Foto: Érika Gimenes
BalaioEuropa
18/03/2018 | Nenhum comentário

Tudo sobre Brighton – A cidade

Matérias em jornais britânicos, blogs da Inglaterra e do Brasil… Tem muita gente por aí confirmando o que eu já falei sobre Brighton. Essa pequena cidade de 273 mil habitantes, em East Sussex, é um dos lugares mais descolados da terra da rainha.

Tanto que recebe cerca de oito milhões de visitantes por ano, número maior do que costuma ter o Brasil (que fica na casa dos seis milhões).

Ser uma praia tão próxima de Londres ajuda, mas é suficiente para seduzir tantas pessoas?

Saiba porque Brighton é como é e porque até os britânicos consideram essa cidade única.

O rei playboy

Brighton surgiu como Brightelmestune há mais de 900 anos.

Foi um médico que começou a chamar atenção para a localidade, no século XVIII, indicando o ar marítimo (e até doses de água salgada) para quem precisava recuperar a saúde.

O estouro da boiada, no entanto, só aconteceu quando um paciente dele, o então príncipe, George IV, resolveu construir um palácio diferentão e fez uma mistura de Brasil com Egito Índia com China, trazendo exotismo para a paisagem brigthoniana.

Vista lateral do Royal Pavillon com sua cúpula em estilo indiano e grandes flâmulas vermelhas esticadas na frente Blog Vem Por Aqui

E não foi só isso que George IV trouxe na bagagem. Festeiro e beberrão, o futuro rei carregou consigo um séquito de artistas e personagens da sociedade.

Partido verde

De lá pra cá, Brighton seguiu sua sina de exotismo e escapismo, sendo escolhida como lar por vários tipos de hippies e abrindo os braços para os imigrantes.

Andar pelo centro é uma volta à Babel, dá para ouvir de turco a japonês na mesma esquina.

Pessoas passando na rua e uma mulher com lenço na cabeça parada com um carrinho de bebê num ponto de ônibus Blog Vem Por Aqui

Além de várias escolas de inglês, a cidade tem a Universidade de Sussex para atrair estudantes de várias partes do mundo.

Os elementos clássicos que  se esperam da Inglaterra estão ali, prédios e igrejas com séculos e séculos de história, ruas limpas e seguras, meninos e meninas indo para o colégio com seus uniformes à la Harry Potter…

Mosaico com prédio antigo e torre com relógio, igreja com bicicletas para alugar à frente e menino e menina com unifomes tradicionais, com gravata e saia andando na rua Blog Vem Por Aqui

Mas a modernidade e um senso único de estilo chamam a atenção dos visitantes. Além do jeito aberto da população, que abraça com tranquilidade as diferenças.

A qualquer momento você se depara com pessoas vestindo roupas exóticas, lojinhas descoladas e restaurantes e bares tão simpáticos que dá vontade de passar o dia fazendo um rodízio.

Mosaico com quatro fotos, na primeira meninas andando na rua, uma delas tem cabelo amarelo e um casaco vermelho diferente, na segunda o bar Revelator com parede de madeira e mesinhas de piquenique na frente, na terceira o The Mask com pessoas sentadas do lado de fora e o prédio todo pintado de azul, na terceira a loja Cath Kidson com bandeirinhas na vitrine Blog Vem Por Aqui

Pelas ruas há todo tipo de culinária. Da mexicana à japonesa, da vietnamita à italiana, da coreana à brasileira…

Mosaico com duas fotos, do restaurante La Choza, mexicano, e do trailler Dr. Falafel Blog Vem Por Aqui

Todo mundo tem um lugar ao sol (quando ele aparece) e às pedrinhas da praia por aqui.

Mar subindo nas pedrinhas da praia Blog Vem Por Aqui

A comunidade vegana é enorme e a filosofia está em vários tipos de negócios, desde loja de perfume (que vai ser tema de post em breve) a lanchonetes especializadas em hambúrgueres ou cafés.

Fachada do café vegano Foodilic com tomate no lugar de um dos os do nome e toldo anunciando café orgânico, comida crua e sobremesas cruas Blog Vem Por Aqui

Um restaurante da cidade, o Silo, foi aclamado, há alguns anos, como o pioneiro no mundo em praticar o desperdício zero.

Parede de vidro com adesivo com nome do restaurante e, embaixo, as palavras Restaurante, Padaria e Cafeteria Blog Vem Por Aqui

Os moradores locais conseguiram eleger a primeira representante do Partido Verde no parlamento e, nos últimos anos, a administração municipal tem passado por um revezamento entre ‘greens’ e ‘labours’ (verdes e trabalhistas), deixando clara a tendência dos eleitores à esquerda.

Caroline sorrindo com rosto de lado Blog Vem Por Aqui

Caroline Lucas, escolhida por Brighton para o parlamento britânico

A comunidade LGBT é celebrada e acolhida, o que faz da parada gay de Brighton uma das mais esperadas no país.

Ônibus com adesivação colorida e palavras como orgulho, diversidade, amor Blog Vem Por Aqui

União com Hove

Em 2000, o que era apenas Brigthon se transformou na cidade de Brighton & Hove. A união com o vizinha foi necessária para que, juntas, deixassem de ser towns e adquirissem o status de city.

Oficialmente não há diferenças e privilégios de uma classificação para outra, mas é uma questão de orgulho próprio ser city. Até o século XIX bastava uma catedral para que uma town virasse city, hoje as coisas andam meio confusas por aqui. Nem os ingleses se dão conta, às vezes, das mudanças.

Essa reportagem da BBC explica o imbróglio em inglês.

Problemas

Assim como outras cidades da Inglaterra (e talvez um pouco mais do que outras, por ter esse espírito aberto) Brighton tem visto as dificuldades causadas pela crise econômica se refletirem no aumento da população de rua.

Mosaico com duas fotos, na primeira homens no canto de uma praça, na segunda homem sentado no chão com outro abaixado, conversando com ele Blog Vem Por Aqui

Se por um lado essa situação está, sim, ligada à pobreza, por outro, a cidade não mascara o problema, nem tenta varrer os ‘indesejáveis’ para baixo do tapete.

Seguindo a tradição britânica, os moradores se engajam em projetos de caridade e fazem doações financeiras para tentar diminuir os danos.

Mosaico com a foto das fachadas de duas instituições de caridade. A primeira a British Heart Foundation e a segunda a Cancer Research UK Blog Vem Por Aqui

Além de bazares para arrecadar dinheiro para as causas, é comum haver grupos nas portas das lojas, tentando angariar apoio e participação de voluntários.

The Real Junk Food Project

No final da minha primeira semana em Brighton, fui conhecer uma iniciativa que envolve vários temas de interesse da população.

O The Real Junk Food Project não foi criado nessa praia inglesa, mas caiu como uma luva na comunidade.

Os integrantes do projeto recolhem comida que seria desperdiçada em restaurantes, supermercados e outros comércios de alimentos e usam esse material para preparar um almoço comunitário. Qualquer pessoa pode participar e paga se e quanto quiser.

Pote para colocar doações explicando que a doação média é de duas libras e que cada um pode pagar o que quiser Blog Vem Por Aqui

Os almoços acontecem em três lugares diferentes durante a semana. Na sexta, o palco é uma antiga igreja que virou centro comunitário.

Fachada da igreja toda em pedra e tijolos vermelhos Blog Vem Por Aqui

A comida é muito mais variada e saborosa do que eu esperava.

Mosaico com fotos das comidas, tem arroz, macarrão, sopa, bruschetas, pizzas... Blog Vem Por Aqui

Sim, há muitos sem teto por lá, mas também estudantes e trabalhadores de várias classes.

Pessoas sentadas nas mesas comendo Blog Vem Por Aqui

Além do almoço, os participantes têm direito a sobremesa e café. Quem quiser, pode levar as sobras ou fazer um prato para mais tarde.

O projeto é uma forma bacana de integrar as pessoas e fazer com que elas enxerguem quem está em posições desfavorecidas.

A ideia é provocar a famosa empatia, que anda em falta em tantos dos nossos lares…

 

***Dê uma olhada nos posts abaixo para saber mais sobre a experiência do VPA fazendo um curso de inglês em Brighton e pegar outras informações práticas.

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