Foto: ELC
BalaioEuropa
11/04/2018 | Nenhum comentário

Uma boa escola de inglês na Inglaterra

Como contei neste post, a Inglaterra me surpreendeu de várias maneiras, inclusive em relação ao local onde fiz meu curso de inglês.

Não esperava grandes novidades sobre a escola em que estudaria porque já tinha pesquisado bastante sobre o The English Language Centre (ELC) e sabia que a reputação era boa.

Prédio do ELC em Brighton com placa na lateral com o nome da escola e a cidade Blog Vem Por Aqui

Vi fotos e encontrei salas e um ambiente bem semelhante ao que eu previa. Já tinha avaliado até algumas possíveis decepções em relação ao meu aprendizado.

O que eu não podia imaginar é que estaria num espaço tão humano.

Conversei com vários professores, alguns que não faziam ideia de que eu era jornalista ou que escreveria sobre essa experiência, e todos me pareceram muito sinceros quando disseram que o ELC era um lugar diferenciado. Uma das mais jovens e descoladas, dessas bem inglesas, que nunca teve nada de piegas no discurso em sala, chegou a falar da escola como um lugar mágico.

Famíla, ethos, respeito, investimento e suporte foram algumas das palavras que apareceram nas conversas com esses funcionários. E o ELC veio comprovar a minha teoria de que negócios conduzidos com ética encontram, de maneira mais fácil, o caminho para a prosperidade.

História

Phil Hopkins, o C.E.O formado em Química, que mudou os rumos da carreira quando aderiu a um programa para dar aulas de inglês na Grécia, me contou um pouco da história do ELC.

Phil ao lado de Peter, os dois sorrindo em frente a um vidro com o nome da escola e o ano de fundação adesivados Blog Vem Por Aqui

Phil e o diretor acadêmico, Peter Tamkin

Em 1962, integrantes de um conselho extra-muros da universidade de Estocolmo começaram a investir em escolas de idiomas ao redor do mundo para que os suecos pudessem aprender novos línguas de maneira mais eficiente. Nos anos 70, quando o vínculo com a Suécia foi quebrado, os gestores decidiram transformar o ELC numa instituição de caridade.

Placa com o nome da escola e, abaixo, a inscrição Since 1962 Blog Vem Por Aqui

Até hoje, todo lucro obtido é reinvestido na escola ou repassado para programas assistenciais que ajudam imigrantes ou estudantes de países carentes a aprender inglês.

Muitas das grandes redes de escolas têm capital privado e sofrem uma grande pressão para gerarem lucro e diminuir custos, cortando salários ou outros aspectos que podem afetar os estudantes. Nós temos muita sorte porque não temos esse tipo de pressão, então, pagamos melhor do que qualquer escola em Brighton, temos bons professores e as pessoas gostam de trabalhar para a gente.”

Gostam mesmo. Jade Blue, minha primeira professora no nível avançado de Inglês Geral, que também dá aulas no curso de Formação de Professores, me deu uma declaração apaixonada.

A diferença do ELC para outras escolas em que eu trabalhei é que aqui você tem um sentimento quase mágico, você é parte de uma família. O centro é muito bem gerenciado, há muito suporte para estudantes e professores e um foco muito grande em desenvolver estudantes e professores. [...] Eu acho que as pessoas se sentem muito apoiadas aqui, é um lugar maravilhoso para trabalr.”

Tony Guill, um inglês do tipo sincerão, com humor corrosivo, que já foi diretor de outras escolas e teve seu próprio centro de ensino, também me surpreendeu, falando de maneira entusiasmada.

Essa escola tem um bom ‘ethos’. [...] Eles apoiam muito os professores. Se você é um aluno, talvez não veja tanta diferença, mas é uma boa organização para trabalhar.”

Em 2010, o centro de Brighton se fundiu com o de Eastbourne, que existe desde de 1936. Como o direitor de lá estava para se aposentar e eles também eram uma instituição de caridade, acharam que seria um bom caminho fazerem parte da mesma organização.

Os três lado a lado, sorrindo Blog Vem Por Aqui

A atual diretoria do ELC em Eastbourne: Rolf Donald (diretor acadêmico-assistente), Jenny Johnson (diretora acadêmica) e John Veale (diretor-geral)

Phil conduziu o processo e diz que eles só não têm mais escolas espelhadas pelo mundo porque o objetivo continua não sendo o lucro a qualquer custo, mas é o ensino de qualidade e um ambiente justo para alunos e funcionários.

Como gerente, eu estou aqui todos os dias com a equipe administrativa, acompanhando tudo que acontece. Não somos distantes, não temos uma equipe de gerência nos Estados Unidos, olhando apenas para números. [...] Acredito que nós contratamos as pessoas certas, temos a cultura certa, oferecemos treinamentos contínuos e suporte para os nossos funcionários, por isso, na nossa equipe, todo mundo se apoia muito.”

Opções e valores

O ELC oferece modalidades diferentes de cursos, todos intensivos, com 25 ou 30 horas de duração semanal.

Há aulas individuais; turmas estudando para tirar certificados específicos de inglês (como o IELTS ou o exame de Cambridge); professores fazendo aperfeiçoamento; executivos preparando apresentações de negócios no Business Centre e alunos do curso de Inglês Geral, que foi o que eu fiz.

Érika e colegas na sala de aula, um deles está em pé diante do quadro, curvado, com uma prancheta na mão, os demais estão sentados Blog Vem Por Aqui

O tempo de duração e o mix entre os cursos varia de acordo com as necessidades de cada um. Tive colegas que estavam lá para estudar por um ano, seis meses ou apenas uma semana.

Gente como a Laura, espanhola que fazia aulas de Inglês Geral comigo, mas também cursou dois módulos de aperfeiçoamento para professores porque ensina o idioma nas Ilhas Canárias.

Laura com os braços indicando o quadro ao lado com a imagem da professora e alunos sentados numa mesa retangular Blog Vem Por Aqui

Ou o Pedro, colombiano que ainda sabe pouco de inglês, está no primeiro nível do curso geral, mas espera sair de lá falando sem problemas, depois de 10 meses.

Pedro sentado no chão, sorrindo, de óculos escuros e pernas cruzadas Blog Vem Por Aqui

O valor total dos programas pode ir de £ 231 a £ 6.600. Os preços dependem da duração, do tipo de curso e da acomodação que vai (ou não) ser incluída.

As duas escolas têm um departamento específico para lidar com a hospedagem dos alunos, que pode ser em casa de família, hotel ou residência estudantil. Veja neste link como funciona a hospedagem familiar.

Quarto com cama de casal, mesinha de madeira no meio, diante de sofá de três lugares, sofá individual no canto, abajur e janela grande ao fundo Blog Vem Por Aqui

Meu quarto em Brighton

Fiz uma parceria com a Central do Estudante, agência especializada em intercâmbios de BH, para viver essa experiência. Eles se encarregaram do contato com ELC e das questões burocráticas da minha viagem. Meu curso de quatro semanas, com 30 horas de aula de segunda a sexta, hospedagem em quarto individual com uma familia inglesa e direito a café da manhã e jantar saiu por £ 1.941.

Érika no meio de uma mulher e um rapaz e ao lado de um casal idoso Blog Vem Por Aqui

Minhas famílias em Brighton e Eastbourne

Assim que tudo foi fechado, recebi um e-mail da Central com meu login e senha para começar a usar a área restrita para alunos, no site do ELC. Além de todas as informações sobre os cursos, o site oferece exercícios e simulações de exames para os estudantes.

Chegada

As aulas começam sempre na segunda-feira e toda semana tem gente nova chegando. Nem sempre você vai pegar uma turma que está começando do zero, mas é possível se integrar rapidamente e os professores têm o cuidado de não deixar ninguém perdido.

No primeiro dia na escola, todo mundo passa por um teste de quatro etapas (escuta, leitura, escrita e fala) que vai definir o nível de cada aluno. No meio da manhã são divulgados os resultados e todos são encaminhados para suas salas de aula.

Folha do teste de nivelamento Blog Vem Por Aqui

O material didático (livro e um fichário com todos os dados sobre as aulas, a cidade e o ELC) é entregado no início do curso, mas eles sempre recomendam que você espere uns dias antes de já ir rabiscando o livro até ter certeza de que está no nível correto.

Fichário e livros lado a lado em mesa de madeira com objetos não identificáveis no fundo Blog Vem Por Aqui

As aulas da manhã vão de 9h às 10h30, quando são interrompidas para um break de meia hora, depois seguem de 11h às 12h30. À tarde, os alunos estudam de 13h30 às 14h30 e de 14h40 às 15h30, quando cursam mais horas. Sexta-feira (prevendo a vontade da galera de fazer turismo) não há aulas à tarde.

Metodologia

Quem faz o curso de Inglês Geral fica dividido em turmas de, no máximo, 12 alunos e vai estar num dos sete níveis oferecidos: A1, A1/A2 e A2 (para iniciantes), B1 e B2 (para quem já tem um inglês intermediário) e C1 e C2 (para inglês avançado).

A ideia é que os alunos da mesma turma estejam todos juntos pela manhã e que tenham aulas com um professor principal, seguindo um livro. Esse professor vai desenvolver as habilidades gerais, focando um pouco mais em vocabulário e gramática. Já na parte da tarde o estudante pode escolher uma ou duas matérias eletivas (dependendo se faz 25 ou 30 horas semanais).

Érika no meio de outros alunos e ao lado da professora em Brighton e no meio dos alunos e do professor, diante do quadro, em Eastbourne

Minhas turmas da manhã em Brighton e Eastbourne

É possível decidir entre: Fala, Pronúncia e Escuta; Leitura, Escrita e Vocabulário; Preparação para o IELTS; Preparação para Cambridge e Inglês para o Trabalho.

Os professores mudam no período vespertino e as turmas podem ser mescladas, incluindo, até, alunos de níveis diferentes (no máximo um abaixo ou acima do seu).

Segundo Phil, essa mudança é uma estratégia didática.

Cada estudante e cada professor é diferente. Eu penso que, mesmo com a melhor metodologia do mundo, as pessoas aprendem de jeitos diferentes. E para aprender um idioma é importante ouvir pessoas diferentes, com sotaques diferentes. Por isso, o ideal é prover uma variedade de professores e de colegas de turma.”

De acordo com o próprio material informativo da instituição, os alunos precisam, em média, de 12 semanas de estudo para concluir um nível.

O experiente Tony Guill diz, no entanto, que a evolução de cada um é um processo muito individual e que depende das habilidades e, principalmente, do comprometimento do aluno. Ele já viu pessoas concluindo todo o curso em um ano. Ao mesmo tempo, acha que se o estudo em casa é importante, a vivência fora da escola também é, já que ajuda a desenvolver a fala.

Tony se lembra de uma aluna japonesa que tinha um conhecimento gramatical muito avançado, mas quase não conseguia se expressar falando. Ela não quis se hospedar em casa de família, preferiu um hostel e só saia de lá para ir para às aulas.

Em compensação, foi muito direto em me dizer, por exemplo, que eu tenho muita fluência, mas falta alguma assertividade. Ou seja, sou desembaraçada para falar, me faço entender em qualquer situação, mas tenho posso melhorar minha aplicação gramatical.

Ao final de cada quatro semanas os alunos fazem um teste para analisar a progressão e, dependendo do resultado, podem mudar de nível.

Não corra

Tive colegas mais jovens e outros nem tão jovens, mas um pouco imaturos, que achavam que chegar na próxima etapa era uma corrida contra o tempo e estavam mais preocupados em ostentar uma classificação no currículo do que em aprender o idioma.

O meu conselho é: não corra! De que adianta sair de lá com um certificado de conclusão de todo o curso, mas com deficiências de linguagem?

Você pode pedir para mudar de turma se achar que seus colegas estão muito atrás ou muito à frente, mas tenha certeza de que teve tempo suficiente para fazer essa avaliação e de que isso se aplica em todas as áreas (leitura, escuta, fala, vocabulário…).

Instalações

Nas duas escolas os alunos vão encontrar salas de aula com disposições variadas. Quase todas têm mesas coletivas, que se unem em formato de U, e cadeiras lado a lado.

Mosaico com foto de três salas, na primeira é possível ver o grande quadro digital no meio, de frente para mesas e cadeiras, na segunda só aparecem as mesas, cadeiras e um quadro de feltro onde estão colados avisos e na terceira há uma sala bem ampla com janelas grandes ao fundo Blog Vem Por Aqui

Também há um imenso quadro digital, onde os professores podem, além de escrever, acessar sites e exibir vídeos.

Professor de costas para a turma, escrevendo no quadro Blog Vem Por Aqui

Alguns, no entanto, não pareciam muito íntimos da tecnologia e, em Eastbourne, o quadro tinha um problema que não foi solucionado durante toda a semana em que estive por lá.

O prédio de Brighton tem uma parte antiga que é de 1880 com vitrais e uma escadaria belíssimos.

Mosaico com doto da escada com corrimão de mármore e carpete vinho diante de chão de mármore em mosaico vinho e branco e mesas de alumínio. Na segunda foto temos o mesmo ambiente visto do ângulo oposto, onde aparecem os vitrais no fundo e um lustre grande, além de uma porta lateral com passador de madeira Blog Vem Por Aqui

A unidade de Eastbourne se divide em duas partes. Uma de frente para a outra.

Mosaico com fotos dos dois prédios, diante do primeiro há uma árvore e placa grande com o nome da escola e a cidade, diante do segundo há um carro estacionado Blog Vem Por Aqui

A principal tem um jardim muito agradável nos fundos.

Jardim nos fundos do prédio com bancos de madeira e mesas, grama e árvores nas laterais Blog Vem Por Aqui

As duas escolas têm cozinha com geladeira e micro-ondas, já que a maior parte dos alunos costuma almoçar por ali.

Cozinhas das duas escolas, na primeira há um espelho ao fundo, mesas no meio e os armários com os micro-ondas ficam na lateral, na segunda os armários ficam no fundo e na lateral, com os micro-ondas na ponta direita Blog Vem Por Aqui

As cozinhas de Brighton e Eastbourne

Os centros contam ainda com máquinas de bebidas e snacks e ficam bem próximos de supermercados e restaurantes.

Foto 1 com máquina grande de snacks diante de uma mesa e do lado de uma porta e foto dois com máquina menor atrás de uma mesa menor e mesa grande ao lado de outra máquina, mas de bebida Blog Vem Por Aqui

A biblioteca e a sala de computadores ficam abertas até 17h30. Os alunos podem pegar livros, cd’s e dvd’s emprestados e só precisam anotar os nomes nas listas.

Mosaico com seis fotos das bibliotecas, na primeira grande estante de livros e mesa com cadeiras no meio, na segunda computador no meio de uma mesa de centro e outros ao fundo em outras mesas, na terceira cadeiras em volta de mesas redondas e quadro de feltro com aviso ao fundo, na quarta estante com poltronas individuais na frente, na quinta grande mesa com cadeiras no meio, janelas ao fundo e computadores no canto esquerdo da sala, na última mesa com aviso e fichário com lista para colocar nomes Blog Vem Por Aqui

Também há um espaço de convivência em cada escola. Uma copa e uma sala em Brighton, com mesas e sofás onde os alunos se espalham durante o almoço.

Mosaico com fotos da sala com sofás vermelhos e mesa de madeira escura no meio, copa com mesas de alumínio, piso em mármore e vitrais, sala com teto trabalhado e espelhos, Érika e amigas comendo na sala Blog Vem Por Aqui

Na unidade de Eastbourne, o espaço é maior. Na sala dos fundos há uma mesa de pingue-pongue.

Duas fotos da sala, na primeira grande janela com piano ao lado e sofás individuais em frente, na segunda sofás com murais nas paredes e, ao fundo, sala com mesa de pingue-pongue Blog Vem Por Aqui

Por lá, todas as portas de entrada para os prédios são codificadas. Para abrir, os alunos têm que digitar a senha que recebem no primeiro dia.

Business Centre

Em Brighton só as portas do Business Centre têm código e apenas os alunos das turmas executivas recebem o password para entrar nessas áreas.

Porta com placa escrita Business Centre e, ao lado, pequeno painel com números para os alunos digitarem a senha Blog Vem Por Aqui

A ideia é que esses alunos tenham um espaço exclusivo e possam se concentrar melhor nas atividades.

Geralmente, são profissionais com cargos de gerência ou diretoria que vão até lá para estudar em pequenos grupos, com colegas ou para fazer aulas individuais, melhorando a performance e treinando para alguma apresentação específica.

Professor diante do quadro com uma palestra do TED e alunos mais velhos de costas para a câmera Blog Vem Por Aqui

Eles também têm turmas voltadas para algumas profissões como engenheiros e secretárias-executivas.

Perfil dos alunos

Segundo o C.E.O Phil Hopkins, o ELC já recebeu alunos de 57 países diferentes.

São cerca de 2.000 estudantes por ano. Metade da própria Europa, ¼ da Ásia, 15% do Oriente Médio e 8% da América do Sul (a maioria do Brasil e da Colômbia).

Montagem com a palavra ELC no meio de diferentes bandeiras Blog Vem Por Aqui

Como já contei neste post aqui, esse intercâmbio cultural é uma parte muito importante da experiência.

Éria e colegas diante da mesa de um bar com copos de cerveja Blog Vem Por Aqui

Por mais focado nas aulas que você esteja, interaja com os colegas e saia com eles de vez em quando.

Se você já passou dos 30 deve estar se perguntando sobre a faixa etária dos alunos.

Não vou mentir pra você, são quase todos de 20 (e muito poucos) anos. O ELC até tem turmas específicas para maiores de 50, mas eu, que estou perto dos 40, não vi problema nenhum em estudar com a garotada, pelo contrário. Em sala, todos eram participativos e se envolviam nas atividades.

Nas minhas duas turmas da manhã sempre encontrei, ao menos, uma pessoa da minha idade ou mais velha que eu. Estudei com um professor checo que estava lá junto com seus alunos do curso técnico, com um empresário russo, com um psicólogo e autor de livros alemão, com a Laura, aquela que já dá aulas de inglês nas Ilhas Canárias…

Mosaico com colegas de Érika, Ivo, professor checo, George, psicólogo alemão, Ilya, empresário russo e Érika e Laura sorrindo Blog Vem Por Aqui

E veio dela a prova de que idade não quer dizer nada. A turma menos entrosada em que Laura esteve durante seus três meses de ELC foi, justamente, uma de preparação de professores, onde ela, com seus 30 e tantos anos, era a mais nova. Um grupo de pessoas maduras que não interagiam muito e que eram pouco generosas durante as atividades.

Claro que você não precisa ter o mesmo pique que muitos para sair de segunda a segunda, nem precisa se forçar a ir a lugares que não têm o seu perfil, mas ir uma vez ou outra num bar ou num restaurante com os colegas de turma não mata ninguém e ajuda a soltar a língua.

Selfie de Érika na mesa com vários colegas Blog Vem Por Aqui

Num festival de cerveja, com colegas de todas as idades e de diferentes países. No grupo tinha gente até que não bebia.

Pior que a diferença de idade é a semelhança de nacionalidade. Muita gente fica feliz da vida quando encontra os compatriotas no exterior. O problema é que acabam andando em bandos, só com pessoas do mesmo país, e conversam na língua nativa nos intervalos.

Eu dei sorte em relação à presença de brasileiros nas escolas, encontrei apenas uma em cada unidade. A Moana estava em Brighton na minha primeira semana e estudava em outra turma. A Gabi era da mesma sala que eu em Eastbourne, mas conversamos pouquíssimo em português.

Suporte em outras áreas

Além de cuidar da parte acadêmica e da hospedagem dos alunos, o ELC ainda conta com uma pessoa, em cada unidade, responsável pelas atividades sociais.

Essa pessoa monta uma programação semanal que busca integrar os alunos e oferecer alternativas interessantes fora da escola. As atividades não são obrigatórias e algumas delas são pagas.

Folha com as atividades da semana de 9 a 15 de abril divididas por dias e por períodos (tarde e noite) Blog Vem Por Aqui

Há desde idas a casas de chá a caminhadas por lugares turísticos, batalhas de laser, minigolfe, campeonatos de pingue-pongue, sugestões de filmes ou de festivais e encontros de conversação.

Alunos no meio de uma caminhada com a coordenadora de eventos no meio Blog Vem Por Aqui

A escola ainda tem parcerias com agências turísticas que fazem passeios para cidades vizinhas com preços econômicos.

O ELC também ajuda quem precisa comprar passes para ônibus ou chip para o celular, chegando a fornecer chips gratuitos que precisam, apenas, ser recarregados.

Diferenças entre as unidades

Apesar de fazerem parte do mesmo grupo, senti algumas diferenças de perfil entre as escolas de Eastbourne e Brighton.

Fachada da escola de Brighton e de Eastbourne Blog Vem Por Aqui

Aliás, até o material didático era diferente. Cada uma adotava um tipo de livro para o nível em que eu estava.

Livros diferentes usados nas duas unidades Blog Vem Por Aqui

Passei apenas uma semana na primeira e três, na segunda, meu julgamento pode não ser tão acurado, mas, pelo que eu pude notar, em Brighton os professores são mais dinâmicos e menos presos ao livro.

Eles investem em debates e nos forçam a falar por mais tempo. A gramática é ensinada, mas de uma forma mais indireta e pragmática, com foco na fluência verbal.

Jade Blue, por exemplo, não se preocupava em corrigir alunos que usavam uma palavra americana, diferente da que é mais comum na Inglaterra (bus/coach, pants/trousers e por aí vai…)

O inglês que eu tenho tendência a enfocar na minha sala aula busca dar habilidades aos alunos para interagir no contexto em que eles estarão no futuro e, para maioria, é um contexto internacional. Eles não vão viver e trabalhar só aqui Inglaterra, vão precisar conviver e se relacionar com pessoas de vários países. Eu chamo de inglês internacional porque o foco é em se comunicar.”

Há um tema semanal que é explorado nas aulas da tarde (pode ser geografia, personagens históricos…), que, não minha opinião, ajuda a guiar os professores.

Em Eastbourne o foco maior é na preparação para exames. Mesmo no curso geral, os professores dão muitos exemplos do que costuma cair nos testes e falam, o tempo todo, sobre os padrões de cobrança. Aliás, um dos integrantes da equipe de gestão é avaliador de Cambridge.

A quantidade de ‘para casa’ também é maior. Meu professor por lá gostava de oferecer material extra aos alunos, com foco nas atividades que eles desempenham. De informações sobre o sistema jurídico britânico a tutorial sobre e-mails corporativos. Ele estava sempre buscando algo mais para nos ajudar.

Ainda vou falar um pouco de Eastbourne por aqui, mas a cidade é bem menor que Brighton e oferece menos ‘tentações’ externas para os alunos. Talvez, até por isso, a faixa etária seja menor. Pais de estudantes mais jovens se tranquilizam sabendo que os filhos estão num lugar pacato.

Rua sem trânsito com barraquinhas nas laterais, em frente a lojas Blog Vem Por Aqui

Centro da tranquila Eastobourne

Como a unidade de Brighton tem mais notoriedade, a variedade cultural e de idades é maior.

Acho que ambas precisam reforçar o período da tarde. Alguns professores pareciam um pouco perdidos e deixavam de lado o tema central da aula.

De maneira geral, eu indicaria Eastbourne para quem quer uma vida tranquila fora da escola e mais ‘tutoreada’ dentro dela. Por lá, as coisas são mais ‘caxias’ e, como o contingente de pessoas que vai se candidatar aos testes era maior, todos pareciam mais focados. Pode ser melhor, também, para quem quer um maior desenvolvimento gramatical.

Brighton, no entanto, é o meu xodó. Quem quer conciliar o estudo com a vivência numa cidade muito vibrante, se dá melhor por lá. Assim como quem quer uma evolução maior na fala.

Mosaico com fotos de Brighton: casinhas coloridas na praia, Royal Pavillion, Pier antigo, bar The Mask e restaurante 64o. Blog Vem Por Aqui

Minhas impressões sobre o curso

Em um mês acho que minha fluência melhorou. Falar, diariamente, o inglês me ajudou a perceber erros recorrentes, a tentar melhorar meus tempos verbais e a prestar mais atenção às preposições. Ainda assim, não acho que um período curto como esse faça milagres.

Já falei um pouco sobre os benefícios e o que deve ser levado em conta antes de se embarcar nesse tipo de curso num post aqui, no blog.

Na minha opinião, quem ainda está entre o básico e o intermediário não se beneficia muito num tempo tão pequeno. Talvez os muito tímidos sintam uma evolução, porque são obrigados a praticar o idioma, mas quem precisa aprender de verdade, necessita de mais dias ou de aulas individuais.

Mesmo quem já está no nível avançado (no meu caso, fiquei no C1) precisa fazer uma revisão antes de ir, se estiver há alguns meses sem estudar inglês. Ninguém vai ficar voltando no beabá durante as aulas das turmas que estão lá na frente.

Uma questão importante nesse processo é o aumento da autoconfiança, quando você vê que consegue se virar e se faz entender, fica mais confortável para falar.

Apesar disso, como estamos focados nos nossos erros e tentamos corrigir as falhas todos os dias, é normal que, às vezes, apareça uma frustração e a gente pense que está regredido. É aquele famoso passo para trás, para dar dois para frente.

Nunca tive coragem, por exemplo, de colocar inglês fluente no meu currículo. Depois desse mês, esse pudor passou. Não porque tenha feito grandes descobertas ou aprendido tanto que meu nível de inglês mudou muito, mas porque vi que meu conhecimento do idioma é suficiente para lidar com qualquer tipo de situação e é o bastante para me fazer compreender de maneira clara.

Acho que uma experiência como essa é sempre muito válida. Ainda que o seu inglês não mude da água para o vinho, a sua bagagem vai aumentar bastante.

Mosaico com 25 fotos de lugares e momentos que Érika viveu na viagem Blog Vem Por Aqui

Conviver com culturas diferentes, ter aulas em outro idioma, morar com uma família local…São tantos aprendizados que é até difícil contar. Se você não se iludir quanto ao aprendizado prático e pensar que essa pode ser uma forma diferente de fazer turismo, é uma boa oportunidade para qualquer um.

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