Foto: Sana Gimenes
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17/01/2017 | Nenhum comentário

Experiência transcendental em Machu Picchu e golpes na Europa

Já que começamos a semana falando sobre Machu Picchu, vamos seguir com relatos sobre um dos pontos turísticos mais procurados da América Latina. E a história de hoje mostra como as experiências num mesmo destino podem ser variadas. Entrevistei as irmãs Evanízia e Elizabete Maia em situações diferentes. Uma indicou Águas Calientes como um ótimo ponto de parada para quem vai visitar a cidade sagrada, mas também falou que os sufocos que viveu na trilha inca foram seus momentos mais difíceis viajando. Já a outra, lembra da ida para Machu Picchu como sua melhor viagem. Situação desagradável, ela passou na Europa.

Na Melhor

Como é uma estudiosa do corpo humano e dos exercícios, Elizabete Maia adora caminhar e estar em meio à natureza. Ela é fascinada por cordilheiras e lagos, por isso, não teve muita dificuldade em encarar os quatro dias da trilha inca.

Escadaria de pedra com grama de Machu Picchu com montanha ao fundo Blog Vem Por Aqui

Foi na subida para Machu Picchu que Bete viveu um dos momentos mais emocionantes.

A primeira viagem que me deu um baque, que eu falei assim: ‘Meu Deus, o que é isso!’, foi Machu Picchu.”

Ela escolheu uma agência bastante cuidadosa ao programar o passeio. O guia local era professor de uma faculdade e fez a aclimatação do grupo contando a história do povo inca e seus rituais.

A gente entrava dentro de uma gruta e ele explicava como eram os nascimentos, a ligação com a terra, que representava o acolhimento, a fertilidade. Começamos a entender e respeitar mais aquela cultura, porque havia uma significado muito importante em cada ritual deles.”

Tanto o guia local quanto o agente de turismo responsável pela excursão deixaram claro para o grupo que eles não estavam ali para fazer trekking e explicaram que, nos tempos antigos, a caminhada para Machu Picchu era privilégio dos sacerdotes, pessoas especiais que passavam por tantos processos no trajeto que chegavam transformadas. Ela diz que esse preparo foi fundamental para que a experiência tivesse sentido.
Degraus de uma das escadarias de Machu Picchu com turistas na parte de baixo e montanhas sob céu azul com nuvens acima Blog Vem Por Aqui

Os acampamentos ao longo do caminho pareciam uma Babel, com gente de várias nacionalidades e línguas, mas muitos não compreendiam a importância da trilha e seguiam quase correndo pela trilha. Alguns grupos até abandonavam os integrantes que passavam mal ou se atrasavam. O dela fazia o caminho inverso, recolhia os perdidos.

Vista do alto de uma passagem estreita no meio de uma floresta com uma pessoa descendo Blog Vem Por Aqui

Os quatro dias de caminhada foram uma metamorfose para Bete. No primeiro, todos falavam sem parar e conversavam sobre tudo. No segundo, andaram o dia inteiro e o grupo ficou em silêncio para aguentar a subida.

Trabalhamos limite, respiração, paciência. [...] Trabalhamos o físico exaustivamente.”

No terceiro dia, diminuíram o ritmo da caminhada porque muitos precisavam de apoio. Já no quarto dia, aprenderam a contemplar a natureza e a vida.

Quando chegamos a Machu Picchu havia um sentido diferente do nosso grupo e dos grupos que fizeram só turismo.”

A agência contratada pela Bete é especialista em ecoturismo sustentável e responsável. O Andarilho da Luz têm essa proposta mais lúdica nos passeios.

Pessoas esperando em fila para entrar em Machu Picchu Blog Vem Por Aqui

Quem não quiser sair com tudo programado do Brasil pode escolher uma agência em Cusco, há opções para todos os estilos, só é preciso pesquisar para não cair em nenhuma cilada. O governo peruano emite alertas frequentes sobre pessoas inescrupulosas que enganam turistas com passeios inexistentes, taxas extras ou rotas alternativas.

Uma das entradas para Machu Picchu em madeira com porta estreita e pessoas passando Blog Vem Por Aqui

Se você não está procurando uma experiência transcendental, poupe o cansaço com a trilha. Vá de trem para Águas Calientes e, de lá, a pé ou de ônibus para o sítio arqueológico. Não se esqueça de comprar antes as entradas. O acesso só para Machu Picchu custa cerca de R$ 145. O Viagem e Turismo, da editora Abril, tem boas dicas sobre a cidade sagrada.

Na Pior

Todo mundo conhece a história de algum brasileiro dixxxxxxcolado que depois de anos driblando os índices de violência tupiniquins perdeu para os batedores de carteira da Europa. Sabe como é, né? A gente acha que está no Primeiro Mundo, que não precisa de nenhum cuidado e vacila fazendo coisas que não faria por aqui. Ou pior, estamos tão acostumados com uma violência escancarada que qualquer golpe mais sutil dá resultado.

A Bete não passou nenhuma dificuldade porque estava em grupo e foi bem avisada, mas ficou com o coração apertado pelos turistas que ela viu serem enganados em dois pontos da Itália.

Bete de costas, passeando pelas ruas estreitas de uma cidade italiana Blog em Por Aqui

O guia da excursão em que ela estava já havia avisado para eles ficarem atentos na praça principal de Milão. E não deu outra. Quando olharam para o lado assistiram exatamente a cena que ele descreveu. Você fica encantado com os pombos, alguém aparece colocando milho na sua mão para que você alimente os pássaros e, minutos depois, já estão te extorquindo ou te seguindo, querendo dinheiro em troca do milho.

Na Toscana foi pior. Uma mulher usava um braço falso com um suposto bebê para pedir dinheiro e, por baixo desse braço, roubava turistas.

Bete disse que ficou surpresa na última viagem ao perceber como essas situações estão mais frequentes em toda a Europa e como já perdeu um pouco da sensação de segurança que tinha andando por cidades grandes como Paris.

Eu e meu marido quase fomos pegos num desses golpes quando estávamos recém-chegados em Barcelona, lembra?

A minha guru da Espanha, Adriana Setti, tem 15 anos de praia e também dançou algumas vezes deixando a bolsa em cadeiras. Ela escreveu um post cheio de dicas para que você não seja a próxima vítima. O 360° Meridianos deu o alerta aqui.

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