Foto: Marsha Miller
BeabáAmérica
11/07/2016 | 2 comentários

Estudar na Universidade do Texas

Calebe Asafe Bezerra tem toda a pinta de menino prodígio e o perfil dos novos empreendedores digitais do nosso tempo. É sócio de uma agência de design gráfico e digital, que também cria estratégias de presença online; tem um blog de gastronomia muito acessado; é um dos idealizadores de uma plataforma de editais de projetos sociais e é diretor da Associação Brasileira das Empresas de Design (Abedesign) em Minas Gerais.

Digo tem pinta, e não é, porque, apesar da cara de garoto, ele passou há pouco dos 30, mas essas histórias todas começaram lá atrás, quando, aos 14 anos, já mexia com programação de computadores e ficou dois meses na casa de uma tia, no Estados Unidos. Depois, na faixa dos 20, estudou na Universidade do Texas.

É sobre essa última experiência que ele conta pra gente no Beabá, dando o caminho das pedras para quem também quer ter uma oportunidade numa universidade americana.

Calebe é formado em Design Gráfico pela UEMG e em Publicidade pela UFMG. Foi na universidade federal que ele encontrou a porta para um dos maiores centros de inovação do mundo. O publicitário passou num dos programas de intercâmbio da UFMG e conseguiu vaga numa especialização em Criatividade da Universidade do Texas, em Austin, cursando, ao mesmo tempo, quatro matérias da pós e da graduação, em aulas de altíssimo nível.

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Universidade do Texas

Ele já falava inglês desde o colégio, não só porque estudou numa escola integral que ensinava a língua a partir da primeira série, como porque diz que é meio nerd e, além de querer entender os termos da área de computação, ouvia músicas e ia aprendendo as letras.

Calebe quando criança

O Calebe-menino, que treinava inglês com computação e músicas

Além da proficiência no idioma, a UFMG exige que o interessado nesse tipo de intercâmbio tenha concluído mais da metade do curso e faz uma análise das notas dos candidatos, que tem que apresentar ainda cartas de recomendação dos professores, carta de intenção (explicando o interesse no intercâmbio), histórico escolar e, em alguns casos, currículo com portfólio.

Os futuros intercambistas também passam por uma entrevista (em inglês e português), onde devem explicar seus objetivos e apresentar as justificativas para merecer a vaga.

É preciso cursar a carga horária mínima exigida e, na volta, o estudante tem que apresentar documento oficial com as notas que recebeu no curso e um resumo das atividades concluídas. As despesas de matrícula e mensalidade na universidade que acolhe o aluno são isentas, mas cabe a ele arcar com passagem, hospedagem e seguro saúde.

Fachada da Taos College House Blog Vem Por Aqui

Calebe morava numa college house, uma casa que funciona em sistema de cooperativa e tinha cinco andares para 120 pessoas. Esse tipo de residência, normalmente, tem alguma ligação com as universidades, mas não são dormitórios administrados pelas instituições. O publicitário conta que os dorms da própria universidade eram bem mais caros, custavam o dobro do preço que ele pagava para morar na coop.

Os quartos podiam ser individuais ou divididos e todo mundo tem que trabalhar quatro horas por semana em alguma tarefa da casa. Foi lá que ele começou a cozinhar e diz que aprendeu muito sobre processos e preparação porque, como fazia comida para muita gente, essa organização era fundamental. Calebe começou como assistente de cozinha e ficou na função por três meses até passar a chef. O sistema era tão complexo que além do chef e do assistente, eles tinham uma pessoa só para planejar o menu, outra para fazer a inspeção da cozinha, alguém só para fazer as compras…tudo como num restaurante.

A casa tinha um presidente eleito e a única função que não era executada pelos próprios membros da residência eram as faxinas pesadas, mas desde a entrega de cartas a manutenção do jardim, todo o resto era feito pelos moradores.

O nome da residência em que ele morou era Taos. Para um aluno se candidatar a uma vaga, tem que comprovar que está matriculado em algum curso da universidade e preencher o formulário no site. As refeições podem ser todas incluídas. Na época em que Calebe morou na Taos, pagava US$ 550 por mês. Hoje a modalidade mais barata sai a US$ 547 (sem refeições) e a mais cara pode chegar a US$ 888 (no quarto individual e com todas as refeições). É possível consultar os pacotes no site.

Muita gente pode não associar o Texas a inovação e criatividade, mas Calebe diz que essa visão está muito ligada aos estereótipos que envolvem o estado. Economia sustentada pelo petróleo, paixão pelo estilo de vida country, pelos carros grandes…

Ninguém tem carro pequeno...n-i-n-g-u-é-m tem carro pequeno! Só tem truck. É impressionante! [...] Se você viajar por dentro do Texas mesmo, é um negócio totalmente diferente do que as pessoas acham.."

Tanto é que Austin é sede de um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, o South by Southwest (SXSW).

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A cidade é a capital administrativa do Texas, embora seja menor que Houston, Dallas e San Antonio e tem um lema que demonstra bem esse caráter outsider. “Keep Austin Weird”  ou Mantenha Austin Esquisita, em bom português.

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Pecan Street Festival

Para Calebe, Austin é meio hippie e diferente do resto dos Estados Unidos. Sempre há festivais, barraquinhas de cerveja artesanal e de outros produtos pela rua e um dos programas preferidos dos estudantes é descer o rio de barco, bebendo cerveja.

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O Viaje na Viagem tem uma boa matéria sobre os clubes da cidade. Já o Rodando pelo Mundo traz o relato de uma brasileira que mora lá.

Em relação à aceitação aos estrangeiros, Calebe conta que a Austin é bem aberta e que na casa em que morou havia gente de várias nacionalidades. Ele aproveitou para diversificar as amizades e aconselha a quem passa por essa experiência a buscar o diferente para ter mais ganho cultural.

Não fica amigo de brasileiro, some de brasileiro! [...] Então, o meu grupo lá, era mais ou menos um grupo de 12 pessoas que ainda são amigas [...] um de cada país da Europa.”

A única rejeição que o publicitário enfrentou foi numa festa de fraternidade, onde ele e alguns amigos foram expulsos, mas isso ele atribui mais a cultura adolescente dessas fraternidades que a algum tipo de xenofobia.

O fato de morar com americanos e ter amigos multiculturais ajudou a desenvolver ainda mais o inglês, que, para Calebe, era suficiente para passar na entrevista, mas ainda estava muito cru para enfrentar as aulas.

Pergunto o que ele achou mais complicado quando mudou para o Texas e ele não consegue eleger…

Nossa, Érika, se eu te falar que não teve nada difícil...Foi bom demais. Eu fiz amigo pra caramba.”

Sempre que tinha oportunidade, ele aproveitava para conhecer alguma parte do país. Passou o réveillon em Nova Iorque, o Mardi Gras em Nova Orleans, a spring break em São Francisco, foi para Houston, Dallas, Filadélfia, Lake Tahoe, Las Vegas e ainda ficou uma semana em Los Angeles. No fim do curso, aproveitou os contatos que fez para viver um mochilão na Europa, onde ficou na casa de vários amigos.

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Aproveitando o mochilão pós-curso, na Europa

Antes de entrar de cabeça nesse mochilão, Calebe ainda tentou um estágio nos Estados Unidos. Foi para Nova Iorque na cara e na coragem, batendo na porta de agências que achava interessantes. Fez uma entrevista na Droga5, mas o CCO da empresa ajudou-o a entender que ele precisava de mais material. Ted Royer gostou das peças que Calebe apresentou (uma ganhou até um prêmio universitário), mas ajudou o publicitário a ver que muito do seu portfólio brasileiro estava carregado de características regionais, que impediam a compreensão e a identificação com o material pelos americanos.

Depois de duas semanas em NY, quando já estava se preparando para ir para a Europa, recebeu uma ligação de uma agência de Austin, a LatinWorks, chamando para uma entrevista, mas decidiu não voltar e seguir para o mochilão. Depois do fim dessa experiência, retornou ao Brasil e montou o próprio negócio.

Quando eu voltei, teve uma frase que eu usei pra retomar meus clientes aqui que é: ‘quando volta, você volta para outro lugar, você não volta para o mesmo lugar de onde você saiu.’ Eu acho isso superinspirador, sabe? Porque viagem, quando você volta de uma viagem, você volta para um lugar novo que você tem que construir.”

E a reconstrução de Calebe vai de vento em popa…

Lugares de Austin

Com o orçamento limitado de universitário, Calebe não conheceu os lugares mais chiques de Austin, mesmo assim, saia bastante e tem vários bares e lanchonetes de estimação.

The Drag, Austin Blog Vem Por Aqui

Para quem quer diversidade na noite, ele recomenda um passeio pela The Drag, avenida que divide a cidade e tem vários bares. O publicitário diz que Austin é a capital mundial da música ao vivo, todo bar tem alguma atração, a maioria num estilo meio indie, não é à toa que Janes Joplin começou por lá.

Cain & Abel´s Blog Vem Por Aqui

Na Drag há várias opções baratinhas e as noites de dollar beer no  Cain and Abel´s ficaram marcadas na memória do estudante. Ele aproveita pra lembrar que a famosa dollar beer na verdade vale US$ 2 porque a regra é deixar um de gorjeta para o barman ou desistir de ser atendido…

6th Street, Austin Blog Vem Por Aqui

Outra área que bomba em Austin é 6th Street, rua onde estão as boates, no centro. Na maioria é possível entrar de graça, já as mais arrumadinhas fazem seleção do público e exigem sapato para os homens (alerta importante para a nossa galera que vai a todo lugar de tênis).

Dirty Martins Blog Vem Por Aqui

Quem quer uma comida meio podrão, meio fim de noite não pode perder o Dirty Martin´s e o Kerbey Lane Cafe. Para ele o Dirty tem o melhor hambúrguer da cidade, a batata era frita na banha de porco. Já o Kerbey ficava pertinho da casa de Calebe. A lanchonete abre 24 horas e o prato que ele recomenda é o Kerbey Queso, monte de nachos acompanhados com uma guacamole coberta de queijo e pico de galo.

Kerbey Queso Blog Vem Por Aqui

Para um passeio ao ar livre, ele indica uma ida ao Mount Bonnell, com um mirante muito bonito de onde dá pra admirar toda cidade.

Mount Bonnell Blog Vem Por Aqui

O Aprendiz de Viajante tem outras ótimas dicas da cidade americana.

Já Seth Kugel, do Amigo Gringo, fez uma matéria muito bacana, replicada no Viagem UOL, sobre o que fazer num fim de semana em Austin com US$ 100 para gastar.

Na prática:

Visto:

  •  O Estados Unidos podem ser um dos países mais burocráticos para concessão de vistos, mas têm tipos específicos para cada necessidade e fornecem o máximo de informações possível. A própria universidade deve te orientar sobre qual é necessário para o modelo do seu intercâmbio e vai te fornecer documentos fundamentais para a solicitação. Nessa página você encontra mais detalhes sobre a concessão de visto para estudantes e intercambistas e, se tiver dúvidas, pode procurar um dos Centros de Atendimento aos Solicitantes de Visto.

Exigências gerais para programas de intercâmbio da UFMG:

  •  Análise de notas
  • Que o aluno já tenha concluído 50% do curso na época da candidatura
  • Cartas de recomendação de professores
  • Carta de intenção (explicando o interesse no intercâmbio)
  • Histórico escolar
  • Currículo com portfólio (em alguns casos)
  • Prova de proficiência em inglês
  • Entrevista em português e inglês

Custos

  •  Passagem de avião: Belo Horizonte – Austin (ida e volta) – média de R$ 3.000
  •  Universidade: Para intercambistas – gratuito
  • Seguro saúde: Com validade de seis meses – pode variar de R$ 792 a R$ 4.400 dependendo da cobertura e da seguradora
  • Hospedagem: Quarto em residência estudantil – de US$ 550 (sem refeições em quarto compartilhado) a US$ 888 (com refeições em quarto individual) por mês + depósito de garantia de USS 300 e US$ 52 de taxa de associação – para saber mais clique aqui

Se você quer ver como é estudar em universidades de Barcelona ou da Alemanha, é só entrar nos links abaixo. E pra saber mais sobre os trabalhos do Calebe clique aqui, aqui e aqui.

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Comentários

  1. Delfina Jorge disse:

    Eu gostaria de xtudar aqui sou angola e gostaria também de aprender novos idiomas e ver como as outras cultura são.

    1. Érika Gimenes disse:

      Que legal ter você por aqui, Delfina! Tomara que você alcance todos os seus sonhos. Boa sorte!

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