Foto: We Love Budapest
Por dentroEuropa
30/06/2016 | Nenhum comentário

Os ‘ruin pubs’ e a Hungria dos húngaros

Fanny Zsoldos rodou boa parte do mundo trabalhando nas corridas de Fórmula 1. Conheci essa húngara simpática por meio de uma amiga búlgara, que estudou comigo em Barcelona, quando as duas vieram ao Brasil. Foi um prazer recebe-las em casa e mostrar um pouquinho de Belo Horizonte para a dupla. Aproveitei para ver o mundo pelas lentes bem ajustadas dessas meninas que amam viajar. Fanny tem as chegadas e partidas no sangue. O pai, ex-marinheiro, fala mais de 10 idiomas. A filha, formada em Marketing, já conhece 54 países e aproveitou para apresentar a Hungria, de um jeito que só os locais conhecem.

Fanny se mudou do país de origem aos dois anos de idade. Os resquícios do Comunismo complicavam a vida da família, que foi viver na Suécia para dar melhores condições às filhas. Com 14, voltou para a Hungria. A relação que ela tem com o país de origem é de crítica e amor.

Basílica de Budapeste Blog Vem Por Aqui

Fanny e as amigas em frente à Basílica de Budapeste

Fanny diz que seus parentes passaram, e ainda passam, muitos apertos por escolhas equivocadas do governo e por terem vindo de um sistema que dificultou bastante a vida da população. Ela já morou em quatro países (Hungria, Suécia, França e Espanha) e não entende a visão romântica que alguns amigos europeus têm do Comunismo. Para ela, o sistema pode ser lindo na teoria, mas, na prática, só quem viveu sabe como falhou.

Ela conta que a mãe é muito politizada e participa de passeatas frequentes, cobrando melhores condições do governo.

Quando começa a falar dos motivos para que um turista visite o país, o tom muda, e a voz se enche de alegria, contando que Budapeste, por si só, vale a visita.

Me parece uma das capitais mais bonitas do mundo, ainda que tenha muita raiva da situação que há na Hungria, tenho que dizer que Budapeste é incrível e não conheci nenhuma pessoa que não voltou dizendo: ‘uau, me encantou!’ ”

Para ela, é preciso passar, no mínimo, três dias na cidade. Só os banhos termais já são motivo de visita para muitos turistas.

Piscinas ao ar livre de um dos banhos termais de Budapeste Blog Vem Por Aqui

Um dos mais conhecidos, o Gellert Baths and Spa, tem ingressos que variam de R$ 57 (durante a semana) a R$ 60 (nos fins de semana), na moeda local, o florim húngaro. Os mais de dez tipos de tratamentos terapêuticos podem custar até R$ 200.

O Histórias da Di fez uma seleção das cinco melhores termas da cidade.

Fanny diante de uma das vistas do Danúbio Blog Vem Por Aqui

Voltando às dicas da Fanny, ela diz que, como o rio Danubio corta a cidade, as vistas são lindíssimas. E recomenda um passeio de barco, à noite, pelas águas.

O Falando de Viagem fez o trajeto de manhã e também adorou. Os valores, em 2014, variavam de R$ 44 a R$ 200 (dependendo do horário e se incluía ou não o jantar).

Castelo de Budapeste Blog Vem Por Aqui

Castelo de Buda

Ela também indica os pontos tradicionais, como o castelo e o Parlamento, para passeios turísticos, mas prepare o bolso.

By Andrew Shiva  Wikipedia, CC BY-SA 4.0

Parlamento

Para conhecer a parte interna do Parlamento, os ingressos não são baratos. É obrigatório fazer a visita guiada, que sai a € 30 para quem não é cidadão europeu. O tour tem que ser comprado antecipadamente pelo site e acontece em sete idiomas, não tem em português, mas dá pra fazer em inglês e espanhol.

Um programa gratuito e que ela também indica é conhecer as pontes da cidade. A da Liberdade e das Correntes são impressionantes.

Ponte das Correntes Blog Vem Por Aqui

Ponte das Correntes

Ruin Pubs

Fanny conta ainda que Budapeste tem ótimos bares, que são meio como os de Berlim, num estilo mais underground. O que ela mais gosta é o Szimpla Kert, que ganhou fama na cidade como um dos pioneiros na tendência dos ruin pubs.

Szimpla Kert visto pelo alto Blog Vem Por Aqui

Há mais de uma década, empresários da noite começaram a aproveitar prédios em ruínas, no caso do Szimpla, uma antiga fábrica, para criarem bares alternativos. O We Love Budapest tem até uma lista sazonal com os melhores. Fanny diz também que é comum criarem hábitos extravagantes nesses bares.

Parte interna do Szimpla Kert

O Szimpla, por exemplo, vende cenouras e você sempre vai ver gente se acabando nas pistas com uma cenourinha na mão. O Janelas Abertas mostra que a coisa evoluiu por lá e hoje há até uma feirinha orgânica no domingo de manhã.

Segundo a Fanny, quem quiser variar, pode dar um rolezinho pela rua Kazinczy e encontrar outras ótimas opções, além do Szimpla.

Comendo bem, que mal tem?

A bebida mais típica da Hungria é a Palínka. Um destilado de frutas (principalmente ameixa, maçã ou pera) que ganhou até denominação de origem e só pode ser fabricado no país e em quatro províncias da Áustria.

Copos com Palinka Blog Vem Por Aqui

Afinal, durante anos a Hungria e a Áustria formavam um só império, que também se destacou por outras iguarias, os doces.

Os confeiteiros do antigo império austro-húngaro já foram reconhecidos por muitos reis como os melhores do mundo. Não é à toa que Fanny diz que em qualquer confeitaria mais ou menos é possível encontrar doces incríveis.

Café Central, que existe desde 1887 é uma das mecas para quem quer se afundar na glicose.

Café Central em Budapeste Blog Vem Por Aqui

Segundo Fanny, os húngaros comem muita carne com molhos, por isso goulash é o prato mais típico de lá.

Ela indica o Menza para quem quer provar comida local de qualidade.

Salão do Menza Blog Vem Por Aqui

O restaurante tem menu executivo e pratos à la carte que variam de R$ 11 a R$ 50.

Fachada do Trófea Blog Vem Por Aqui

Quem quer provar um pouco de tudo, pagando ainda menos, pode optar pelo Trófea.

O lugar funciona no sistema all inclusive. Você pode se servir quantas vezes quiser no buffet, tem bebida (inclusive alcóolica) liberada e paga de R$ 46 a R$ 65, dependendo do dia da semana. Fanny garante que a comida é boa e que há pratos que representam bem a culinária do país.

Outros lugares para ver

Em relação ao restante da Hungria, Fanny conta que quase não tem montanhas, e não há mar, por isso, a região do lago Balaton, o maior da Europa Central e Oriental, é que funciona como um resort para os húngaros.

No verão, as pessoas nadam no lago e há muitos festivais. No inverno, nas épocas em que a temperatura cai bastante, é possível patinar no gelo.

O Mairon Pelo Mundo andou pela região. Várias agências fazem tours (até em português) pela cidade de Herend e pelo lago.

A Fanny também me contou algo que eu, na minha santa ignorância, não sabia. Diz ela que a Hungria também tem uma boa produção de vinho. Nas minhas pesquisas, descobri que eles são responsáveis pela décima maior produção mundial.

Vinhos húngaros Blog Vem Por Aqui

A revista da importadora Mistral tem uma ótima matéria sobre os vinhos do país e fala um pouco das principais regiões produtoras.

Se você quer saber mais sobre a Hungria não perca o ótimo relato de Lala Rebelo, os roteiros de três dias em Budapeste do Destino Munique  e do Meus Roteiros de Viagem, além do post sobre os principais marcos do comunismo na capital do Vontade de Viajar. Aqui você confere os hotéis disponíveis na capital.

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