Na minha
04/08/2016 | 2 comentários

Meus 10 piores momentos viajando 

Como este é o último dia da #semanadaslistas no Vem Por Aqui e eu não fiz o meu próprio Na Melhor X Na Pior, vou satisfazer a curiosidade de muita gente contando algumas roubadas que eu vivi pelo mundo. Comece a contagem regressiva e acompanhe o #top10 dos meus piores momentos viajando.

 

10 – Nome trocado em Sevilha

Essa é light, mas eu garanto que já aconteceu com muita gente.

Fui a Sevilha numa Semana Santa, quando já fazia cinco meses que morava na Espanha. Amei a cidade e estava felicíssima na companhia do marido e de uma das minhas melhores amigas.

Vista de Sevilha com a Plaza de Toros ao meio Blog Vem Por Aqui

Deixamos as malas no hotel e saímos pra almoçar. Não tive tempo de pesquisar e sentei num restaurante qualquer, que parecia arrumadinho e tinha menu executivo. Mal li o cardápio e uma sugestão de entrada saltou aos olhos: sopa de garbanzo. Eu AMO camarão e se você entende um pouquinho de espanhol, deve estar se perguntando o que é que eles têm a ver com isso… A gênia aqui confundiu gambas com garbanzo e, em vez de uma deliciosa sopa de camarões, teve que engolir uma coisa esquisita de grão de bico…

Não chega a ser um falso-cognato (essa lista aqui tem um monte de cascas de banana), mas pra quem tem que domar uma hiperatividade, é fácil atropelar a leitura e traduzir errado palavras parecidas.

Conselho: Leia os menus com calma e, na dúvida, consulte um guia de bolso ou um aplicativo de tradução.

09 – A irmã perdida

Viajar com pessoas que têm um timing diferente do nosso é a receita perfeita para acabar amizades, iniciar separações ou ter acessos de fúria com aqueles que a gente ama.

Na volta da minha segunda viagem internacional, primeira da minha irmã caçula, passei perto de abandoná-la no aeroporto do Chile. Não fosse a falação que ia ouvir de pai, mãe e todos os outros parentes, tinha largado a menina por lá (te amo, maninha!).

É que, em geral, sou bem organizada e antecipada com a rotina de viagens, naquela época era ainda mais. Conferia toda a documentação em casa, saia com antecedência, checava o portão de embarque mais de uma vez e esperava, tranquila, pela saída do avião…

Dessa vez, segui todos esses passos, mas minha irmã resolveu gastar as moedas que sobraram no freeshop, pouco antes de chamarem nosso voo. Estava calma quando ela saiu, porque sabia que, como o dinheiro era pouco, ia demorar, no máximo, 10 minutos. O tempo foi passando e nada… Estava lendo, distraída, quando começaram a chamar nosso embarque. Entra um, 2, 10, 20 e a Sana não voltava. Eu ali, me fazendo de besta pra dar tempo dela chegar. Chamaram nossos nomes e ainda fingi que não era comigo. Da segunda vez fui lá, me anunciei e expliquei que minha irmã tinha ido ao ‘banheiro’. O funcionário da companhia aérea me deu aquela olhada de quem sabia que eu estava mentindo, me pediu para descrever a minha irmã e disse que, enquanto eu procurasse no ‘banheiro’, ele ia até o freeshop para ver se, por acaso, ela não estava na loja.

Fui andando constrangida para o banheiro, mas de olho no freeshop, até que vi o rapaz abordando a Sana. Soltei os cachorros quando ela chegou, e ainda tive que ouvir que estava fazendo tempestade em copo d´água. Merecia ou não merecia ter ficado?

Sana Gimenes com cara de susto

Nem adianta fazer essa cara, porque você sabe que eu tenho razão 🙂

Conselho: Antes mesmo de sair do país, faça acordos sobre tempo e situações extraordinárias com quem viaja com você e, a cada programa, estabeleça novas metas em comum. Tipo: ‘ nos vemos em X minutos´, ´se a gente se perder, nos encontramos em tal lugar´… Não deixe o seu parceiro sentir que você vai ´cuidar´ dele e que é responsável pelas atividades burocráticas. Cabe a cada um prestar atenção aos horários, à documentação exigida e se responsabilizar pelos prejuízos que aconteçam caso alguma coisa saia errada.

08 – Tráfico internacional de suplementos alimentares, mate e brigadeiros

Nunca fui muito disciplinada e nem sou exemplo quando o assunto é a entrada de alimentos num país. Como já tive muita gente querida morando fora, andei carregando na mala itens que poderiam ter complicado a minha vida. E, como adoro fazer tours em supermercados estrangeiros, também trouxe muita coisa que poderia ter ido direto para o lixo.

Na mesma viagem com a minha irmã para o Chile, fui visitar minha melhor amiga que estava morando lá há um ano. Como o marido dela é um esportista inveterado, nascido no sul do Brasil, a amiga pediu que eu levasse erva-mate e um suplemento alimentar para ele. Coloquei os pedidos numa malinha à parte. Não quis disfarçar nada no meio da roupa porque ia ser ainda mais difícil explicar o que era aquele saco com pó branco e o outro com uma erva verde se parecessem que estavam escondidos. Quando chegamos, demos de cara com um policial e um baita pastor alemão na esteira onde pegaríamos a bagagem. O tal cachorro começou a latir e avançou para a minha mala, pensei: “é agora que vou passar as minhas primeiras horas na cadeia até testarem isso tudo e verem que não é nada.” Só que o policial começou a dar uma leve cantada na minha irmã (impressionante como os chilenos ficavam de cara com uma loura um pouco mais alta!) e acabou deixando a gente ir sem, sequer, abrir a mala…

No começo do ano eu e meu marido fomos visitar outro amigo que morava no México e a esposa dele pediu para eu levar uns brigadeiros de potinho. Como os brigadeiros vinham numa embalagem frágil, coloquei tudo em grossas camadas de plástico-bolha. Quando desembarcamos, vimos que a inspeção era quase regra em todas as bagagens. Abri a minha e tive que rasgar a caixa onde estavam os doces. Fiz uma cara beeem sofrida por ter que rasgar a embalagem, demorei pra tirar uma parte do plástico de um deles e mostrei para a agente explicando que eram potinhos de sobremesa que estava levando de presente para uma amiga. Não disse, e ela não viu, que a sobremesa estava lá dentro… Sendo assim, os brigadeiros da Renata chegaram intactos.

Conselho: Não faça como eu, a não ser que você também seja muito desapegado e não tenha medo de se meter em confusão. Pesquise o que é permitido e proibido levar para cada país. E lembre-se de que líquidos acima de 100 ml não podem estar na mala de mão. O Designer Sensible tem um post legal sobre o assunto.

Infográfico com as regras de alimentos no exterior

Em relação ao que você traz, a boa notícia é que as regras no Brasil estão mais flexíveis e já podemos voltar com alguns quilos de alimentos de origem animal, desde que sejam industrializados e tenham origem e validade comprovados. O Viagem,do Uol, tem um post bem completo para quem quer trazer bebidas alcoólicas.   

07 – Dinheiro em casa

Eis que encontramos uma passagem muito barata para irmos, outra vez, à Argentina. Por precaução, sempre dividimos o nosso dinheiro igualmente entre meu marido e eu. Mas, dessa vez, como ele trocou as notas pouco antes da viagem, insistiu para deixar tudo com ele e disse que dividiria comigo no aeroporto.

Notas de dólar alinhadasResolvemos encontrar minha cunhada num bar, na véspera da viagem. Ficamos mais do que deveríamos, bebemos mais do que deveríamos e chegamos tarde da noite em casa, mesmo sabendo que a gente tinha um voo internacional às 7h no outro dia. Acordamos um pouco em cima da hora, mas ainda em tempo de chegar às 5h no aeroporto. Como a gente passaria poucos dias por lá e o valor do táxi até o aeroporto de Confins é quase o de uma passagem aérea, fizemos as contas e vimos que seria mais vantajoso deixar o carro no estacionamento do aeroporto. Foi a nossa sorte! Descemos, pegamos as malas, e, quando estávamos na fila para o check in, meu marido se deu conta que esqueceu o casaco onde estava TODO o dinheiro. Ele correu para pegar o carro e ir até nossa casa casa. Deu tempo para voltar, mas você já imagina o quanto ele ouviu, né?

Conselho: Se as pessoas que viajam juntas têm um mesmo orçamento, o ideal é dividir o dinheiro antes de saírem de casa, assim, cada um se responsabiliza por uma parte. Também recomendo a cada viajante que não coloque nunca o valor todo num mesmo lugar. Imagine se você perde ou furtam aquela bolsa ou aquela mochila? Nada de botar na mala despachada, já que ela pode extraviar. Sobre o que levar, moeda, cartões de crédito ou pré-pagos, a revista Exame ouviu alguns especialistas sobre o assunto. Vale ler a reportagem. 

06 – A mala de uma vida extraviada

Depois de quase um ano morando em Barcelona, encerramos o nosso curso, aproveitamos um pouco o verão europeu e arrumamos as malas para voltar ao Brasil. Voltamos contra a vontade. A crise econômica na Europa deixou claro para a gente que até subemprego seria difícil de conseguir. Como investimos nosso dinheiro no curso e nos meses que vivemos sem nenhuma renda por lá, achamos melhor retornar antes de ficarmos zerados.

Malas Blog Vem Por Aqui

Malas prontas para serem extraviadas

Entregamos o nosso apartamento na tarde do dia anterior à viagem. Como nosso voo sairia às 6h, deixamos as quatro malas lotadas na casa de um amigo e saímos para nos despedir da cidade. Às três da manhã, virados, fomos para o aeroporto. Despachamos a bagagem e esperamos pacientemente pelo voo, que não saiu… Aguardamos até 12h, no meio de uma sucessão de desculpas, até que a companhia aérea resolveu remanejar apenas os passageiros que iam para São Paulo (???), enquanto nós recebíamos um tíquete para um mirrado ´menu retrazo´ (ou menu do atraso) num restaurante, que já era meia-boca, no aeroporto. Ali eu vi que as coisas iam se complicar… Chegamos a Lisboa e não havia mais voos para o Brasil. Tivemos que avisar a família para cancelar a festa de boas-vindas que estava programada, dormimos em Lisboa e voltamos no dia seguinte, onde desembarcamos sem uma das malas. Justamente aquela que tinha todos os presentes e as principais lembranças que eu trouxe desse período fora.

A mala reapareceu alguns dias depois e foi entregue na minha casa, mas vou te contar que a minha sensação quando desembarquei em Belo Horizonte, sem a minha mala, depois de duas noites mal dormidas e de um dia de embromação numa aeroporto, foi horrível. Minha vontade era de abrir a boca pra chorar, só não fiz isso para poupar a família e os amigos (tão felizes pelo nosso retorno) da desfeita.

Conselho: Essa é a típica situação inevitável. Os problemas causados pelas companhias aéreas estão além do nosso alcance. Uma mala de mão benfeita te ajuda a não sofrer tanto, caso você tenha que passar alguns dias sem itens pessoais e algumas roupas, mas se a bagagem extraviada tiver peças de valor sentimental, nada vai resolver. O que resta ao consumidor é entrar na Justiça exigindo a reparação (material e moral) por parte da empresa. Eu já processei, algumas vezes, companhias que não cumpriram seus contratos. Em todas, recebi compensações pelos danos causados, seja por iniciativa das próprias companhias, em acordos, ou por determinação judicial. Para que você consiga comprovar suas alegações, é preciso ter um comprovante da passagem (que nem precisa ter sido comprada por você) e, se possível, fotos dos painéis de embarque ou outros meios que registrem o atraso. Também é importante anexar comprovantes de outros prejuízos que esse atraso ou cancelamento possa ter causado (notas de alimentação, contas de telefone, declarações sobre o cancelamento de compromissos profissionais, relatórios médicos…). Nenhum valor vai compensar memórias perdidas, mas os processos podem servir de alerta para que as empresas melhorem o serviço e cumpram o Código de Defesa do Consumidor. A Agência Nacional de Aviação Civil mantém uma cartilha no site informando os direitos dos passageiros.

05 – Um cisco no olho

Casei num sábado de abril, numa cidadezinha ao lado de Belo Horizonte (onde moro) e marquei a lua de mel para a segunda-feira seguinte. A família toda chegou na sexta e foi direto para Macacos, enquanto eu me arrumei em BH e segui para lá horas antes do casamento. Domingo foi dia de almoçar com todo mundo, agradecer a presença e curtir um pouco mais a companhia das pessoas queridas. O problema é que uma delas estava com conjuntivite. Embarquei sem sentir nada na segunda. No meio do voo comecei a perceber o olho irritado. Como nunca tinha tido conjuntivite, achei que era algum problema com a lente. Tirei a tal lente, que é descartável, joguei fora, pinguei colírio e, não melhorava…

Cheguei aos Estados Unidos com o olho completamente inchado e sem desculpa nenhuma para estar de óculos escuros às 18h… Fiquei com medo de ser barrada. Vai que eles sacam que é uma doença contagiosa e preferem ‘evitar’ a minha presença…Entrei, mas o incômodo não melhorava. Ainda comprei um colírio por minha conta e soro fisiológico na farmácia, mas tive que recorrer ao atendimento do seguro-saúde no dia seguinte.

Érika na clínica esperando atendimento Blog Vem Por Aqui

Fingindo alegria na espera pelo atendimento…

Usei o seguro oferecido pelo próprio cartão de crédito e não podia ter sido melhor.

Eu liguei para o 0800 informado e me retornaram em minutos passando o nome da clínica mais próxima. Fui até lá, recebi um atendimento imediato, o médico me passou um colírio antibiótico e fui embora sem precisar pagar nada.

Usando o colírio, o olho foi melhorando aos poucos e meu marido ainda conseguiu sair impune dessa empreitada.

Conselho: N-U-N-C-A saia do país sem seguro saúde. Veja se o seu cartão também oferece seguro para o caso de você comprar a passagem com ele. Se não oferecer, se você for passar muito tempo no exterior ou se você vai praticar algum esporte radical, faça os seguros específicos e garanta a sua tranquilidade, mais para frente vou contar outra história onde o seguro foi imprescindível.

04 – Passaporte – quase – vencido

Não sei você, mas eu sempre achei superinjusto um passaporte se tornar praticamente inútil menos de seis meses antes de perder a validade. Como a maior parte dos países que não exigem visto de brasileiros só permitem a nossa permanência por três meses, acho que esse deveria ser o prazo pré-validade. O fato é que a minha opinião e nada é a mesma coisa  para fatores de imigração e a maior parte das nações exigem os tais seis meses.

Como eu disse algumas vezes, lá em cima, sou sistemática com documentos e bem organizada antes das minhas viagens, por isso mesmo, não entendo o branco que me deu quando fui para o México, em fevereiro. Acho que, como eu tinha viajado em outubro e estava tudo ok com meu passaporte, me desliguei. Quando estava na fila de embarque, uma atendente da companhia aérea pediu pra ver os nossos passaportes para nos redirecionar e constatou que o meu ia perder os tais seis meses de validade bem no meio da minha viagem.

Já que eu tinha escala no Panamá, ela me adiantou que não poderia descer na volta. Embarquei com medo de não poder, sequer, entrar no México, afinal, o meu retorno aconteceria depois do tal prazo. Confesso que foi uma das viagens mais tensas da minha vida. Você está indo relaxar, curtir as férias e, de repente, tudo isso pode acabar antes começar… Me xinguei internamente milhões de vezes. Como estava com meu marido e um casal de amigos, implorei para ele seguir viagem caso eu fosse barrada. O resumo é que nada aconteceu e eu ainda resolvi fazer uma experiência na volta. Tentei descer no Panamá, mesmo sabendo que, provavelmente, seria barrada. E fui. Quando chegou nossa vez de passar pela imigração a dona Maria conferiu a data do passaporte, confirmou com a amiga e me informou que, como o meu documento tinha menos de seis meses de validade (cinco meses e 20 dias para ser exata…) eu não poderia sair do aeroporto.

Claro que não faria um teste desses em países muito rígidos como os Estados Unidos, afinal, eu não pude sair do aeroporto na minha escala de 12 horas, mas não fiquei trancada em nenhuma salinha.

Érika e Mateus em Xochimilco Blog Vem Por Aqui

Sorriso de alívio de quem não foi barrada no México…

Conselho: Confira e reconfira todos os seus documentos e sempre cheque as regras para entrada em cada país. Não confie na sua expertise, no jeitinho brasileiro e em nada que não sejam fatos. Se alguns lugares exigem comprovantes de hospedagem, mais fácil que dizer que vai ficar na casa do amigo é ter uma reserva do Booking num hotel qualquer, ainda que depois você faça o cancelamento gratuito ou pague apenas uma diária. Se há exigência de um valor mínimo por dia, leva a quantidade em moeda ou uma parte em dinheiro e o comprovante bancário do limite do seu cartão. Enfim, ande ‘by the book’ quando o assunto for imigração.

 03 – Cara, cadê o meu carro?

Eu, meu marido, meu irmão e minha cunhada grávida alugamos um carro em Barcelona para passear no sul da França. A viagem não poderia ter sido mais agradável. Estradas lindas e bem pavimentadas, cidadezinhas pitorescas, parada em Avignon… Pois bem, chegamos em Cannes por volta de 22h e procuramos um estacionamento perto do apartamento que alugamos. E, imagina que sorte? O GPS indicou um parking público a 200 metros, em volta de uma praça. Paramos o carro junto com vários outros que estavam no local e, com nosso francês inexistente, tentamos ler a placa enorme na saída com as regras de funcionamento.

Estacionamento em Cannes Blog Vem Por Aqui

De noite…

Percebemos que o estacionamento ficava fechado de 04h às 15h, mas, como a gente não ia precisar do carro antes disso, achamos que valia a pena esperar e fomos dormir, relaxados. Qual não foi a nossa surpresa, depois de uma bela noite de sono, quando saímos para dar uma volta e vimos que, onde antes era o estacionamento, só havia gente e barracas. O lugar se transformou numa feira livre e a gente ficou naquele pânico, como se o carro tivesse sido roubado. Ainda procuramos pra ver se ele estava escondido pelo tumulto, mas é claro que não estava.

Feira em Cannes Blog Vem Por Aqui

De dia

No Serviço de Atendimento ao Turista nos disseram que ele, provavelmente, havia sido rebocado e passaram o endereço do depósito. Pegamos um táxi pra não perder tempo procurando o endereço e ficamos plantados por lá porque o horário de almoço dos funcionários públicos mal tinha começado. Quando eles voltaram, pagamos uma multa de € 130 para, finalmente, receber o carro de volta.

Conselho: Na dúvida, não confie na sua tradução precária. Se você não tem um guia, um aplicativo ou uma internet pra buscar no Google Translate, melhor não arriscar. Pagar um estacionamento particular teria poupado a gente do aborrecimento e da multa. Foi o famoso barato que saiu muito caro.

02 – Hotel Furada

Você sai do Brasil quando a moda dos sites de compra coletiva está bombando. Chega na Europa, se inscreve em alguns e fica pra lá de empolgada quando acha um pacote pro Ano Novo em Roma com um precinho daqueles. Verifica as condições do pacote, checa o hotel que está na descrição, mas deixa passar umas letrinhas miúdas que diziam que era o hotel X ou similares… O asterisco é que faz sempre a diferença e você acaba de entrar numa roubada.

Chega ao aeroporto e o transfer esta lá, como combinado. O motorista deixa algumas pessoas em lugares que pareceram bem centrais e você e o seu marido sobram na van, se afastando do centro da cidade. Vocês começam a passar por uma área feia, com ferros-velhos e uns casebres que mal te fazem crer que você está em Roma e é por ali que você vai se hospedar. Um hotel até imponente, mas que já viu dias melhores. Rouge et Noir é o nome do bandido, mas eu te informei só pra você fugir, tá?

Eles podem até ter renovado o ambiente (que antes, além de tudo, parecia decadente e sujo…), mas não é à toa que leva 6,4 no Booking, né? E, ainda que fosse muito bom, a localização não pode ser alterada. A gente tinha que pegar um ônibus e um metrô pra chegar até o centro e o ponto do ônibus era no meio de uma estradinha mal iluminada.

Quer fechar com chave de ouro? Eles ainda fizeram um ‘café da manhã dos pobres’ para quem comprou a tal promoção e a gente ficava assistindo a fartura do café normal enquanto recebíamos uma ração contada.

Conselho: Quando comprar qualquer pacote, leia atentamente as letras miúdas e o pé da página. Se tiver dúvidas, não contrate o serviço. Desconfie também de preços muito fora de mercado. Meu cunhado caiu numa roubada parecida porque comprou um pacote num site de compra coletiva que nunca conseguiu usar porque havia uma série de restrições para marcar a data da viagem e vários dos hotéis foram substituídos pelos tais ´similares´ que eram bem piores que os originais.

01 – Terror na neve

Pouco depois do início do inverno na Europa, Mateus começou a ter uma reação alérgica que a gente não sabia pelo que estava sendo causada. A primeira vez que apareceu mais forte foi na viagem para Roma. Pareciam pequenas mordidas de mosquito pelo corpo que, em algumas ocasiões, aumentavam de tamanho e quantidade, incomodando bastante. Pouco depois o problema desaparecia e a gente deixava de lado. Como, na época, ele achava que Novalgina curava até câncer, tomava uma ou duas e esperava.

No começo, pensei que podia ser alergia à lã sintética de alguma peça de roupa, depois, achamos que podia ser alguma comida…

Em fevereiro a família dele (mãe, tia, irmã, cunhado e sobrinho de seis meses) ia nos visitar e marcamos uma viagem para esquiar em Andorra. No dia anterior à viagem ele teve uma ou duas erupções, mas estava bem.

Acordou com dor de cabeça e uma quantidade maior das marquinhas, mandou a tal Novalgina pra dentro e foi dirigindo um dos dois carros que alugamos. No nosso estávamos eu e a mãe dele. No outro iam a tia, a irmã, o cunhado e o bebê. O comboio tinha ainda um terceiro carro com um três amigos do meu cunhado.

No meio do caminho a alergia só aumentava. Paramos para Mateus tomar mais uma Novalgina e um antialérgico e nada. Num determinado momento ele já parecia uma versão do homem-elefante, com a boca e a mão deformadas. Mateus se recusava a deixar que eu ou minha sogra dirigíssemos porque dizia que ia mais rápido. Liguei para o seguro e fiquei tentando explicar esse repertório de doença em inglês para a atendente. Ela me informou que o hospital mais perto era mesmo o de Andorra, mas faltava  quase uma hora de viagem. Pirei pensando que ele ia ter um choque anafilático e comecei a cogitar opções bizarras. Como minha cunhada é veterinária de formação, apesar de nunca ter exercido, imaginei que ela soubesse fazer uma traqueostomia de emergência. Fiquei pensando se a gente tinha uma faca e uma caneta, que, pelo que eu vi nos filmes, ela certamente ia precisar. Deixei que ele acelerasse o quanto quisesse, entramos voando na cidade e paramos o carro, como uma bala, em frente ao hospital. Depois de medicado, ele foi desinchando e voltando ao normal.

Mateus no hospital com a irmã e o cunhado Blog Vem Por Aqui

Não parece, mas ele estava bem melhor, até fazendo graça…

Novamente o seguro foi imprescindível. Esse, que contratamos por todo o período em que moramos em Barcelona, foi usado uma única vez e nos obrigava a pagar as despesas para depois nos reembolsar. Enquanto estávamos no hospital (Mateus saiu no mesmo dia e no segundo já esquiava), via a quantidade de gente que chegava com braços e pernas quebrados em manobras erráticas no esqui. Novamente tive a certeza de que nunca vou viajar sem seguro.

Conselho: O conselho é o mesmo lá de cima, faça o seguro, não viaje sem seguro, NUNCA saia do país sem seguro. E, além disso, procure saber, exatamente, o que você tem direito. Se essa história não te convenceu, seguem mais dois relatos que podem te deixar ligado. Um é do Comer e Coçar é Só Começar, o outro está no Falando de Viagem 

Quer conferir os outros posts da #semanadaslistas? Clica no links abaixo.

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Comentários

  1. Izzy Rainer disse:

    Adorei o site, parabens!!

    1. Érika Gimenes disse:

      Obrigada!

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