renda para pagar nossos custos e aí sim, pegar a estrada.
    A princípio é fazer de Ushuaia ao Alaska… depois só o futuro dirá.
    Grande abraço,

    1. Érika Gimenes disse:

      Boa sorte, Helcio! Espero ter mais notícias do seu projeto em breve. Estaremos na torcida!

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