Foto: Passeios da Toscana
Vida de profissionalEuropa
03/12/2017 | 12 comentários

Coisas que ninguém te conta sobre a Toscana

Qualquer ponto no mundo atingido pelo turismo de massa tem atrações sob medida para enganar viajantes.

É a nossa ânsia de conhecer a ‘vida real’ dos lugares que visitamos, associada à falta de tempo, vontade ou recursos para entender, de verdade, a dinâmica de onde estamos que nos coloca a mercê de quem só quer lucrar com a ignorância dos turistas.

Praça lotada no Palio de Siena Blog Vem por Aqui

Para não cair nas pegadinhas dos produtos falsificados, dos restaurantes ruins, dos preços inflacionados e de atrações que são uma farsa, só há uma alternativa: informação.

Quem não quer fazer papel de bobo tem que deixar a preguiça de lado. Ler, pesquisar, procurar fontes variadas e confiáveis.

Foi no meio desse processo, me preparando para ir à Toscana, que esbarrei várias vezes nos textos da Deyse Ribeiro, brasileira que mora há 10 anos em Pisa e é guia licenciada na Itália.

Deise no computador, num café no centro histórico de Florença Blog Vem Por Aqui

Dois anos depois, apareceu uma oportunidade para entrevistar a Deyse. Além de saber mais sobre a história dela com a Itália, peguei dicas preciosas para quem quer conhecer a região.

Do Brasil para a Itália

Essa mineira de Ponte Nova é formada em Direito e dividiu apartamento com uma colega, no final da faculdade, que queria fazer aulas particulares de italiano. Deyse também embarcou nas aulas e aprendeu a língua muito antes de sonhar em morar no berço do Renascimento.

Florença vista do alto com Duomo no meio Blog Vem Por Aqui

Em 2006, fez um mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho, em Portugal, e acabou arrumando um namorado italiano. Um ano depois, deixou o apartamento em Belo Horizonte e foi morar com o namorado (que virou marido) na cidade dele, Pisa.

Os conhecimentos de história da arte do marido, que é arquiteto, sempre impressionaram Deyse, que pensou em estudar Belas Artes, mas acatou a sugestão do parceiro e resolveu fazer um curso de guia turístico para aumentar o conhecimento geral e saber não só sobre as obras de arte, como também sobre a história, a gastronomia e a cultura italianas.

Virando guia na Itália

A profissão de guia é regulamentada na Itália. Quem quer trabalhar legalizado tem que fazer o curso com duração mínima de um ano e ainda passa por uma banca que avalia o desempenho do candidato.

Carteira de guia da Deyse com símbolo da região da Toscana e dados e fotos de Deyse à direita Blog Vem Por Aqui

Deyse não estava muito segura da escolha quando se inscreveu, mas, não é à toa que ela também tentou vestibular para Turismo na adolescência.

Assim que começou o curso, fiquei apaixonada!”

O processo não é fácil. Os candidatos a guia têm que ser fluentes em italiano e em mais um idioma.

Nos primeiros seis meses as aulas acontecem três vezes por semana e são teóricas sobre temas como Arqueologia, Artes, História, Cultura e Gastronomia. Na segunda metade, passam a ser diárias, e em dois períodos, porque os alunos começam a fazer visitas às principais atrações.

O custo fica em torno de € 2.500 (tanto o preço quanto a duração máxima variam em cada província). O currículo base é de, no mínimo, 800 horas de aulas e, além das visitas, é preciso fazer estágio.

Eu me senti mais pressionada no curso de guia do que na prova da OAB”

Nesse site aqui, da Cidade Metropolitana (antiga província) de Florença, você encontra todas as informações sobre a profissão.

Ajudando brasileiros na Toscana

Além de ter sido aprovada para fazer tours em italiano e português, Deyse também obteve a autorização para guiar visitas em inglês, mas o foco sempre foram os brasileiros, tanto que só fez um passeio na língua de Shakespeare.

A guia logo percebeu que, pelos caminhos tradicionais, não seria fácil chegar aos conterrâneos.

Na minha época, era um mercado um pouco fechado para estrangeiro.”

As agências brasileiras contratavam agência italianas para selecionarem os guias e eles priorizavam outros italianos.

Para cortar os intermediários, Deyse fez uma propaganda num site. Os resultados foram tão bons que ela decidiu criar o Passeios na Toscana.

Depois de seis meses, estava trabalhando só pra mim.”

O blog, que nasceu para divulgar os serviços da Deyse, ganhou uma função maior. Ela começou a fazer posts para dar dicas e corrigir informações erradas que circulavam na internet.

E também segmentou a própria atuação. Em vez de montar grupos grandes para fazer passeios tradicionais, optou por um serviço diferenciado.

Eu comecei a perceber que os clientes preferiam tours particulares [...] Tento fazer com que todos os serviços sejam uma experiência para as pessoas, para que elas tenham uma vivência mais real, menos turística, da Itália.”

Aliás, as demandas dos próprios clientes fizeram Deyse se especializar ainda mais.

Material didático do curso de sommelier, com uma pasta de couro ao fundo e duas taças na frente Blog Vem Por Aqui

A mineira voltou para as salas de aula para estudar vinhos, trufas, cafés e museus e hoje é sommelier e master tartufo.

Deyse cheirando um copo de vinho Blog Vem Por Aqui

São coisas que me ajudam na didática para explicar.”

Conhecendo melhor alguns dos principais atrativos da Toscana, ficou fácil perceber as pegadinhas preparadas para os desavisados.

Mais falso que nota de R$ 30

Caça à trufa em jardins que não tem trufa, passeios em vinícolas que não usam as uvas das parreiras, colheitas de vinhos encenadas, produtos ‘artesanais’ que são química pura…Isso sem falar nos preços exorbitantes.

Quem se deixa levar só por nomes famosos ou pela insistência em querer fazer ‘tudo’, mesmo fora de temporada e sem pesquisar direito, vai participar de um teatro.

Até a capital da Toscana, Florença, tem menos de 400 mil habitantes. Em alguns lugarejos famosos, como Montepulciano, o número de moradores não passa de 15 mil. A vida rural é a tônica dessa parte da Itália.

Deyse sentada num monte redondo de feno no meio de um campo com ovelhas ao fundo Blog Vem Por Aqui

Mas isso não significa que tudo é feito de maneira improvisada por ali. Os produtos mais famosos da região têm que seguir normas rígidas para conseguir um certificado. Não é qualquer queijo de ovelha ou vinho feito de sangiovese que pode ser um pecorino ou um brunello. A legislação não permite, por exemplo, que a colheita das uvas aconteça de forma desordenada, com a participação de turistas.

E mesmo com todo esse controle, o que não faltam são golpistas na praça. Em 2014 a credibilidade dos vinhos toscanos ficou abalada depois que esquemas de falsificação foram descobertos (leia aqui).

Vinhos

É claro que, para agradar o grande público e aproveitar os lucros do turismo de massa são feitas algumas concessões.

Dá para visitar as vinícolas na época da vindima (colheita, que acontece em meses variados, de acordo com o tipo do vinho e da uva), só não é possível interferir no processo.

E até para esse passeio, Deyse faz alguns alertas. As propriedades ficam cheias de canos espalhados para conduzir o mosto (líquido produzido pelas uvas prensadas). O cheiro forte incomoda algumas pessoas.

É preciso ficar atento ao chão. No ano passado, ela rasgou uma calça ao tropeçar num cano e cair enquanto dava explicações aos clientes.

Mosaico com fotos da vindima, tenda em frente a um carrinho com mangueira, pessoas na esteira separando as uvas, tonel com uvas e foto mais próxima das pessoas na esteira Blog Vem Por Aqui

Mesmo marcas premiadas, como a Antinori, têm espaços sob medida para encantar o público que não traduzem, necessariamente, a cultura do vinho.

Parede de contenção com nome da vinícola e parreiras em cima Blog Vem Por Aqui

Segundo a Deyse, a casa mais famosa da Antinori, a Antinori Nel Chianti Classic, com uma arquitetura impressionante e que fica a meia hora de Florença, tem um vinhedo figurativo. Ou seja, nenhuma uva das parreiras onde passeiam os turistas são usadas de verdade na produção dos vinhos.

Escada em espiral no meio da vinícola, que sobe para o teto arredondado Blog Vem Por Aqui

Por ali, o visitante paga de € 30 a € 150 para fazer um tour pela propriedade, visitar o museu e degustar os vinhos da casa.

Máquina com duas roldanas gigantes no museu Blog Vem Por Aqui

Problema nenhum para quem não é especialista no assunto, mas, vira e mexe, a guia tem que discutir um pouco com colegas de profissão, sommeliers experientes do Brasil, que acham que vão encontrar ali os processos mais originais.

Para esses e para quem quer ver um espaço diferente, da própria Antinori, ela indica a Badia a Passignano.

Folhas de parreira com torre da abadia bem ao longe Blog Vem Por Aqui

Uma propriedade de onde saem os Chiantis da vinícola, que tem uma abadia construída em 891.

Prédio da abadia com torre lateral e paredes de pedra Blog Vem Por Aqui

O local também conta com um restaurante de uma estrela Michelin, o Osteria di Passignano.

Salão do restaurante com mesas com cadeiras branca de moldura preta e toalhas longas brancas, teto antigo de tijolos e janela no alto Blog Vem Por Aqui

Ainda assim, ela acha imprescindível visitar um pequeno produtor. Gente que faz entre 5 e 10 mil garrafas por ano (os grandes produtores passam dos milhões), mas que tem vinhos de muita qualidade, só não tem interesse ou capacidade de expandir a produção.

Um dos seus parceiros que faz sucesso entre os visitantes também é artista plástico e pinta à mão os rótulos das garrafas.

Produtor de vinho colando rótulo à mão em garrafa de vinho Blog Vem Por Aqui

Outros dão aulas e explicações práticas detalhadas, incomparáveis com passeios que seguem sempre o mesmo roteiro e são formatados para um público mais leigo.

Produtor dando explicações para um grupo de quatro turistas no meio de um vinhedo Blog Vem Por Aqui

Trufas

A iguaria mais cara da Toscana, a trufa, também é fonte de vários enganos.

Deyse com uma bandeirinha do Brasil na mão direita e uma trufa na esquerda Blog Vem Por Aqui

Na primeira vez que um cliente pediu a ela para fazer uma ‘caça às trufas’, Deyse passou um longo tempo pesquisando as propriedades da região de San Miniato, área onde o fungo aparece em profusão.

Céu com mistura de tons do por do sol e, abaixo, torre da cidade de San Miniato e outros prédio Blog Vem Por Aqui

Esse ‘aparece’ já explica um pouco da dificuldade e da raridade de tudo que envolve trufas. Elas não podem ser cultivadas. Surgem espontaneamente numa relação simbiótica com as raízes de algumas árvores.

Como ficam abaixo da terra, em profundidades que variam de 4 a 40 centímetros, precisam ser ‘encontradas’.

Mão segurando três trufas e cachorro branco no chão, observando Blog Vem Por Aqui

Cães de olfato treinado ajudam os caçadores a identificar as áreas onde estão as trufas. A partir daí, eles têm que cavar a terra com as mãos ou instrumentos autorizados por lei para fazer a coleta.

Instrumentos de metal com ponta triangulada e outro ao lado com formato de machadinha, usados para extrair as trufas Blog Vem Por Aqui

Esse cuidado é necessário para que não se danifique o ambiente original das trufas e que elas continuam a se proliferar.

O problema é que o processo pode demorar horas e até dias, por isso, é comum esconder uma ou duas trufas em áreas pré-marcadas para que os turistas possam ‘encontrá-las’.

Até aí, tudo bem, é quase como uma brincadeira, mas o mínimo que se espera é que o processo aconteça numa região onde realmente há trufas e com profissionais que trabalhem, de verdade, na caça.

Mão com trufas negras em primeiro plano e, ao fundo, caçador com cachorro subindo nele Blog Vem Por Aqui

O pior, segundo Deyse, é que grande parte dos tours (inclusive o que é feito pelo maior exportador de trufas para o Brasil) tem como objetivo final levar o cliente para uma lojinha que vende todo tipo de produto ‘trufado’. Quase todos eles uma enganação, de acordo com a guia.

Deyse explica que a trufa é um produto muito delicado, que morre em meios muito ácidos como azeite, por exemplo. Então, mesmo quando a gente vê uma trufa boiando no líquido, o mais comum é que se acrescente um aromatizante artificial (que leva gás metano e um derivado do petróleo), para que o produto tenha um cheiro e um sabor mais próximos dos originais.

Esse aromatizante costuma causar indigestão em muita gente, a própria Deyse é intolerante e sempre passava mal quando comia produtos em que ele estava presente, a ponto de achar que tinha intolerância às trufas. Quando começou a trabalhar com um caçador experiente e a estudar o assunto é que entendeu de onde vinha o problema.

Aliás, com esse caçador, que era presidente da associação dos tartufaios de San Miniato, Deyse construiu o modelo de passeio que aplica aos clientes.

Os turistas passeavam pela propriedade, viam como funcionava a caça e, no fim, em vez de ir para uma lojinha, iam para a casa dele, almoçar pratos com trufas, preparados pela filha.

Massa num prato preto ao fundo e, na frente, guardanapo branco com trufas em cima Blog Vem Por Aqui

Como o senhor faleceu, hoje, a guia tem parceria com um agriturismo onde há um restaurante que produz um cardápio inteiro com trufas para os clientes. O lugar só abre para o público externo nos fins de semana, quem faz o tour de segunda a sexta tem o espaço todo para si.

Prato de nhoque com trufas Blog Vem Por Aqui

Casamentos

Quando trabalhou como consultora para uma agência de turismo italiana que também é especializada em organização de casamentos, Deyse encontrou um novo mercado. Hoje ela e a agência atuam juntas. Todos os brasileiros que chegam até eles são encaminhados para a Deyse e os pedidos que vem para ela são realizados por eles. No ano passado eles fizeram sete casamentos.

Mosaico com fotos de casamentos, em cima, família brindando com os noivos, abaixo noivos abraçados de lado numa mureta, ao lado, noiva olhando para trás, ao lado do noivo e em frente ao fotógrafo Blog Vem Por Aqui

O primeiro passo para quem sonha em se casar na Toscana é conhecer a burocracia.

Nas conversas por e-mail ou por Skype com os noivos, Deyse explica que há três modalidades possíveis, o casamento civil, o religioso e um ato simbólico, que não tem valor legal, mas segue todos os ritos sonhados pelo casal.

Um casamento civil, por exemplo, exige uma documentação específica que tem que ser obtida nos consulados brasileiros na Itália, veja aqui quais são as exigências.

Os custos também são mais altos e variam em cada comuna. Em Florença o valor mínimo é de € 3.000. Já em Sesto Fiorentino (a meia hora da capital), o pacote todo (com fotos e organização) sai por volta de € 2.300.

Enquanto isso, um casamento simbólico, num espaço com vista para o Duomo, incluindo o celebrante, a tradução simultânea e as fotos pode ficar em torno de € 1.300.

Casal tirando foto em terraço em frente ao Duomo Blog Vem Por Aqui

Quem faz questão de entrar numa igreja católica tem que seguir as exigências italianas, que são mais rígidas que as brasileiras. Além de já ter casado no civil no Brasil, os noivos (e todas as as testemunhas) têm que ter feito os três sacramentos (batismo, primeira comunhão e crisma). Mas até a parte das testemunhas pode ser resolvida. Deyse tem algumas pessoas que cumprem os requisitos e podem desempenhar esse papel.

Ela também alerta os pombinhos sobre hábitos italianos. Não é comum, por exemplo, encontrar roupas de noiva ou de noivo para alugar. Os locais acreditam que dá azar colocar vestidos e ternos usados num casamento.

Uma dica boa que ela sempre passa é não fazer a celebração nos fins de semana. Como, normalmente, os noivos e os convidados vão passar, pelo menos, uns sete dias viajando, sai muito mais barato casar (ou renovar os votos) em dias e horários comerciais, como uma quarta-feira, à tarde.

Outros serviços

Um pedido inusitado virou um dos passeios mais requisitados pelos turistas: piquenique nos vinhedos.

A primeira vez em que um cliente solicitou, ela quis até recursar.

Eu pensei, isso é impossível!”

Segundo Deyse, o italiano é muito chato com regras, normalmente é tudo ou nada.

Ou o negócio é bem turisticão, bem fake, ou não pode fazer. Então, achar algo que não era fake não foi fácil. Hoje é um tour que eu faço direto.”

Uma vinícola no Chianti foi a primeira a promover para Deyse. Depois do passeio pela propriedade, os clientes iam para os vinhedos e levavam uma cesta feita pela própria vinícola com queijos, presuntos, tomates, vinhos e outros ingredientes.

Mesa montada com frios, queijos e frutas, em frente a um vinhedo com cadeiras ao lado Blog Vem Por Aqui

Agora, ela também trabalha com um caseificio (fábrica de queijos) onde os próprios clientes escolhem os produtos da cesta. Tudo produzido ali, dos queijos às cervejas artesanais e vinhos.

No site da Deyse também é possível comprar passeios de balão, tours de bicicleta, aulas de culinária, ensaios fotográficos e transfers para toda a Itália. O que era uma rede de serviços e parcerias, virou uma empresa de turismo.

Mosaico com serviços, primeiro casal em Ensaio Fotográfico, depois trio em aula de culinária, van, abaixo tour de bike, quarteto fazendo macarrão e balão Blog Vem Por Aqui

A demanda é tão grande que ela tem outros 5 guias trabalhando com ela e só não expande mais porque gosta de conhecer cada profissional e ter certeza da qualidade dos serviços oferecidos.

Pedido fora da curva e celebridades

Dentre os pedidos mais excêntricos que recebeu, Deyse destaca o de uma agência de São Paulo, famosa por realizar sonhos, que tinha um cliente muito exigente. Ele queria conhecer todas as festas medievais possíveis em uma semana e meia.

Eu gosto quando me dão um desafio e foi um dos passeios mais legais que eu já fiz.”

Juntos, eles foram ao ensaio do Palio de Siena, ao Gioco del Ponte de Pisa e numa festa medieval em Volterra.

Mosaico com fotos das festas, na primeira Deyse e outras pessoas vestidas com roupas medievais, na segunda a simulação de uma batalha e, abaixo, soldados medievais Blog Vem Por Aqui

Nesse post do Passeios você encontra o calendário com todas as festas da região.

De vez em quando ela guia alguma celebridade brasileira, recentemente fez tours para a família de Carla Perez e para Ana Paula Siebert, esposa de Roberto Justus.

Mosaico em cima com foto de Carla Perez marido e filhos e abaixo de Deise no meio de Ana Paula e amiga Blog Vem Por Aqui

Andrea Bocelli

Outro evento local que faz sucesso entre os turistas é o show anual promovido pelo cantor Andrea Bocelli, num teatro a céu aberto (o Teatro del Silenzio) que ele construiu na fazenda que tem em Lajatico, cidade onde nasceu.

Teatro visto de cima com multidão em frente ao palco Blog Vem Por Aqui

Muito antes de organizar transfers para o show, Deyse já era fã do tenor e guarda com carinho a foto que tirou com ele no Batistério de Pisa.

Deyse em foto antiga ao lado de Andrea, sorrindo Blog Vem Por Aqui

O local é conhecido por ser a maior caixa acústica da Itália e o maior batistério da Europa.

Batistério visto de frente, em formato arredondado Blog Vem Por Aqui

Os funcionários são treinados para emitir o eco, um conjunto de sons que se amplia no espaço e impressiona os turistas.

Deyse guiava uma senhora e a filha quando a funcionária da bilheteria disse a elas que o cantor estava por ali. Ela tentou convencer a cliente a pedir um autógrafo, como a senhora não quis, pediu licença para deixar de ser guia e ter alguns minutos como fã.

Além da foto, Deyse teve o privilégio de ouvir Andrea emitindo o famoso eco. A emoção foi tanta, que ela chorou.

E tem gente quem chora de raiva porque não se prepara bem para o show.

Deyse na entrada, em frente ao arco que anuncia o nome do teatro e do show Blog Vem Por Aqui

Os ingressos acabam logo, o site oficial não tem mais nenhum para o do ano que vem, que acontece em julho.

Imagem dos ingressos Blog Vem Por Aqui

Como o teatro fica numa área rural, o acesso não é fácil. Segundo a guia, locadoras de carro de Florença e até de Roma e Milão ficam sem veículos disponíveis às vésperas do show e os transfers de última hora podem chegar a € 800.

Os ingressos variam de € 98 a € 425, só que muita gente é obrigada a comprar na mão de cambistas ou sites atravessadores com preços que chegam até a € 1.500

Mesmo quem compra ingressos executivos não vai sentar na primeira fila. É que ela é reservada para convidados especiais, como atores de Hollywood, famosos de todas as áreas, a nobreza europeia…

Andrea conversando com Nicholas Cage e outros convidados Blog Vem Por Aqui

Quem perde tempo com saltos altos ou tem problemas de locomoção, passa aperto para chegar até os lugares.

Fora o tema, os convidados que vão fazer participações e o diretor da orquestra só são divulgados na véspera.

Geralmente, o cantor monta um repertório misto entre o erudito e o pop, mas, ano que vem, por exemplo, vai apresentar uma ópera.

A estátua central sempre é trocada e o palco é montado em cima de um lago da propriedade.

Palco com estátuas gigantes no meio Blog Vem Por Aqui

Deyse tem duas dicas ótimas para quem quer aproveitar ao máximo, uma é chegar cedo para fazer um piquenique, já que a paisagem do entorno é linda.

A outra é um bom consolo para quem não conseguiu ingressos para a apresentação. Vá ao ensaio-geral, que acontece no dia anterior. Quando esteve no ensaio, por € 56 ela conseguiu uma cadeira na quarta fileira. Ainda que tenha que visto passagens de som, ajustes e erros normais nesse tipo de preparação, também assistiu, no final, ao espetáculo completo, com direito aos figurinos e todo o cenário montado.

Deyse com os bailarinos do show Blog Vem Por Aqui

Quem se inscrever no site dela consegue um guia com o passo a passo para ir ao show sem atropelos e aproveitar tudo sem se meter em nenhuma furada.

Toscana sem carro

Deyse sempre orienta os clientes para que eles façam os passeios com o melhor custo-benefício possível e recusa, constantemente, pedidos para que acompanhe programas em que a presença de um guia não faz sentido, como a de quem quer fazer uma maratona de quatro ou mais cidades num mesmo dia ou que quer estar ao lado dela numa visita, que já é guiada, a uma grande vinícola.

Por outro lado, ela é realista com clientes e leitores que escrevem para ela perguntando se é possível conhecer toda a Toscana sem carro.

Deyse andando num beco de uma cidade de costas para a câmera Blog Vem Por Aqui

No verão ela acredita que dá pra ver o essencial, se o turista não se incomodar em ter hora para chegar e sair de todas as cidades, já que os últimos ônibus costumam passar por volta de 18h. No inverno, ela diz que é impossível porque muitas linhas são suspensas.

Mesmo na alta temporada, para ir de Siena e San Gimignano, por exemplo, é preciso fazer baldeações, o que nem sempre é simples e agradável para os turistas.

O Viaje na Viagem propõe algumas rotas para quem quer se arriscar sem carro.

Em relação aos transfers também é preciso atenção, já que a escolha errada pode fazer o cliente pagar caro.

O transporte de turistas também é uma atividade licenciada na Itália. Só que, até pelo custo do processo, a maior parte dos carros com esse tipo de autorização são veículos de luxo (Mercedes Benz Classe E), por isso, é mais barato alugar uma van, mesmo que seja só para duas pessoas.

Mercedes Classe E preto parado Blog Vem Por Aqui

Um transfer de 8h pelo Val’Orcia, por exemplo, sai a € 410. O cálculo do valor leva em conta a quilometragem e o tempo à disposição do cliente.

Como as vans têm limite de nove passageiros, famílias e grupos maiores sempre pensam em alugar um micro-ônibus, mas aí, caem em outra roubada. Os micro-ônibus têm que pagar taxas de turismo em cada cidade que passam e essas taxas variam de € 100 a € 400, por isso, pode ser melhor alugar duas vans.

Van parada de lado Blog Vem Por Aqui

Em breve, a Deyse conta pra gente lugares pouco conhecidos da Toscana que têm atrações inusitadas e muito interessantes. Fique de olho!

Deyse de costas para uma igreja com uma taça de vinho levantada Blog Vem Por Aqui

Quem mora em Belo Horizonte ainda tem a chance de bater um papo com ela, pessoalmente, no dia 06 de dezembro, às 19h, na Casa de Pessoa. Para confirmar a presença e só enviar um e-mail para relacionamento@pessoacomunicacao.com.br.

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Comentários

  1. Gauss Scudeler disse:

    Excelente artigo! . Estive água tá setembro na Itália inclusive na Toscana e posso afirmar que todo comentário feito realmente é muito útil. Os detalhes dos cuidados a serem tomados bem como as dicas foram ótimas. Me programo para voltar a Itália daqui 2 anos a passeio ciclístico m minha esposa e certamente tentar obter dicas com. Saúde!

    1. Érika Gimenes disse:

      Fico feliz que tenha gostado! Vai ser um prazer saber mais sobre essa sua nova viagem. Passe por aqui para contar ou escreva para contato@vemporaqui.com.br, mandando suas próprias dicas para publicarmos.

  2. Patrícia Pastana disse:

    Que maravilha de artigo!!Já digo a Dayse faz um tempo em suas redes sociais..Só veio a acrescentar tudo que boa sobre seu trabalho! !Gratidão por este artigo.

    1. Érika Gimenes disse:

      Obrigada, Patrícia! Que bom que foi útil pra você, fico feliz com esse retorno positivo.

  3. Nilton volkmann disse:

    Olá
    Adorei as explicações. Gostaria de acompanhar seu blogue e ficar atualizado com informações da Toscana. Estaremos na região final de ano por uns 4 dias.

    1. Érika Gimenes disse:

      Que legal, Nilton! Em breve postaremos dicas de cidades pouco conhecidas por lá e siga o blog da Deyse também, o Passeios na Toscana. Ela é a maior especialista na região. Abraços

  4. Margareth Fleury disse:

    somos 2 casais e gostaríamos de fazer um tour no dia 26 de maio, sabado, saindo de Luca e visitando San Gimignano, Volterra, Monteriggioni e região de Chianti (vinícola).
    Quanto que seria?

    1. Érika Gimenes disse:

      Oi Margareth, assim como respondi para o Messias, acho que a Deise, do Passeios na Toscana é a pessoa indicada para te dar mais informações sobre esse tipo de tour: https://passeiosnatoscana.com/

  5. Messias Vasconcelos disse:

    somos 2 casais e gostaríamos de fazer um tour no dia 26 de maio, sabado, saindo de Luca e visitando San Gimignano, Volterra, Monteriggioni e região de Chianti (vinícola).
    Sabe quem poderia fazer e quanto que custaria?

    1. Érika Gimenes disse:

      Oi Messias, a Deise, do Passeios na Toscana é uma ótima guia, não sei quanto sai esse tipo de tour, o melhor é você escrever para ela. O site é: https://passeiosnatoscana.com/

  6. CLEMENTE VIEITAS DA SILVA disse:

    bom dia
    tenho 72 anos casado com uma mulher de 70 anos ela e cidadao Italiama estou aposerntado e
    pretendo morar na Toscana no proximo ano.
    o que mais me preocupa e nao vejo comentarios e sobre Saude na Italia poderia me esclarecer
    Ja fui varias vezes a Italia e outras cidades do mundo
    moro atualmente no Rio de Janeiro Brsil
    CLEMENTE VIEITAS

  7. Antinia de Fatima disse:

    Gostei muito e li atenta.
    Incrivel sua matéria!!
    No inicio de 2019 estarei indo para Gambassi Terme. Se vicê puder me infirmar como faço para me locomover de lá para outras comunes lhe agradeço.
    Procuro informaçoes à respeito sobre transportes coletivos e nada encontro.
    Linda materia !!
    Parabéns!!!

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