Foto: Vinícola Campotinto
Pra lá, por quê?América
19/06/2018 | 8 comentários

As vinícolas do Uruguai ou a viagem que eu (ainda) não fiz

No começo do ano, eu e meu marido começamos a planejar uma viagem que já era para ter acontecido. Fiz o que faço sempre quando tenho um passeio pela frente, comecei a viajar antes…

Pesquisei em vários blogs, li resenhas sobre hotéis e pontos turísticos, cheguei até a reservar alguns quartos com cancelamento grátis pelo Booking.

A ideia era escolher um lugar que não fosse muito caro, agradasse aos dois e lembrasse um pouco a nossa ida para a Toscana.

Pensei em Mendoza, cogitei o Chile, mas acabei me apaixonando pelas regiões vinícolas do Uruguai.

Vinhedos com casa no fim do caminho Blog Vem Por Aqui

O projeto foi suspenso, porque ele estava em vias de começar num novo emprego, e fiquei sonhando com esse destino. Como já tinha tudo mastigadinho no arquivo que preparo sobre as minhas viagens, decidi dividir com vocês o que foi, sem nunca ter sido…

Minha primeira professora de espanhol era uruguaia. Seja pelo futebol, pelo carnaval, pelo Pepe Mujica ou pela tal professora, criei uma simpatia muito grande pelo nosso vizinho.

Nem sabia que havia boas vinícolas tão pertinho de Montevidéu, e fiquei ainda mais surpresa com a estrutura que descobri nas minhas pesquisas e com a qualidade de alguns hotéis que existem por lá.

O roteiro

Meu plano era passar dois dias na capital uruguaia e já começar por ali as incursões pelas vinícolas, que ficam nos arredores de Canelones, com distâncias que variam de 15 e 40 quilômetros.

Depois, alugaríamos um carro e seguiríamos para a região de Carmelo, perto de Colônia de Sacramento, onde me hospedaria, também por dois dias, num hotel de vinícola.

Aproveitando a proximidade, passaria um dia em Colônia, antes de voltar para o Brasil.

As distâncias curtas (2h30 até o ponto mais distante) ajudam a otimizar o roteiro e, pelo que eu andei lendo em alguns blogs, as estradas são tranquilas.

Os hotéis

Em Montevidéu fiquei dividida entre o My Suites e o Don.

O primeiro fica em Pocitos, bairro de classe média alta, onde está a orla do rio Prata, que é mais tranquilo para quem quer sair a pé, à noite. Um ponto alto é o wine bar, que faz degustações gratuitas de vinhos e azeites para os hóspedes. A nota no Booking é 8,9 e as diárias ficam em torno de R$ 290.

Taças com três tipos de vinho e dois copinhos pequenos com azeite, cesta de pães ao fundo Blog Vem Por Aqui

O Don é considerado um dos melhores do centro e fica em frente ao famoso mercado da cidade. Os hóspedes deram nota 9,0 no Booking e fazem muitos elogios à piscina. O preço para uma noite é de R$ 299.

Piscina vista do alto no meio de deck de madeira com árvores de um lado e mesas, cadeiras e espreguiçadeiras do outro Blog Vem Por Aqui

Minha maior expectativa era pela hospedagem na Posada Campotinto, em Carmelo. Não é um lugar tão sofisticado quanto o Narbona Wine Lodge ou o Carmelo Resort, mas pareceu um pouco mais ‘real’ para mim que os outros dois.

Mosaico com fotos da Campotinto com produtos do café da manhã, mesa de café de frente para os vinhedos, quarto e sala Blog Vem Por Aqui

Posada Campotinto

Todos os três têm nota 9,3 e são considerados fantásticos pelos hóspedes. A Posada e o Narbona são hospedagens de vinícolas, com vinhedos nas propriedades. Dá para unir o útil ao agradável se hospedando em um deles e fazendo o tour e a degustação no mesmo espaço.

Mosaico com fotos do Narbona Wine Lodge, casa central, varanda com mesa de madeira grande, quarto, fábrica e piscina Blog Vem Por Aqui

Narbona Wine Lodge

Já o Carmelo, que é do grupo Hyatt, é mais superlativo e tem instalações com cara de resort mesmo, menos intimista que os outros dois.

Mosaico com quatro fotos, do resturante, de uma sala de estar, do banheiro com hidro e da piscina Blog Vem Por Aqui

Carmelo Resort& Spa

Esse ia ser o momento ‘eu mereço’ da viagem, porque o mais barato deles (a Posada) tem diárias a partir de R$ 500. Os outros dois ficam entre R$ 900 e R$ 1.000.

Em Colônia, pensei numa opção econômica e em outra para saciar o espírito obsessor da gastação, caso ainda ele estivesse em mim. Uma noite na Posada Las Terrazas custa R$ 290.

Entrada da pousada vista da lateral com árvores em frente à porta e luminária antiga na parte da frente, acima da placa com o nome Blog Vem Por Aqui

Na La Posadita de La Plaza fica em torno de R$ 470.

Entrada da pousada com toldos diante da janela e da porta e banquinho em frente Blog Vem Por Aqui

Enquanto uma tem avaliação de 9,4 no Booking, a segunda tem 9,7. A Las Terrazas é mais simples e a Posadita é bem descolada, com uma decoração moderna e informal.

Mosaico com os quartos das duas pousadas. O primeiro é básico e tem uns quadros discretos na lateral e o segundo tem quadros grandes, coloridos e uma porta amarela Blog Vem Por Aqui

As duas têm ótima localização, o que não é difícil numa cidade pequena.

As vinícolas

Para começar a imersão pelo mundo dos vinhos, dá pra fazer um bate e volta de Montevidéu até a Bouza, uma vinícola que também tem uma coleção de carros antigos e é bem estruturada.

Calhambeque de costas andando numa estrada ao lado do vinhedo Blog Vem Por Aqui

A visita guiada sai a 490 pesos uruguaios. Quem compra uma garrafa de vinho não paga. Já a degustação de quatro vinhos, cada um acompanhado com uma tapa, fica em 1.200 pesos. Quem opta pela Experiencia Bouza, paga 3.000 pesos e tem direito à visita e ao almoço com cinco pratos e vinhos acompanhando, além de transporte da capital até lá.

Loja da vinícola com garrafas de um lado, aventais de outro e garrafa e panela no meio Blog Vem Por Aqui

A H.Stagnari está um pouco mais distante, a 26 quilômetros de Montevidéu, mas faz propaganda de si mesma dizendo que é a mais premiada do mundo em vinhos da uva Tannat.

Taça de vinho com a marca da vinícola pintada em branco em cima de uma cerca de madeira com fundo desfocado do por de sol Blog Vem Por Aqui

Desde o ano passado eles contam com um restaurante que oferece experiências gastronômicas acompanhadas dos vinhos da casa por US$ 120 ou US$ 150 por pessoa.

Restaurante com janelas de vidro que dão vista para os vinhedos Blog Vem Por Aqui

A vinícola também tem degustações dos vinhos com tábuas de frios por US$ 40 ou US$ 80. Quem quer facilitar a vida, pode optar pelo transporte oferecido pela casa pagando US$ 50, ida e volta.

Já em Carmelo, você pode passear pela Campotinto, mesmo que não esteja hospedado por lá. O restaurante é aberto ao público e eles ainda têm piqueniques para visitantes.

Mesa debaixo de um gazebo, no meio dos vinhedos com cortinas nas laterais, toalha quadriculada e produtos de piquenique Blog Vem Por Aqui

Em frente a ela, está a Cordano, com um armazém tradicional, que vende os produtos feitos na fazenda.

Produtos em cima de uma balança antiga feita de madeira e mármore, há vidros de vinhos, compotas e saquinhos de biscoitos Blog Vem Por Aqui

Na mesma área você ainda encontra a El Llegado, que oferece degustação com frios ou almoço harmonizado.

Sede da vinícola com portas e janelas de vidro nos fundos e árvores em volta Blog Vem Por Aqui

A Narbona tem página em português e, além do restaurante, também conta com uma loja para comercializar azeites, queijos, doces de leite e tudo mais que é produzido por ali.

Mosaico com duas fotos: na primeira, prateleiras com produtos do armazém, azeites, pimentas e biscoitos, na segunda uma poltrona com vários vidros de doce de leites amontoados Blog Vem Por Aqui

A bodega (vinícola) mais antiga do país, Los Cerros de San Juan, de 1854, fica na estrada para Colônia del Sacramento.

Armazén da vinícola Los Cerros San Juan Blog Vem Por Aqui

Para saber os valores das que são menos turísticas e fazer a reserva em todas, é preciso consultar o site e escrever para cada uma.

Quanto custa?

Partindo de Belo Horizonte, o preço médio das passagens para Montevidéu fica em R$ 2.500 para um casal.

Já o aluguel de um carro popular (como um Uno) por quatro dias custa por volta de US$160.

Levando-se em conta essas duas despesas e as diárias dos hotéis mais baratos descritos neste post, a viagem, incluindo hospedagem e transporte, custa cerca de R$ 5.000 para duas pessoas com permanência de seis dias (cinco noites).

Preço igual ao de muitos pacotes para resorts no Nordeste ou outras viagens pela América do Sul.

Assim que der, tô lá…

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Comentários

  1. Miguel Bonifácio disse:

    Muito bom o roteiro, parabéns, acho que vou copiar..

    1. Érika Gimenes disse:

      Se for para lá, conta para a gente como foi 😉

  2. José Mario Dias de Moraes disse:

    Nós conhecemos a Vinícola Bouza, uma boa experiência. Na região de Punta del Leste, tem a Garzon, pesquise; excelentes vinhos, especialmente o Tannat, cuja uva se aclimatou com qualidade no Uruguai.

    1. Érika Gimenes disse:

      Que legal, José Mário, vou tentar incluí-la, quando, finalmente, fizer essa viagem 🙂

  3. Roseli disse:

    Olá!!
    Muito bom seu post!!
    No início do ano eu e meu marido também planejamos está viagem e desistimos depois que vi os preços das degustacoes nas bodegas, iríamos em junho e com a disparado do dólar ficou caro demais, já que a degustação para nós dois giraria em torno de U$ 300 em cada bodega.
    O ano passado fomos a Mendonza e achamos bem mais barato as degustações.
    Enfim, faremos o Sul do Brasil novamente, de qquer forma importante é ter vinho!!!

    1. Érika Gimenes disse:

      Que legal, Roseli! Realmente também achei as degustações um pouco puxadas, ainda que o restante seja um pouco mais em conta. Me conta depois como foi no sul

  4. Renata disse:

    Que ótimo que mais brasileiros estão descobrindo as bodega DO Uruguai!!
    Nesta lista ainda faltaram as da região de Punta del Este. Que fica só a 1.30hr de Montevideu . A cidade fala por sí só com praias maravilhosos e um por do sol de tirar o fôlego!
    Tem a Bodega e restaurante Garzón, a Bouza e a mais nova Viña Edén. Vale muito à pena pesquisar essa antes e dar uma esticada na viajem! A Viña Edén é a mais moderna e já tem vinho premiado! Lugar maravilhoso!

    1. Érika Gimenes disse:

      Obrigada pelas dicas, Renata!

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