Adrian Ramos / Pixabay
Na minhaAmérica
19/09/2019 | Nenhum comentário

Passeios pela Cidade do México

Sempre senti atração e repulsa pelo México. Frida, as cores, a animação do povo, as praias e a comida me atraiam; a violência e a falta completa de controle do poder público em algumas partes do país eram as fontes de repulsa.

Em 2016, finalmente apareceu uma oportunidade para ver um pouco disso tudo de perto. Um dos melhores amigos do Mateus estava morando em DF (Distrito Federal, como muitos locais chamam a Cidade do México) e aproveitamos para ir até lá com outro casal de amigos.

Érika no fim de uma faixa de pedestres numa rua em frente ao Zócalo com uma bandeira do México ao fundo

A ideia era aproveitar para também passar por uma praia, mas um feriado quase afundou nossos planos. As passagens estavam caríssimas e fomos deixando Cancún, Tulum e outras maravilhas para trás, para optar pela mais próxima (e mais barata), Puerto Vallarta.

Conseguimos passagens de BH para Cidade do México com escalas no Panamá por pouco mais de R$ 1.700 por pessoa (ida e volta) pela Copa Airlines. Valeria (e muito) a pena fazer um stopover (aquela paradinha de algumas horas ou até dias) na Cidade do Panamá, mas a gênia já contou aqui que viajou com um passaporte com menos de seis meses de validade…

Passado o perrengue do passaporte, desembarquei feliz numa das maiores cidades do mundo. E é engraçado ver como o mundo mudou desde meus tempos de criança…Ainda na escola, aprendi que a Cidade do México, juntamente com São Paulo, fazia parte do rol das cinco mais populosas. Pois, hoje, resolvi pesquisar e constatei que a capital mexicana ocupa apenas a 21ª. posição na lista atual.

Catedral da Cidade do México no meio do centro histórico

Catedral no Zócalo

A primeira impressão é mesmo de uma metrópole caótica e eu sabia que era muito importante entender onde estava. Nas minhas pesquisas, descobri que os bairros mais tranquilos para se hospedar são Roma, Condesa, a Zona Rosa e Polanco. Para minha sorte, nosso amigo morava no último, considerado o mais elitizado e, consequentemente, mais seguro.

Quem vem de países pouco desenvolvidos sabe que o policiamento é impecável nas áreas onde o dinheiro está. Me surpreendeu ver que, por lá, a coisa é tão gritante que policiais armados com fuzis fazem a escolta de prédios de ricos e famosos, como do filho do bilionário Carlos Slim. Pois é, justo aqueles que podem pagar por uma segurança privada, recebem, de graça, atenção extra das forças de segurança.

Se você quer opções de hotel na cidade, confira esse post do pessoal do 360 Meridianos.

Visão Geral

Ao todo, foram 13 dias de viagem, sendo o primeiro e último só de ida e volta. Ainda tiramos quatro, dos outros 11, para curtir Puerto Vallarta.

Ou seja, tivemos cerca de uma semana para desvendar DF. Começamos pelo Zócalo. Nunca vou me esquecer da cena maravilhosa de 007 contra Spectre, recriando o Dia de Los Muertos, no centro histórico da cidade.

E esse centro me surpreendeu por ser muito mais limpo e organizado do que vemos em boa parte das capitais brasileiras.

Adorei a catedral, o Palácio de Belas Artes e a praça em frente, cheia de mármore e monumentos grandiosos.

Museu de Belas Artes com prédio em mármore branco e cúpula amarela

Para otimizar o segundo dia, optamos pelo Turibus, um daqueles ônibus de dois andares que fazem rotas turísticas pela cidade. Tem quem implique, eu acho uma ótima solução para se ter uma visão geral.

Pegamos a Rota Amarela num shopping chique de Polanco, o Antara Mall. Na época, o bilhete custava MXN 140, hoje, são MXN 159,90, mas os passageiros podem circular o dia inteiro por qualquer uma das quatro rotas feitas pelo ônibus. Os veículos têm audioguia em português e prometem wi-fi, que não funcionou em nenhum dos que pegamos.

Andrêsa, Mateus, Érika e Luiz no segundo andar do ônibus

Com o Turibus, passamos pelo Hipódromo e pela Granja de Las Américas (um espaço cheio de animais, ótimo para crianças) e chegamos ao ponto mais desejado, o Castelo de Chapultepec, com seu bosque e o Museu de Antropologia ao lado.

Estátua em frente ao castelo

Na volta para casa, ainda passamos a pé pelo Aquário e pelo Museu Soumaya. O prédio construído por Carlos Slim em homenagem a esposa falecida, tem uma arquitetura bastante contemporânea e mais de 60 mil peças e a entrada é gratuita.

Prédio novo do museu em estilo moderno com pastilhas de aço

Frida Kahlo

A figura mais icônica do México está por toda parte, Frida Khalo estampa cadernos, canecas, roupas, quadros…mas o ápice da reverência é a fila na porta de sua antiga casa. A La Casa Azul, ou Museu Frida Kahlo, é o ponto alto para os fãs da artista de sobrancelhas marcantes.

Parede azul do museu com uma moldura grande tipo de janela, onde está escrito que Frida e Diego viveram lá de 1929 a 1954 e pessoas posando em frente

Não me programei muito bem para ir até lá, o local fica em Coyoacán, bairro um pouco afastado, que também tem um museu em homenagem a Diego Rivera e um mercado. Devia ter aproveitado uma rota do Turibus, mas resolvi ir num dia diferente e, em pleno sábado de Semana Santa, tinha que pegar o metrô e depois um ônibus para chegar. Como o ônibus não passava nunca, acabei fazendo a última parte do trajeto de táxi.

Para coroar minha falta de organização, não comprei entradas pela internet e encarei duas horas e meia de espera na fila, já que a circulação de visitantes é limitada. O preço do ingresso aumentou bastante desde quando estive no museu. Em 2016, o custo era de MXN 140 por pessoa, com mais MXN 20 de permissão para poder tirar fotos. Agora são MXN 250 e MXN 30 da permissão. Durante a semana, sai um pouco mais barato, MXN 230 de entrada. Para amenizar o ‘rombo’, agora é concedida uma cortesia de visita ao museu de Diego.

Jardim do museu com estátuas e plantas

Dei sorte de ver uma exposição temporária com peças que Frida usava para compensar seus problemas físicos e várias de suas roupas mais criativas. Também adorei a lojinha e o café. O táxi da volta, de lá até Polanco, saiu a MXN 97.

Confira aqui como foi a minha experiência no Mercado de Coyoacán.

Passeio Esportivos

Mateus não podia perder um jogo de futebol no Estádio Azteca e eu não ia deixar passar a Lucha Libre. Então, a programação esportiva também estava garantida na viagem.

Amigos de Érika diante do estádio

Confesso que nem me lembro quem estava em campo quando fomos ao estádio. O espetáculo em volta de mim me entretinha tanto quanto a partida no gramado.

Parte interna do estadio com visão do gramado e das arquibancadas

Pagamos MXN 80 de estacionamento e MXN 110 de ingresso. Além dos food trucks da entrada, assistimos a um desfile infinito de comidas e bebidas na arquibancada. De cachorro quente a pizza da Domino’s, sanduíche do Subway, donuts, raspadinhas, biscoitos, sopas, sacolés e cervejas (MXN 80, o copo de 700 ml)… Tinha de tudo por lá.

Montagem com duas mãos segurando copos de cerveja da Corona

E haja limão e pimenta para contentar os paladares mexicanos! Eles colocavam a dupla em tudo e a tolerância de infância aos sabores picantes, não é lenda. Vi um menininho de uns 8 anos acrescentando doses cavalares de um molho pra lá de vermelho numa sopa e comer com uma tranquilidade, que só a prática constante pode dar.

Na Lucha Libre fizemos um esquema mais mambembe. Um ginásio antigo, a Arena México, foi o nosso destino.

Fachada do ginásio com inscrição Arena México no prédio e no letreiro

Pegamos os lugares mais baratos (MXN 90) e usamos o serviço de um ‘acomodador’. Como a casa estava um pouco vazia, o próprio funcionário da arena tratou de nos colocar em lugares melhores, cobrando a módica quantia de MXN 20 de gorjeta. Não me orgulho de ter usado o jeitinho mexicano, mas também não contestei a ideia.

Ringue com lutadores e árbitro

Por lá, deixamos MXN 150 de estacionamento e vimos, novamente, um desfile, ainda que mais modesto, de todo tipo de comida e bebida na arquibancada. A cerveja saiu a MXN 70 e um saco grande e pipoca a MXN 35.

Pirâmide

Outro programa típico que não poderíamos deixar de fora era a ida à pirâmide de Teotihuacan. Como estávamos de carro, a vida ficou mais fácil. Pagamos MXN 65 pesos pela entrada e mais MXN 30 de estacionamento. Entramos pela porta 5 e encaramos mais de uma hora de fila para chegar na parte interna. Nada como viajar num feriado…

Filas para entrar na pirâmide

Sim, o Turibus também tem rotas para lá e quem quiser saber como chegar de ônibus ou táxi, pode acompanhar esse post do Viaje na Viagem.

É um programinha que exige um pouco mais de raça, afinal, lá dentro são degraus e mais degraus debaixo do sol, mas é daquelas coisas únicas na vida. Vale a pena ver de perto esse tipo de obra misteriosa da humanidade.

Érika e Mateus em frente à pirâmide

Xochimilco

Esse eu descobri no querido Achados, em 2012, quando a Adriana Setti desvendou o México e suas belezas, e não queria perder por nada. É uma ode ao kitsch.

Barcos coloridos dentro do lago

Num lago cercado de árvores, barquinhos coloridos levam grupos de turistas, com direito a mariachis tocando e outros barcos vendendo comida ao redor.

Érika apontando para um barco ao longe chamado Érika

A alegria de quem encontrou um barco para chamar de seu…

Depois de uma breve negociação, pagamos MXN 350 para alugar o barquinho por uma hora, com o barqueiro incluído. Enchemos um balde de gelo e cervejas e seguimos felizes pelo canal.

Érika e os amigos dentro do barco com lugares vagos

Também tivemos uma ótima experiência visitando o mercado local, o mais roots de todos em que eu estive e com a melhor comida de rua que provei.

Dica extra

Com a poluição e o tempo extremamente seco da Cidade do México, não deixe de levar soro fisiológico, colírio e hidratante labial. Nem em Brasília senti tanto os efeitos da falta de umidade do ar. Tive até uma conjuntivite alérgica e precisei acionar o seguro viagem oferecido pelo meu cartão de crédito.

Fui muito bem atendida, sem ter que pagar nada, no Hospital Español (indicado pelo plano), a qualidade do atendimento foi bem parecida com a que recebi nos Estados Unidos para um problema semelhante. Ponto para o seguro do Mastercard!

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