Foto: Bruno Cantini/Atlético MG
Balaio
19/07/2016 | 4 comentários

Eduardo Maluf e as viagens com o futebol

Há quase um ano, em 19 de julho de 2016, o Vem Por Aqui publicou uma longa entrevista com o diretor de futebol do Atlético, Eduardo Maluf. Era dia nacional do esporte mais celebrado do Brasil e a entrevista com Maluf recebeu a maior audiência do blog até então.

Ele estava no meio de uma longa batalha contra o câncer, mas escreveu agradecendo pelo post. Contou que se recuperava de uma cirurgia e garantiu, confiante, que logo voltaria ao trabalho.

Maluf voltou e tentou seguir fazendo o que sabia de melhor, mas a doença não cedeu e ele partiu nessa quinta-feira, 08/06/17.

Saiu de campo com a cabeça erguida. Lutou durante os 90 minutos de jogo e deixou um placar de muitos gols na história do futebol brasileiro.

Não sei se ele levou a cabo a ideia de escrever uma biografia, mas, nas horas em que estivemos juntos, falou abertamente sobre tudo que viveu nas viagens pelo mundo, negociando jogadores.

Citou nomes sem pudor, que resolvi ocultar por excesso de zelo, para lhe evitar embaraços. Hoje republico essa entrevista com todos os personagens das histórias de Maluf, em reverência à sua franqueza.

Descanse em paz.

 

O diretor de futebol do Atlético começou a carreira como jogador, no Valério Doce, de Itabira, mas já tinha autocrítica suficiente e uma visão afiada do mercado para entender que deveria buscar alternativas.

Eu me autoavaliei naquela oportunidade. Falei: ‘como profissional eu não vou passar de jogador de time pequeno, de time médio, vou parar e vou procurar a minha vida de outro jeito.’ ”

E assim, Maluf foi de supervisor de futebol à presidência do clube, onde ficou por quatro anos. Nesse período, diz que criou a fórmula atual do Campeonato Mineiro numa das reuniões da federação do estado. A atuação dele nos encontros chamou a atenção de Zezé Perrella, então presidente do Cruzeiro, e Maluf foi convidado a ser diretor de futebol do time da Toca da Raposa. Ele afirma que foi a primeira pessoa a ocupar esse cargo no Brasil. Desde então, entrou numa espiral de viagens internacionais.

Já são quase 12 anos em clubes de primeira divisão e um mínimo de 100 a 120 viagens por ano, ou seja, mais de 1.200 viagens, 10 a 15% para o exterior.

Ele nunca imaginou conhecer 55 países.

Eu não era, assim, muito apaixonado com viajar.”

A primeira vez que saiu do Brasil tinha 27 anos, era empresário, dono de um hotel, e foi para um congresso em Nova Iorque.

A história com o Atlético começou em 2000, quando teve uma curta passagem pelo clube, contratado por um grupo de investidores. Em 2010 ele voltou e participou das conquistas da Libertadores, da Recopa Sul-Americana, da Copa do Brasil e de três Mineiros.

Eduardo Maluf no dia em que foi apresentado no Atlético, pelo presidente do clube em 2010, Alexandre Kalil Blog Vem Por Aqui

Eduardo Maluf, no dia em que foi apresentado no Atlético, pelo então presidente, Alexandre Kalil

Desde que começou a atuar como dirigente, Maluf percebeu que as exigências do setor estavam aumentando e fez um curso de Administração Esportiva na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Todo ano eu tenho uma ou duas propostas para trabalhar em outras equipes do Brasil porque eu me especializei numa área que é cuidar do futebol. Os presidentes cuidam do clube, de tudo que têm que fazer e contratam uma pessoa remunerada pra focar no futebol.”

Além das negociações de jogadores, o diretor de futebol também viaja muito para resolver questões burocráticas. Maluf já participou de reuniões da Libertadores, encontros com representantes da Fifa, com o Tribunal Arbitral…

Eduardo Maluf recebendo uma homenagem da Fifa pelo Atlético

Recebendo uma homenagem da Fifa pelo Atlético

Mas diz que, se por um lado, se envolve com tudo que está ligado ao futebol, por outro, faz questão de manter distância de assuntos gerais do clube.

“Eu não participo de quase nada do Atlético. Se um (integrante do departamento) financeiro liga pra mim e fala: ‘Quem que é o técnico que você está contratando?’, eu não quero falar com financeiro.”

Trabalha com independência das questões políticas.

Relação com atletas

Com os jogadores, Maluf mantém um relacionamento amistoso, mas firme. E dá o exemplo de Leandro Donizete, que foi multado depois do último jogo do Campeonato Brasileiro do ano passado porque foi expulso após dar um soco num adversário. Muitos achavam que ele ia ignorar o episódio porque era a última partida do ano, mas não foi o que aconteceu.

Ele conta que o próprio jogador esperava a punição e entrou na sala dizendo:

“Malufão, já sei porque você me chamou, você vai me multar.”

E o dirigente emendou:

“Vou te multar em R$ 10 mil, e vou transformar (a multa) em cesta básica. Quando você voltar, ano que vem, doa para uma instituição de caridade. Eu não quero lutador de UFC.”

Apesar disso, Maluf é querido pelos atletas e conta que, nas viagens, acaba criando laços de amizade.

O atacante Fred, por exemplo, que hoje veste a mesma camisa que Maluf, no Atlético, viajou pela primeira vez numa classe executiva quando eles ainda estavam no Cruzeiro.

Fred Blog Vem Por Aqui

O dirigente ensinou o craque a se virar quando ouviu a sinceridade dele:

“Maluf, eu não sei nada, como que pede, nada… […] Eu não tenho vergonha de te falar, quero que você me ajude.”

Outro que recebeu bons conselhos do diretor quando estava na Toca da Raposa foi o volante Ramires, que atuou várias vezes pela seleção brasileira.

Ramires Blog Vem Por Aqui

O jogador faz questão de manter contato com Maluf e demonstrar a gratidão pelo apoio.

Eu conversa com ele, falava ‘faz um curso de inglês, você vai ser vendido, você é bom jogador.’ Todo ano, entre Natal e Ano Novo, ele liga pra mim.”

Quando eu falei, lá em cima, da multa de R$ 10 mil você deve ter ficado chocado com a quantidade de dinheiro, né? Mas os valores no futebol são todos superlativos.

A negociação de Diego Tardelli com um time da China, por exemplo, incluiu um salário de € 600 mil, segundo o dirigente. Ou seja, quase R$ 2 milhões por mês, R$ 66 mil para cada dia de trabalho…

Sufoco na Arábia Saudita

Se os valores são, normalmente, astronômicos nas negociações do futebol, a banalização do dinheiro é ainda mais impressionante no Oriente Médio. Maluf passou apertos e experimentou momentos surreais levando jogadores para lá. A ida de Wagner, que era meia do Cruzeiro, deu trabalho.

O atleta foi jogar na segunda maior cidade da Arábia Saudita. No meio da negociação, Maluf se meteu numa roubada por não conhecer os costumes locais.

Maluf na apresentação do Técnico Diego Aguirre na Cidade do Galo Blog Vem Por Aqui

Ele conta que já estava irritado com a demora no fechamento do acordo. Parecia que os dirigentes do time árabe prorrogavam, deliberadamente, o acerto. Aí, perdeu a paciência.

Eles marcam assim ‘Não resolvemos hoje? O sheik vai te receber daqui dois dias.’  E eu: ‘se não resolver aqui, eu vou embora!’ e dei tipo um murro na mesa.”

Para azar de Maluf, além do murro, ele estava acompanhado de um advogado brasileiro que tinha mania de se sentar com as pernas cruzadas e a sola do sapato virada pra cima. Um hábito inocente no Brasil, mas que, lá, agravou a lista de mal entendidos.

Depois do encontro sem solução, ele foi para o hotel, fez as malas e partiu para o aeroporto, disposto a voltar para Belo Horizonte. Quando chegou, foi proibido de embarcar. No dia seguinte, encontrou os representantes do clube, e estava pronto para soltar os cachorros. Antes de abrir a boca, levou um sermão. O emissário do sheik que administrava o time disse:

“Você vai dar murro na mesa lá no Brasil, no seu país. Aqui, você respeita as regras do país árabe, você respeita a nossa religião, você respeita as pessoas. Vocês ficaram com a sola virada!!!”

Como ele foi convidado pelo sheik, só o próprio poderia liberar a saída de Maluf. Por causa do encontro infeliz, o dirigente com quem ele discutiu deu um jeito de vetar a liberação.

Maluf teve que explicar que os brasileiros têm essa forma passional de fazer negócios e jurar que não tinha ideia de que sola de sapato virada para cima era considerada ofensa.

A Revista Turismo fez uma matéria muito boa explicando sinais com significados diferentes em muitas partes do mundo. O site Mais Curiosidade também escreveu sobre o tema.

Tempos depois, lendo um livro, Maluf entendeu que essa maneira lenta de fechar acordos faz parte da cultura árabe. O livro dizia que se um sheik tiver que decidir alguma coisa no fim do mês, pode até ter a definição no dia 15, mas só vai comunicar o que resolveu no final do prazo, lá pelo dia 30 e, mesmo assim, pouco antes da meia noite.

Depois de acalmar os ânimos dos árabes, o diretor fechou negócio e pode, finalmente, voltar para o Brasil, mas a novela não acabou por aí.

Maluf conta que viveu várias situações inusitadas enquanto Wagner estava lá.

Eduardo Maluf no treino na Cidade do Galo Blog Vem Por Aqui

Nos 10 primeiros dias em que ficou no país, o dirigente sempre era convidado para tomar chá com o sheik e os irmãos dele numa tenda com ar condicionado. O grupo não era pequeno, já que o pai do sheik tinha cinco mulheres e quatro filhos com cada. Depois de conversar e tomar chá, eles jantavam.

Maluf garante que não tem frescura com comida, só que numa ocasião quase passou mal quando eles tentavam agradá-lo.

Um dia, quando nós acabamos de comer, ficou a cabeça do carneiro assado. Ele falou em árabe com um funcionário dele que estava de frente pra mim. O funcionário pegou a cabeça, pôs a cabeça no prato e eu pensei: ‘esse cara vai abrir pra eu comer’. Quando ele abriu, você lembra daquela nhá benta? Era o cérebro do carneiro, cozido, tava igual a uma nhá benta. Pensei: ‘Eu vou passar mal’ ”

Enquanto estava bolando uma desculpa para evitar a iguaria, o sheik chamou o advogado, que fazia as vezes de tradutor, e pediu que ele falasse para Maluf:

“A pessoa mais honrosa da mesa é você e nós estamos te dedicando comer o cérebro do carneiro.”

Pra não parecer desrespeitoso, ele pensou rápido e disse que, apesar de respeitar muito os costumes muçulmanos, na religião dele era pecado comer demais e ele estava empanturrado, portanto, ia ter que deixar o cérebro para outro dia.

Quando o cara partiu pra comer, eu quase vomitei na mesa, só de olhar.”

Passado o susto, ele começou a entender outra particularidade da cultura do país. Muitos sheiks eram pessoas pobres que, de alguma forma, ficaram muito ricas. Por isso, alguns ainda mantêm os hábitos de antes da fortuna.

Aos poucos, Maluf foi percebendo que o administrador do clube, por exemplo, nunca descia para jantar nos restaurantes dos hotéis ou em outros lugares caros. Apesar de adorar comer, ele preferia fazer as refeições na própria suíte, onde comia com a mão.

Mesmo tendo negociado jogadores por toda Europa e na Ásia, só no Oriente Médio Maluf viu a riqueza de uma forma tão abundante. Uma vez, viajou no avião do tal sheik que tinha três suítes com cama de casal, banheiro, sala de reunião e sala de jantar.

Apesar de não fumarem, nem tomarem bebidas alcoólicas no país de origem, quando levantavam voo todos bebiam champanhe e fumavam charuto. O sheik ainda levou o dirigente a um hotel que tinha num balneário no Egito, Sharma el-Sheikh, que era o point de milionários, até virar alvo de terroristas. No tal hotel, incrustado numa pedra, o chão era de vidro e dava para ver o mar.

Numa das vezes em que saíram, foram a um cassino, devidamente esvaziado para receber o sheik. Ele começou apostando US$ 10 mil, que perdeu logo de cara, mas pediu um cartão ilimitado a um dos empregados e acabou deixando US$ 120 mil na mesa.

A algazarra em torno de execuções públicas foi outro hábito árabe que impressionou Maluf.

Numa ocasião, ele estava tomando café da manhã no hotel e as TVs de plasma mostravam um homem sendo enforcado no Irã. Pouco depois, ouviu um hóspede contando que haveria o apedrejamento de uma mulher no meio de uma praça e que um traficante de drogas seria degolado dias depois.

Quando o jogador dá trabalho

Não foi só com hábitos exóticos e com mal entendidos que Maluf teve que lidar na Arábia. A permanência de Wagner no país também foi um desafio para o dirigente.

Pra começar, o jogador tinha uma namorada e queria que ela fosse morar com ele. Como as leis locais não permitiam que um casal vivesse junto antes do casamento, o clube fez vista grossa para a situação, mas o favor logo foi cobrado.

Depois de um mês jogando na Arábia, o atleta disse que não se adaptou e queria voltar para o Brasil de qualquer jeito. Isso, apesar do sheik ter oferecido todos os mimos possíveis.

Além de pagar a primeira parcela do acordo em dinheiro (um milhão de euros numa maleta), ele ofereceu ao meia o carro que ele quisesse e mandou entregar a BMW escolhida.

Além de um apartamento muito confortável na cidade, Wagner também podia usar um imóvel na praia durante as folgas. Como o sheik era dono de uma joalheria, mandou que ele e a namorada fossem até lá para escolher um presente. Mesmo quando o rapaz optou por um relógio caríssimo, o dono do clube mandou entregar.

Como o atleta e o time entraram em rota de colisão, a direção confiscou o passaporte dele e fez ameaças. Diziam que iam deportar a namorada e a polícia religiosa chegou a seguir o casal num shopping e bateu na moça com uma vara porque ela não usava lenço para cobrir os cabelos.

Eduardo Maluf no aeroporto Blog Vem Por Aqui

Maluf foi chamado pelas duas partes para intervir e teve que passar um mês por lá para que o rapaz jogasse as três últimas partidas do campeonato. Como eles ganharam a competição, o sheik queria até reintegrá-lo, mas o jogador só desejava sair dali.

A final aconteceu em Riade e Maluf ficou impressionado quando viu o estádio lotado (com cerca de 80 mil pessoas) admirando, num telão, a saída do rei do palácio. Ele veio num comboio de 12 BMWs azuis iguais, passando por ruas vazias, que tinham sido evacuadas pela polícia, e chegou em menos de cinco minutos. Quando apareceu numa espécie de púlpito, o estádio inteiro veio abaixo, ajoelhando e beijando o chão em sua homenagem.

O empate daria o título para o time de Riade. Aos 42 do segundo tempo, Wagner driblou três e fez o passe para o gol. Cada atleta ganhou uma medalha de 60 gramas de ouro pela vitória. O troféu pesava mais de oito quilos de ouro puro.

A satisfação do sheik foi tanta que até hoje ele mantém contato com Maluf.

Sempre me manda mensagem, me convida para ir lá de novo.”

Febre Ronaldinho em La Paz

Em La Paz, na Bolívia, o dirigente atleticano viveu outras situações inusitadas.

Era a febre da era Ronaldinho no Galo e o time foi jogar contra o The Strongest pela Libertadores. A comissão técnica tinha até marcado uma partida amistosa contra o time do presidente Evo Morales, mas, com a morte de Hugo Chávez, na Venezuela, ele teve que cancelar a partida.

Isso não impediu que o Atlético fosse tratado com toda pompa e circunstância.

Ronaldinho na homenagem em La Paz

O time foi homenageado pelo governador de La Paz e Ronaldinho visitou o Palácio e o Senado. Maluf conta que o clima era de total fanatismo, os bolivianos balançavam a van em que o atleta passava.

“Foi um negócio assustador!”

Num treino antes do jogo, havia quatro mil pessoas num campo de grama sintética, sem a menor estrutura, querendo invadir o gramado. Para fugir do assédio, o atleta fingiu que ia correr para cruzar uma bola e voou para dentro do ônibus.

Eduardo Maluf na homenagem ao Atlético em La Paz Blog Vem Por Aqui

Na homenagem ao Atlético em La Paz

No meio da nossa conversa, uma das mais abertas e divertidas que fiz nesses 16 anos de Jornalismo, Maluf pediu para parar por um momento porque tinha que atender o volante Josué, com quem o clube não ia renovar. E me disse logo depois:

“Isso é que é a coisa ruim do futebol, ter que falar (por telefone) que ele não vai ficar, porque eu queria falar pessoalmente, mas eu não posso esperar porque o cara tem que se programar, tem a escola dos filhos…”.

Os sacrifícios da carreira

Não é só isso que é difícil para quem vive viajando pelo futebol. Maluf acrescenta:

Sabe uma coisa impressionante? A saudade que a gente tem do país da gente.”

Ele diz que, quando passa muito tempo longe com algum colega, nas negociações pelo clube, é normal que, em algum momento, eles comecem a discutir por causa do estresse causado pela saudade.

A rotina em torno do calendário futebolístico também faz com que eles percam acontecimentos familiares.

A minha filha está com 15 anos, quando ela nasceu, eu estava em Moscou. [...] Foi numa época que nevou muito e que os voos foram suspensos por quatro dias. A passagem marcada e não tem jeito de você sair do país. Quando ela fez um ano eu estava fora. Quando ela fez dois anos, eu fora. Porque ela é de uma época que é época de transferência de jogador. [...] No terceiro ano, a minha mulher falou: ‘olha, eu juro por Deus, se você não estiver aqui no aniversário dela, nós vamos separar.’”

Talvez até por essa culpa pelo excesso de trabalho, ou só mesmo por ser um pai apaixonado, ele fala com muito orgulho das crias.

“Eu tenho uma filha mais velha, linda. Daniela tem 28 e o menino tem 24 anos.”

O de 24 é o rapper Thiago SKP, que costuma abrir os shows de Gabriel Pensador e que, segundo o pai orgulhoso, compõe as próprias músicas. Esse é o clipe de uma delas:

Como casou novamente, Maluf não parou nessa dupla.

“E aí tem Maria Eduarda, de 15, e o João Vitor de 8.”

Do filho mais novo vem as melhores anedotas.

Ele diz que o menino sempre opina sobre o time e se mete até a dar conselhos para os técnicos.

Uma vez, quando esperavam atendimento médico, o time tinha perdido para o Corinthians e ele comentou:

“Pai, o Levir mexeu mal ontem.”

Um atleticano que estava perto reconheceu Maluf e disse:

“Nossa, que gracinha o seu netinho.”

João Victor saiu morrendo de rir, para contar para a mãe. Quando voltou, o homem percebeu o engano:

“João Vitor, queria te pedir desculpas, é seu pai?”

O menino, malandramente, retrucou:

“Não, é meu avô, é o avô que eu mais gosto.”

E, dessa vez, ficou sério, pra sustentar a mentira.

Num outro dia, recebeu uma ligação do filho perguntando onde iam assistir ao jogo da noite. Ele respondeu que assistiriam em casa e o menino perguntou:

“Mas lá na churrasqueira?”

Maluf não entendeu e disse apenas:

“Por que, filho, tá frio?”

E ele, empolgado:

“Não, porque eu já pedi pra descongelar quatro picanhas de carneiro e já pedi ao Roni (rapaz que trabalha na casa deles) pra acender a churrasqueira.”

Além da família e do futebol, outra paixão do dirigente é o vinho. Ele diz que tem uma adega com mais de 400 garrafas em casa. Em toda viagem acrescenta alguns à coleção.

Tem pessoas que viajam e gostam de pontos turísticos, de museu... Eu gosto de, em qualquer país que eu vou, com futebol ou não, restaurante e vinho. Então, todos os países que eu fui [...] eu procurei o restaurante típico [...] e os vinhos, que é um hobby que eu tenho.”

Luxo que ele se dá depois de se consagrar profissionalmente e ser reconhecido.

“Hoje eu sou respeitado, sou bem remunerado e tudo, mas é uma parte da sua vida que você dedica pra isso.”

Tanto que viajar, agora, tem outro sentido.

Hoje, viajar com família, com lazer, é uma coisa que eu gosto, mas quando tem uma viagem internacional pra ir, eu vou porque ela faz parte do meu ofício. No início, ah!, era um sonho! Aí você viaja, classe executiva, grandes hotéis... É tudo muito fora da realidade da nossa vida no dia a dia. Aí me encantava, hoje [...] vou pela função, pelo prazer, não.”

Maluf está com mais tempo disponível para Daniela, Thiago, Maria Eduarda, João Vitor e a esposa, Elaine. No momento, ele teve que dar uma parada no trabalho para cuidar da própria saúde, mas a falta que faz para os atleticanos foi tema até de um post de Eduardo de Ávila no blog Canto do Galo, do portal UAI.

Não podia ser diferente, com seu jeito direto e aberto é uma das figuras raras no futebol.

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Comentários

  1. Márcia disse:

    Esse Eduardo Maluf é uma pessoa incrível, humano, profissional e bem humorado!!

  2. Renato Parizzi disse:

    Bela homenagem e bela entrevista!

    1. Érika Gimenes disse:

      Obrigada!

  3. marcelo araujo disse:

    Muito bom esse post! parabéns!! agora fica na lembrança. Maluf era meu conterrâneo, de Monlevade. gente muito boa! A família toda! RIP, MALUF!

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