Foto: Acervo pessoal Fred Morais
Vida de profissional
28/06/2016 | 1 comentário

Conselhos, tapas, colo…um agente de viagens faz de tudo pelos clientes

Depois de contar pra gente como é trabalhar na Disney, Fred Morais é o destaque do Vida de Profissional deste mês. Ele fala das experiências variadas que viveu na área de Turismo, onde já trabalhou numa companhia aérea que faliu, no centro de atendimento a turistas de uma capital brasileira, foi recrutador para intercâmbios, consultor e gerente de várias áreas numa agência, representante na América Latina de um grupo educacional de MBA para executivos e agora é gerente de recrutamento de uma empresa que intermedeia a relação entre estudantes e uma série de universidades dos Estados Unidos, da Inglaterra e da China.

Imagina, lá pelos os anos 90, um menino de oito anos de idade pedindo um curso de inglês de presente para os pais. O garoto, que chorava quando tinha que dormir fora de casa, não nasceu apaixonado por viagens, mas sempre adorou se comunicar e queria aprender o idioma mais popular do mundo.

Fred vestido de palhaço quando criança Blog Vem por Aqui

Fred, muito antes de sonhar com viagens e turismo.

Ele ganhou o curso, começou a estudar em livros que sempre citavam os Estados Unidos e ficou fascinado por aquele lugar. As aulas de história do segundo grau intensificaram a vontade de desbravar outras partes do mundo e Fred fez o primeiro vestibular para Relações Internacionais. Acabou se decepcionando com a faculdade porque achou muito elitizada e distante do que buscava.

Na hora que eu cheguei na turma de 40 alunos da PUC, éramos eu e mais quatro que nunca tínhamos ido para o exterior. Era uma galera que tinha viajado para o Japão, Austrália, Nova Zelândia, eu me sentia um peixe fora d´água.”

Quando trocou a primeira opção pelo Turismo, Fred se encontrou e logo começou a trabalhar. Como estagiário da Transbrasil aprendeu sobre as relações com clientes e a ter senso de urgência. A empresa faliu e os passageiros, revoltados, descontavam a frustação em quem estava na linha de frente. Ele era xingado e chegou a apanhar de um consumidor no aeroporto da Pampulha. Isso porque era só o estagiário, acordava quatro da manhã para chegar ao aeroporto e também ficou sem receber…

Depois passou pela Belotur, empresa municipal de turismo de Belo Horizonte, onde trabalhou num posto de atendimento a turistas e se refestelou com o salário alto para um estagiário e o contato com vários estrangeiros.

A partir daí, começou a juntar dinheiro e cismou em fazer um intercâmbio, acabou indo para a Disney.

Fred na formatura do primeiro intercâmbio Blog Vem Por Aqui

Fred na formatura do primeiro intercâmbio

Na volta, ganhou um estágio na mesma empresa que cuidou da viagem.

“Eu acho que o meu destino era trabalhar com intercâmbios.”

A última função que ele ocupou na operadora foi de gerente de treinamento, mas desde o começo foi escolhido como o contato com a Disney e atuou como recrutador em várias seletivas.

Fred com bonecos Disney na mão Blog Vem Por Aqui

Depois de doze anos na empresa, ele já havia comunicado sobre a vontade de ter novas experiências e foi dispensado. Como sempre quis trabalhar como Guest Relations na Disney, aproveitou o momento para realizar o sonho.

Fred com o Mickey Blog Vem Por Aqui

Quando voltou ao Brasil, retornou ao mundo dos intercâmbios, dessa vez, para um público diferente. Fred trabalhou como Associate Director for Brazil na Global University Systems, grupo educacional inglês de MBA para executivos. Agora, é gerente de recrutamento do INTO, outro grupo educacional, mas que é especializado em intermediar a relação entre estudantes e universidades dos Estados Unidos, Inglaterra e China.

Pra quem viajou de avião pela primeira vez aos 20 anos, para visitar uma tia, a vida mudou bastante. Só no ano passado foram mais de 40 embarques. E desde que fez o primeiro intercâmbio, em 2002, já conheceu 35 países.

Fred saltando de paraquedas na Nova Zelândia Blog Vem Por Aqui

Fred saltando de paraquedas na Nova Zelândia

Fred diz que para trabalhar com turismo é preciso ser apaixonado pela área (já que a remuneração nem sempre é boa) e gostar de cultura.

Você só vai conseguir se destacar se conseguir mostrar para as pessoas o ganho cultural, já que a viagem possibilita muito isso, aprender com o diferente.”

Ele lembra que também é preciso ter um senso de dever apurado.

“Via de regra você trabalha com o período mais importante do ano daquela pessoa, que são as férias. Então, é uma responsabilidade muito grande.”

Uma escolha malfeita, uma marcação errada e o momento já era…

O recurso mais esgotável que a gente tem é o tempo. O tempo passou, não dá pra ser reposto [...] você está lidando com o tempo em que as pessoas esperam ser felizes. Se você estragar isso, você mexe com uma coisa muito séria. Uma experiência de viagem ruim não vai ser compensada.”

Outro ponto importante para um agente, segundo Fred, é saber fazer uma boa leitura da linguagem corporal dos clientes para entender se os que eles estão dizendo tem a ver realmente com o que eles desejam e como eles repercutem as sugestões que recebem.

Casos inusitados e três regras básicas para intercambistas

Trabalhando numa área onde lidar com o ser humano e expectativas é tudo, Fred já viveu histórias inesperadas.

Uma vez ele atendeu uma menina que queria comprar uma passagem só de ida para o Chile porque o irmão estava vivendo lá e eles voltariam ao Brasil de carro. A passagem só de ida custava mais caro que uma de ida e volta e ele fez uma analogia dizendo que a ida para o Chile era a metade de uma passagem para a Austrália. A cliente comentou que sempre quis conhecer o país dos aussies e ele perguntou porque ela não fazia um curso na Austrália e na ida dava uma paradinha no Chile. O que parecia uma ideia absurda, colou. A menina fez um pit stop rápido para ver o irmão, antes de viver seis meses na terra dos cangurus. Na volta ao Brasil, ela ainda manteve a ideia original e passou pela agência do Fred para comprar a tal passagem de ida pro Chile.

Fred e grupo Austrália Blog Vem Por Aqui

Fred e um grupo de adolescentes em terras australianas.

Por falar em Austrália, na última vez que levou um grupo ao país como guia, uma passageira virou o pé na descida da Blue Mountain. O problema é que ela era grande (cerca de 1m80 de altura, praticante de vários esportes…) e ele, do alto do seu 1m72 e parcos quilos, teve que carregá-la. O pior é que a adolescente queria porque queria pular de bung jump no dia seguinte. Como ela estava sozinha e era menor de idade, coube a Fred proibir. A menina chorou, sofreu, mas ele teve que ser profissional e negar.

Vendendo intercâmbios, ele já atendeu pessoas de 14 a 80 anos. Uma senhora idosa, por exemplo, fazia cursos todo ano em países diferentes, se hospedando em casas de família.

Fred conhecendo os Parques Americanos Blog Vem Por Aqui

Conhecendo os parques americanos em viagem de trabalho.

A respeito dos intercâmbios, ele diz que sempre repete três regras básicas para os jovens evitem problemas. Essas regras valem, principalmente, em relação à lei americana que proíbe bebidas alcóolicas para menores de 21 anos:

  • Don´t do (não faça coisas erradas)
  • Don´t tell (se fizer, não fique se exibindo nas redes sociais)
  • Don´t lie (se for pego, não minta)

Fred já viu meninos voltando ao país no segundo dia de um intercâmbio que era para durar meses depois de uma bebedeira. Por isso ele diz que segue à risca a teoria do “só faça aquilo do que você não vá se envergonhar.”

Taí uma frase que a gente devia tatuar na testa…

Quer saber mais sobre como estudar em universidades fora do Brasil? Escreva para o Fred: fredericomorais@yahoo.com.br

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Comentários

  1. Rogerio Farias disse:

    Intrigante essas informações. Nunca tinha visto ninguem abordar desse jeito esse assunto. Muito bom!

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